23 abril, 2011

Flamenco, Rumba Catalã, Folk e... Fado Vindos de Espanha


Hoje recupero aqui quatro textos publicados originalmente na Time Out Lisboa, todos a propósito de artistas de vários territórios espanhóis e de diversas áreas musicais: críticas a álbuns da maravilhosa cantora de flamenco Concha Buika, da herdeira do espítito dos L'Ham de Foc, Mara Aranda, e dos rumberos catalães Sabor de Gràcia, para além de uma entrevista com a fadista basca María Berasarte (na foto), que depois da edição deste álbum "Todas Las Horas Son Viejas" passou a integrar o projecto Aduf, de José Salgueiro.

Buika
"El Último Trago"
Casa Limon

Abençoada hispanidade que permite a junção de personagens musicais como estas e deste calibre para a realização de um álbum genial: o produtor espanhol Javier Limón (o mesmo que trabalhou no último álbum de Mariza), a extraordinária cantora de flamenco e não só Concha Buika e o fabuloso pianista cubano Chucho Valdés, mais a sua banda, juntaram-se para um disco de homenagem às canções de Chavela Vargas (a lendária cantora nascida na Costa Rica mas mexicana de alma). E o resultado é absolutamente sublime! Ouve-se este disco e, nele, as canções interpretadas por Chavela – e nem por isso as mais óbvias, faltando aqui “La Llorona”, por exemplo – ganham outras cores e sabores com as rancheras e outros ritmos do México a encontrar o flamenco, a rumba, o tango, o jazz. (*****)


Sabor de Gràcia
"Sabor Pa'Rato"
World Village/Harmonia Mundi

A rumba catalã – que está bem presente na música dos Ojos de Brujo mas também aparece como referência recorrente na música de Manu Chao, Amparanoia ou Macaco – tem nos Sabor de Gràcia uns mais que dignos representantes. Ciganos que homenageiam no seu nome o bairro de Barcelona onde os gitanos mesclaram vários palos do flamenco com a salsa e outros ritmos latino-americanos, os Sabor de Gracìa têm neste seu quarto álbum, "Sabor Pa'Rato", uma abordagem à “tradição” (mesmo que nascida nos anos 50 do Séc. XX) semelhante à que os Oquestrada fazem do fado e das marchas: estão lá o rock, o funk e outras músicas mas também o respeito por ícones como Peret e Gato Pérez e, como convidados, Marina Cañailla (Ojos de Brujo), o brasileiro Wagner Pá ou Los Manolos. (***)


Mara Aranda & Solatge
"Dèria"
Galileo

Durante muitos anos foi uma das metades dos L'Ham de Foc, ao lado de Éfren López, com quem viajou pelas músicas da sua cidade (Valência) mas também de outras sonoridades ibéricas, gregas ou árabes, sempre com a memória da música medieval por trás e os ensinamentos dos Hedningarna e dos Dead Can Dance pela frente. E, com ou sem López, entrou noutras aventuras como os Aman Aman (música espanhola, grega e do resto da baía do Mediterrâneo) ou o Al Andaluz Project (música da Andaluzia da Idade Média, num convívio de géneros cristãos, muçulmanos e judeus). Agora, no álbum de estreia do primeiro projecto de Mara em nome próprio (com os Solatge) tudo isto lá continua, vivo e sempre selvaticamente acústico. É um álbum sisudo mas também há lugar para o divertimento gaiato de um fandango. (****)



María Berasarte
O fado que vem do País Basco


Há alguns, mas não muitos, os álbuns de fado gravados por artistas estrangeiros. Mas raros serão os que têm a qualidade, a ousadia e, ao mesmo tempo, um amor tão grande por este género português quanto "Todas Las Horas Son Viejas", disco de estreia da cantora basca María Berasarte, com produção de José Peixoto e letras originais, em castelhano, de Tiago Torres da Silva. Nele, não há guitarra portuguesa, mas há fados tradicionais de Lisboa em novas roupagens e uma belíssima voz a coroar isto tudo. Carlos do Carmo chama-lhe fadista.

O que é que leva uma rapariga basca a interessar-se por um género como o fado?

A minha mãe é galega e tive sempre uma relação muito estreita com Portugal. E desde há muito que comecei a ouvir fado e a apaixonar-me por esta linguagem, que é belíssima. Também gosto de flamenco, mas este é mais duro; gosto mais das melodias do fado. E, quando comecei a falar sobre o que seria o meu primeiro disco, a minha mãe disse-me “Maria, tens que gravar um disco de fados”. Primeiro, não liguei muito mas... isto ficou a maturar na minha cabeça.

Lembra-se de qual foi o primeiro fado que ouviu ou qual a primeira ou primeiro fadista que ouviu?

Foi a Amália Rodrigues. E coincidiu mais ou menos com uma altura em que a Dulce Pontes estava a ter muito sucesso em Espanha com a “Canção do Mar”. Estamos a falar de há treze anos e, nessa altura, não havia muitos discos de fado em Espanha. Mas eu comecei a comprar todos os que encontrava. E aprendi a cantá-los!

Antes da entrevista começar, disse que não quis fazer um disco de fado tradicional porque já há muitos e muito bem feitos. Este álbum, apesar de ter o fado como base navega também por outras músicas como o tango, o flamenco, a música árabe... Acha que há ligações entre todos estes géneros?

Sim. Principalmente, entre as músicas que nascem em cidades portuárias. Sevilha, onde nasceu o flamenco, foi um porto importantíssimo. Lisboa também; Buenos Aires também... as viagens que as músicas
fazem enriquecem-nas. Mas não houve nenhuma intenção inicial de irmos a essas ou outras músicas. A ideia era: vamos tocar, vamos sentir e aí vamos ver o que acontece... Poderíamos ter ido por um lado como por outros. Mas, sendo espanhola e não sendo fadista, tenho mais liberdade para percorrer esses caminhos...

“Fadista” é um carimbo muito forte...

Sim, eu prefiro dizer que sou cantora; também pela liberdade que me dá. Mas quando o Carlos do Carmo me apresentou (NR: no espectáculo comemorativo dos seus 45 anos de carreira) como uma “fadista espanhola” senti um grande orgulho! E participar nessa festa foi é importantíssimo para mim.

O José Peixoto esteve sempre nas margens do fado – lá perto mas sem lá estar. Com os seus projectos a solo, com os Madredeus, o Sal... Ele era o parceiro perfeito para esta aventura, não era?

Sim, claro. Ele foi importantíssimo em tudo isto. Costumo dizer que foi o pai do disco. Os arranjos, a produção, a sonoridade, o sentimento... E acho que para ele também foi importante, porque acho que foi a primeira vez que trabalhou sobre composições feitas há já muito tempo (NR: todas as músicas do disco são fados tradicionais de Lisboa).

Continuando na “família” que fez este disco, se a mãe é a María, se o pai é o José Peixoto, também há um tio...

Que é o Tiago Torres da Silva. Ele deu-nos muita força para fazermos o disco e arriscou ainda mais do que nós, ao fazer letras originais para aqueles fados, directamente em castelhano. E, ainda mais, a fazer letras pensando em mim. Eu gosto de cantar coisas com que me identifico e ele conseguiu conhecer-me.

O disco está a ser agora editado em Portugal e já foi editado em Espanha. Acha que Espanha já está suficientemente familiarizada com o fado para aceitar um álbum como este e... cantado em espanhol?

Em Espanha há muita gente que conhece e gosta de fado. Mas há muita gente que não percebe as palavras do que se canta. Gosto desta ideia de poder explicar, e em castelhano, do que é que o fado fala.

20 abril, 2011

Sly & Robbie com Junior Reid, Dissidenten e Secret Chiefs 3 no FMM Sines, Justin Adams & Juldeh Camara e Speed Caravan no Islâmico de Mértola


Duas excelentes notícias. A referente a Sines é da responsabilidade da organização. A de Mértola foi directamente roubada no Crónicas da Terra.


"Sly & Robbie feat. Junior Reid, Dissidenten
e Secret Chiefs 3 no FMM Sines

Reggae, worldbeat e rock experimental nas três novas confirmações do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011.

SLY & ROBBIE feat. JUNIOR REID (Jamaica)

O último concerto do FMM no Castelo, no dia 30 de Julho, com honras de fogo-de-artifício, estará este ano a cargo de Sly & Robbie feat. Junior Reid.

Lowell “Sly” Dunbar (bateria) e Robert “Robbie” Shakespeare (baixo) formam a dupla mais bem-sucedida da música jamaicana.

Enquanto secção rítmica e produtores, deram coração ao melhor reggae produzido desde os anos 70 até aos dias de hoje e nas cerca de 200 mil canções que já tocaram ou produziram acumulam um dos patrimónios mais impressionantes da música popular.

O seu uso inovador das capacidades do digital ajudou a mudar o “modus faciendi” da criação musical nos anos 80 e a sua erudição rítmica tem sido procurada por uma lista interminável de artistas de outros géneros musicais, em que se incluem nomes como Bob Dylan, The Rolling Stones e Sting.

Apresentam-se em Sines 10 anos depois da sua primeira passagem, em 2001, com os Black Uhuru.

Junior Reid, o cantor que trazem como convidado, também conheceu a experiência de actuar com aquele grupo lendário, mas hoje afirma-se a solo como umas vozes que melhor promove o encontro entre o reggae, o R&B e o hip hop.

DISSIDENTEN (Alemanha)

Os berlinenses Dissidenten sobem ao palco do Castelo de Sines no dia 29 de Julho.



Apelidados de “padrinhos do worldbeat” pela Rolling Stone, foram fundamentais para abrir a música popular ocidental como a conhecemos às músicas do mundo.

Formados em 1981, editaram o primeiro disco, “Germanistan”, no ano seguinte, durante uma estadia na Índia. Em 1984, em Tânger, gravaram “Sahara Elektrik”, de onde saiu um dos maiores sucessos, a canção “Fata Morgana”.

Continuaram em viagem pelo planeta e pelos seus sons nas duas décadas seguintes.

Em 2008, editaram “Tanger Sessions”, disco base do concerto no FMM, inspirado no conflito entre Oriente e Ocidente que se seguiu ao 11 de Setembro.

Marlon Klein (bateria e percussões) e Uve Müllrich (baixo e guitarra), membros fundadores da banda, lideram um septeto explosivo com músicos alemães e marroquinos.

SECRET CHIEFS 3 (Estados Unidos)

O grupo americano Secret Chiefs 3 (na foto) actua no Castelo de Sines no dia 22 de Julho.

Liderada pelo guitarrista / compositor Trey Spruance, trata-se de uma banda de rock progressivo experimental de grande versatilidade, com influências tão diferentes quanto a música sinfónica de cinema, as melodias do Médio Oriente e o heavy metal.

Originária de São Francisco, foi fundada em meados dos anos 90 por Spruance, Trevor Dunn (baixo) e Danny Heifetz (bateria).

Ao longo da sua história e de quase uma dezena de discos gravados, as formações têm sido fluidas, como a própria banda, que muitas vezes apresenta fronteiras pouco definidas com outros grupos liderados por Spruance, como Ur e Traditionalists.

A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).

Além dos nomes divulgados nesta nota, estão também já confirmados, entre os 35 concertos previstos, os seguintes artistas: Congotronics vs. Rockers (RD Congo / EUA / Argentina / Suécia), Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble “Desert Slide” (Rajastão – Índia), Cheikh Lô (Senegal), Ebo Taylor & Afrobeat Academy (Gana), Mário Lúcio (Cabo Verde), Mamer (China), António Zambujo (Portugal), Nathalie Natiembé (Ilha Reunião – França). Blitz the Ambassador (Gana / EUA), Ayarkhaan (República da Iacútia – Rússia), Le Trio Joubran (Palestina), Shunsuke Kimura x Etsuro Ono (Japão), Luísa Maita (Brasil), Mercedes Peón (Galiza – Espanha), Mama Rosin (Suíça), Manou Gallo & Women Band (Costa do Marfim / Bélgica) e Nomfusi & The Lucky Charms (África do Sul).

Mais informações sobre o festival em www.fmm.com.pt e www.facebook.com/fmmsines."

"Justin Adams & Juldeh Camara e Speed Caravan no Islâmico de Mértola


O festival bienal Islâmico de Mértola celebra-se este ano entre os dias 19 e 22 de Maio.

O enorme souk que atravessa as ruas estreitas, íngremes e caidas do centro histórico desta localidade debruçada sobre o Rio Guadiana, continua a ser uma das principais atracções desta 6ª edição do Islâmico. Mas o cartaz musical, apesar de incluir propostas que figuraram em cartazes de Sines e de Loulé (e no próprio Islâmico de Mértola) é, provavelmente, o mais forte de sempre. Senão vejamos os pratos principais: o guitarrista britânico Justin Adams (e produtor dos Tinariwen) volta actuar com o griot gambiano Juldeh Camara; os sónicos Speed Caravan (que saudades da sua versão de “Killing an Arab” dos The Cure), os marroquinos Nass Marrakesh, Eduardo Paniagua e Sebastião Antunes com Janita Salomé. Fora de horas há ainda bailaricos e animação de rua com os Uxu Kalhus e a Kumpania Algazarra.



Programa Completo

Dia 19

10:00h ~ Abertura do mercado de rua
~ Abertura dos museus
~ Abertura das exposições
16:00h ~ Inauguração oficial do 6º Festival Islâmico de Mértola
16:30h ~ Conferência Diálogo e Coexistência na região
Euro-mediterrânica (F. Anna Lindh)
17:00h ~ Apresentação da linha de mershandising e produtos
tradicionais do Festival Islâmico
18:00h ~ Colóquio “Norte de África ¿Una Revolucion Islàmica?” (CIE)
~ Ao Pôr-do-Sol – Noite de Dikra
20:00h ~ Encerramento dos Museus e exposições
22:00h ~ Concerto no Castelo
Eduardo Paniagua “Latidos de Al-Andalus”
~ Encerramento do mercado de rua

Dia 20

10:00h ~ Abertura do mercado de rua
~ Abertura dos Museus
~ Abertura das exposições
18:00h ~ Colóquio “La Verdad de la Economia actual:
A Quien protegen los Estados” (CIE)
19:00h ~ Apresentação informal de dança – Dansul
20:00h ~ Encerramento dos Museus e exposições
22:00h ~ Concertos no cais do Guadiana
Nass Marrakech
Justin Adams & Juldeh Camara
~ Encerramento do mercado de rua
01:00h ~ Concerto/baile na Praça Luís de Camões
Uxukalhus

Dia 21

10:00h ~ Abertura do mercado de rua
~ Abertura dos Museus
~ Abertura das exposições
11:00h ~ workshop de dança oriental – Dansul
20:00h ~ Encerramento dos Museus e exposições
22:00h ~ Concertos no cais do Guadiana
Sebastião Antunes “Cá Dentro”
participação especial de Janita Salomé
Speed Caravan
~ Encerramento do mercado de rua
24:00h ~ Concerto/baile na Praça Luís de Camões
Kumpania Algazarra

Dia 22

10:00h ~ Abertura do mercado de rua
~ Abertura dos Museus
~ Abertura das exposições
16:00h ~ Encerramento dos Museus
~ Encerramento das Exposições
17:00h ~ Encerramento do mercado de rua

Outras actividades: Passeios no barco “O Vendaval”; Animação
Musical (Alentejanos, Grupo Coral Guadiana de Mértola,
Adufeiras, Mercadores de Abjul, Eduardo Ramos); Circuito dos
Pátios de Mértola; Circuito da Poesia; Feira do Livro; Dança; Teatro;
Exposição e Workshop de Instrumentos Musicais…"

12 abril, 2011

Odisseia:Portos - Ciclo Lusófono na Invicta


A Praça da Batalha, no Porto, é a partir de dia 15 o palco de um novo ciclo/festival muito apropriadamente intitulado Odisseia:Portos. Todos os pormenores:

"Odisseia: Portos


Antecedendo a realização de um showcase e de um festival de teatro internacional, o Odisseia faz da Praça da Batalha o seu ancoradouro, resgatando-a da costumeira condição de descampado nocturno. Iniciativa realizada com o apoio do Turismo de Portugal, Portos faz desembarcar nas imediações do TNSJ o fado, a música tradicional portuguesa, a percussão e os ritmos africanos, as sonoridades ibéricas, a música popular brasileira – sons da lusofonia que simbolicamente culminam a 25 de Abril.

Todas as músicas de raiz popular e tradicional, não escritas, apesar de representativas de uma região, de uma ideologia ou da vivência dos povos que as interpretam, são o resultado de uma série de influências culturais. Se uma canção, ao ser composta, passa por um processo de crescimento até alcançar toda a sua estrutura, o mesmo acontece com qualquer género musical.

O fado, por exemplo, absorveu influências musicais de várias terras que fazem parte da nossa história, de África ao Brasil, sem esquecer as próprias regiões de Portugal, tornando-se assim uma forma de música popular urbana. Mas também influenciou géneros oriundos dos vários países ligados à lusofonia – das mornas ao samba e ao chorinho, e até a alguma música pop cantada em português.

As cidades portuárias são, sem dúvida, coniventes com a cristalização destas músicas. Em toda a história do nosso país, o mar foi a estrada principal para todas as viagens. Uma Odisseia de encontros, desencontros, cruzamentos e evoluções, que acabaria por nos deixar por herança este caldeirão de culturas que faz parte da alma e da história do mundo português.

Hélder Moutinho


15 Abril, 23:00
Yami (Angola/Portugal)
convidado: Manuel D’Oliveira

Cantor, compositor e guitarrista, Yami nasceu em Angola, mas viveu apenas em Luanda até aos quatro anos. Ainda assim, os sons, cheiros e costumes de África foram-lhe transmitidos pela mãe e vêm ao de cima em Aloelela, disco de estreia lançado em 2007, em que se detectam também influências da música brasileira, da música soul e do jazz. A guitarra de Manuel D’Oliveira vai trazer outras texturas a uma noite que celebra a lusofonia, ponto comum das várias aventuras musicais de Yami.


16 Abril, 23:00
Manuel D’Oliveira (Ibéria)
convidado: Yami

A música tradicional portuguesa e o flamenco constituem a matriz do trabalho de Manuel D’Oliveira, pelo que não é por acaso que o seu disco de estreia, lançado em 2002, se chama Ibéria. O guitarrista empresta a essas linguagens o seu inegável virtuosismo, mas também uma alma a toda a prova, que lhe valeu a admiração (e colaboração) do “mestre” António Chainho. Repetindo uma parceria já encetada, por exemplo, no projecto Muxima, o vimaranense surge em palco acompanhado pelo angolano Yami.



17 Abril, 18:00
Atlantihda (Portugal)
convidados: Paulo Parreira, Pedro Soares

Os Atlantihda reúnem o talento de seis músicos com percursos diversos que definiram o objectivo de criar “uma canção genuinamente portuguesa”. Se a voz poderosa de Gisela João lhe empresta um cunho fadista, a presença de instrumentos como o acordeão, o violoncelo, a viola braguesa e o adufe baralham as contas e proporcionam tonalidades surpreendentes. Os Atlantihda trazem na bagagem um recentíssimo álbum de estreia e “neste espectáculo especifico” a companhia dos guitarristas Paulo Parreira e Pedro Soares.



22 Abril, 21:30
João Afonso (Portugal)
convidado: Ruben Alves

João Afonso conquistou, por mérito próprio, um lugar de relevo entre os cantautores que exploram a tradição musical portuguesa. A participação em Maio Maduro Maio (1994) – disco em que interpretou temas do tio, Zeca Afonso, ao lado de Amélia Muge e José Mário Branco – foi decisiva para o lançamento de uma carreira como compositor e letrista. O premiado Missangas, de 1997, marcou o início de um trajecto que o tem levado a múltiplos palcos nacionais e internacionais. Acompanhado pelo pianista Ruben Alves, o cantor revisitará boa parte do seu repertório.



23 Abril, 21:30
Ritinha Lobo (Cabo Verde/Angola/Brasil)
convidado: Yami

A cabo-verdiana Ritinha Lobo (na foto) vai servir um caldeirão de géneros ligados aos países de língua oficial portuguesa. A vocalista promete evocar o funaná da sua terra natal, o semba de Angola e a música popular brasileira. Para este concerto, Ritinha Lobo convida Yami, colaborador já habitual nos seus espectáculos e ao lado do qual integrou o projecto Muxima, uma homenagem ao Duo Ouro Negro.




24 Abril, 21:30
Ricardo Parreira (Portugal)
convidados: Micaela Vaz, Marco Oliveira, Vânia Conde

Cresceu fascinado por Carlos Paredes, no seio de uma família de guitarristas. Depois de se estrear em 2007 com um disco de homenagem a Fernando Alvim (eterno companheiro de Paredes), Ricardo Parreira editou Cancionário em 2010. O álbum junta à sua guitarra portuguesa as vozes de Micaela Vaz, Marco Oliveira e Vânia Conde, que o vão acompanhar na Praça da Batalha. O fado será a porta de entrada para uma viagem pela música tradicional e popular portuguesa.



25 Abril, 18:00
Amor Electro (Portugal)
convidado: Ricardo Parreira

O desígnio dos Amor Electro é claro: fazer pop em português, conciliando elementos electrónicos com instrumentos como o adufe ou a guitarra portuguesa, que o convidado Ricardo Parreira trará para este concerto. O quarteto vai apresentar Cai o Carmo e a Trindade, a sua estreia em disco, que chega aos escaparates precisamente no Dia da Liberdade. Do alinhamento fazem parte versões de temas históricos da pop nacional, como “Sete Mares”, dos Sétima Legião, ou “Foram cardos, foram prosas”."

07 abril, 2011

Cheikh Lô, Le Trio Joubran e Mama Rosin no FMM Sines


E mais três de uma vez:

"As três novas confirmações do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011 são provenientes do Senegal, da Palestina e da Suíça.

CHEIKH LÔ (Senegal)

Considerado um dos músicos africanos mais importantes das últimas duas décadas, Cheikh Lô actua no Castelo de Sines no dia 22 de Julho. Nascido em 1955, numa cidade do Burkina Faso junto ao Mali, Lô é senegalês, mas domina toda a cultura musical da África Ocidental e Central. Cantor, guitarrista e compositor de excelência, começou a carreira como percussionista, primeiro em África e depois em França, onde passou alguns anos na década de 80. De volta ao Senegal, editou uma cassete, “Doxademe” (1990), com canções sobre a emigração, mas foi “Ne La Thiass” (1996), produzido por Youssou N’Dour, que fez dele uma estrela. Seguiram-se “Bambay Gueej” (1999), “Lamp Fall” (2005) e “Jamm”, um dos grandes discos de 2010. Na sua voz, o mbalax mais tradicional surge suavizado através de um maior uso acústico e da incorporação de ritmos cubanos, reggae, música brasileira e influências de outras origens.

LE TRIO JOUBRAN (Palestina)

Filhos de uma família palestina com quatro gerações de fabricantes e tocadores de alaúde, Samir, Wissam e Adnan Joubran (na foto) expandem o potencial deste instrumento, conferindo-lhe em trio novas dimensões de harmonia e sincronização. A história do grupo, de que também faz parte o percussionista Youssef Hbeisch, teve início quando o irmão mais velho, Samir, começou uma carreira a solo, com dois discos gravados, em 1996 e 2001. No terceiro álbum, “Tamaas” (2003), Samir pediu ao irmão Wissam para tocar com ele. O irmão mais novo, Adnan, juntou-se a eles para “Randana”, gravado em 2005, nascimento em disco do primeiro trio de alaúdes conhecido no mundo. Seguiram-se “Majâz” (2007), o disco que os tornou conhecidos do público internacional, “À l’Ombre des Mots” (2009) e “AsFâr” (2011). O repertório do grupo, composto por peças originais e improvisações, funda-se na cultura dos maqâms tradicionais. Actuam no Castelo de Sines no mesmo dia que Cheikh Lô, 22 de Julho.


MAMA ROSIN (Suíça)

Originário de Genebra, o trio suíço Mama Rosin reinventa o zydeco, estilo de música de dança nascido há dois séculos no seio da comunidade crioula negra do Luisiana. Formado por Cyril Yeterian (acordeão diatónico, voz, guitarra), Robin Girod (guitarra, banjo, “washboard” e voz) e Xavier “Gérard Guilain” Bray (bateria), o grupo funde o rock n’ roll mais enérgico ao manancial de música norte-americana com raízes na cultura de língua francesa. Elegem como grandes influências Amede Ardoin, lendário tocador de concertina dos anos 1920 e 1930, mas também bandas como Velvet Underground, The Clash e White Stripes. Gravaram o primeiro disco, “Tu As Perdu Ton Chemin”, em 2008, e “Brûle Lentement”, em 2009. “Black Robert”, editado também em 2009, acrescentou o jazz e o calypso como ingredientes desta música festiva. Lançam, muito em breve, o seu quarto disco. Mama Rosin sobe ao palco do Castelo no dia 27 de Julho.

A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).

Além dos nomes divulgados nesta nota, estão também já confirmados, entre os 35 concertos previstos, os seguintes artistas: Congotronics vs. Rockers (RD Congo / EUA / Argentina / Suécia), Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble “Desert Slide” (Rajastão – Índia), Ebo Taylor & Afrobeat Academy (Gana), Mário Lúcio (Cabo Verde), Mamer (China), António Zambujo (Portugal), Blitz the Ambassador (Gana / EUA), Ayarkhaan (República da Iacútia – Rússia), Shunsuke Kimura x Etsuro Ono (Japão), Luísa Maita (Brasil), Mercedes Peón (Galiza – Espanha), Manou Gallo & Women Band (Costa do Marfim / Bélgica), Nomfusi & The Lucky Charms (África do Sul) e Nathalie Natiembé (Ilha Reunião – França).

Mais informações sobre o festival em www.fmm.com.pt e www.facebook.com/fmmsines."

04 abril, 2011

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXIV


Em busca das arcas perdidas...
Publicado em 18 de Fevereiro de 2010

A Movieplay vai editar, dia 1 de Março, uma colecção de fado com dezenas de temas inéditos em CD "descobertos" no acervo da antiga editora Alvorada, etiqueta da Rádio Triunfo. O trabalho de recuperação do tesouro foi feito por José Manuel Osório e, nos três volumes de "Os Fados da Alvorada", estão gravações de Amália Rodrigues, José Afonso, Artur Paredes (na foto), Carlos Paredes, Luís Piçarra, João Villaret, Tereza Siqueira (mãe de Carminho), Maria de Lurdes Resende e Madalena Iglésias, entre muitos outros. Trata-se de mais um passo importantíssimo - a juntar-se a outros - para a preservação da nossa memória musical. Mas ainda há muito por fazer. Há alguns dias, no âmbito de um trabalho não estritamente musical, um amigo meu "descobriu" (e continuo a usar as aspas porque estas coisas já lá estão, à espera de ver de novo a luz) valiosíssimas gravações ao vivo de artistas e grupos importantes do pré e pós-25 de Abril que é urgente dar a conhecer. Numa conversa recente com um etnomusicólogo veio à baila o facto de dezenas de horas de recolhas feitas por Michel Giacometti (e mais algumas feitas por Ernesto Veiga de Oliveira) nunca terem sido disponibilizadas em disco, quer em vinil quer em CD. Se juntarmos a isto o facto, entre outros, de não ter sido dada continuidade à colecção Do Tempo do Vinil (que previa, por exemplo, o lançamento em CD do primeiro álbum a solo de José Cid), vemos que esse trabalho de recuperação é gigantesco mas absolutamente necessário.


E as arcas já reveladas...
Publicado em 25 de Fevereiro de 2010


Um leitor deste jornal fez-me chegar, simpaticamente, via email, o reparo de que uma frase contida na minha última crónica - "o facto de dezenas de horas de recolhas feitas por Michel Giacometti (e mais algumas feitas por Ernesto Veiga de Oliveira) nunca terem sido disponibilizadas em disco, nem em vinil nem em CD" - poderia induzir em erro e ser entendida como a afirmação de que nada daquilo que Giacometti recolheu alguma vez esteve disponível em disco. Tem razão, mas não era essa, obviamente, a minha intenção: o que eu quis dizer era que, para além das muitas horas já editadas, há ainda muitas outras que nunca foram passadas a disco. Como a semana passada se falou aqui de "arcas perdidas" de gravações de música tradicional portuguesa, fala-se hoje de algumas (e apenas de algumas) daquelas que já foram abertas e estão disponíveis em suporte CD: "Música Regional Portuguesa", recolhas de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça (Strauss/PortugalSom), cinco CD; "Portugal Raízes Musicais", recolhas de José Alberto Sardinha (BMG/JN), seis CD; "Música Tradicional dos Açores" (Açor), quatro caixas de CD; "Musical Traditions of Portugal" (Smithsonian/Folkways), CD com 30 temas; "Música Tradicional - Terra de Miranda" (Saga, numa colecção que inclui também regiões espanholas); "Voix de Femmes de Portugal" (Ethnic); variadíssimos CD com recolhas de Mário Correia (Sons da Terra), etc. Conclusão: há muita música de raiz tradicional rural já revelada, mas há muito mais ainda por revelar.

Um outro mapa necessário
Publicado em 04 de Março de 2010


Não quero alongar-me muito sobre o estado do ensino da Música nas escolas oficiais, realidade que, sublinho, apenas conheço pela rama, mas da qual tenho a percepção, talvez errada talvez não, de que é extremamente pobre se comparada com a de muitos outros países, principalmente no que toca ao ensino das nossas músicas tradicionais - carência que é, em parte, colmatada pela existência de escolas privadas ou associações em que esse ensino existe, vivo e dinâmico. Estou convicto, no entanto, de que essa realidade poderá mudar, pelo menos um bocadinho, se todas as salas de aula em que se ensina Música ostentassem na parede, com orgulho e galhardia, o belíssimo Mapa Etno-Musical de Portugal. Espelho imediato da diversidade, da riqueza e da originalidade de géneros musicais, instrumentos tradicionais, formações vocais ou antigos saberes do povo português, o Mapa Etno-Musical é uma criação do músico Júlio Pereira, com a ajuda de João Luís Oliva, Sara Nobre e Henrique Cayatte, e nele estão, de forma simples e imediata, retratados variadíssimos instrumentos musicais portugueses, uns conhecidos e outros que poderão abrir imediatamente o apetite a miúdos e professores: mas que raio é um rajão ou uma viola campaniça, que música é essa do aboio ou do leva-leva? No site do Instituto Camões, onde o mapa também está alojado, podem ainda ouvir-se os sons respectivos. Apesar de não ser exaustivo, o mapa é bem capaz de aguçar a curiosidade por muita da nossa música.

31 março, 2011

Manou Gallo, Mercedes Peón, Luísa Maita... - Vozes de Mulher no FMM de Sines 2011


Sempre a somar (e no feminino):

"Cinco cantautoras de África, Europa e América confirmadas no FMM Sines

As novas confirmações do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011, que acontece em Sines em Julho, são no feminino: cinco cantautoras oriundas de África (Manou Gallo, Nomfusi e Nathalie Natiembé), Europa (Mercedes Peón) e América (Luísa Maita; na foto, de João Wainer).

A primeira a subir ao palco do Castelo de Sines, no dia 24 de Julho, é a brasileira LUÍSA MAITA, uma das mais fortes apostas recentes da Cumbancha, editora de referência na área das músicas do mundo. Nascida em São Paulo em 1982, filha de pai sírio e mãe judia, faz música assumidamente urbana tendo o samba e a bossa nova como principais fundações artísticas. O seu álbum de estreia, “Lero-Lero”, foi lançado em 2010 e figurou na lista dos melhores discos do ano de várias publicações, incluindo a revista Veja. A sua presença em Sines é uma estreia em palcos portugueses.

MERCEDES PEÓN, natural da Galiza, é um das artistas mais carismáticas do circuito da “world music”. As suas primeiras influências foram os cantos tradicionais das mulheres da Costa da Morte, com os quais aprendeu e os quais ensinou. Gravou o seu primeiro disco, "Isué", em 2000. Seguiram-se "Ajrú" (2004) e "Sihá" (2007), numa evolução para o registo electroacústico, que culmina em "Sós" (2010), o seu trabalho mais vanguardista, que nos últimos meses tem ocupado o 1.º lugar nos “charts” europeus de “world music”. Compositora, cantora, multi-instrumentista, enche sozinha o palco no Castelo, no dia 27 de Julho.

Também no dia 27 de Julho, actua MANOU GALLO. Natural da Costa do Marfim, apaixonou-se pela música pela via da percussão, tocando desde muito cedo os “tambores falantes”, tipo de percussão usado nos rituais do povo Djiboi. No início da idade adulta, começou a interessar-se pelo baixo, que em 1997 a levaria à Bélgica, para integrar o grupo Zap Mama. Desenvolve uma carreira a solo, como cantora, baixista e percussionista, desde 2001, tendo já gravado três discos: “Dida” (2002), “Manou Gallo” (2006) e “Lowlin” (2009). Na sua música, junta a tradição do seu país a influências de soul, funk e blues. É acompanhada em concerto pela Women Band, constituída por músicos belgas.

NOMFUSI, jovem estrela da música sul-africana, está no Castelo na noite de 28 de Julho. Nascida numa “township” (bairro pobre exclusivamente habitado por não brancos), Nomfusi começou a cantar na igreja, onde foi descoberta e ganhou uma bolsa de estudo para estudar canto e composição na Cidade do Cabo. “Kwazibani”, o nome do seu disco de estreia, lançando em 2009, lembra o nome de sua mãe, morta com sida quando Nomfusi tinha 12 anos. A sua identidade musical situa-se entre o jazz sul-africano, o R&B e o Motown clássico. É acompanhada pela banda The Lucky Charms, formada por músicos das “townships”. Estreia-se em Portugal no FMM.

NATHALIE NATIEMBÉ, natural de Reunião, ilha francesa no Oceano Índico, actua no Castelo na noite de 30 de Julho. Inscrita na tradição do “maloya”, um dos estilos principais da música da ilha, com raízes na cultura dos escravos, Nathalie cria canções com letras em francês e em crioulo, onde também se deixam entrever influências da “chanson” francesa, jazz, blues, reggae e várias músicas africanas. Chega a Sines com três discos gravados: “Margoz” (2001), “Sankèr” (2005), classificado com a nota máxima, Choc, do suplemento musical do Le Monde – e “Karma” (2009). A sua voz, usada a cappella ou acompanhada por um grupo instrumental reduzido, é o seu trunfo principal. É mais uma estreia em Portugal.

A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).

Além dos nomes divulgados nesta nota, estão também já confirmados, entre os 35 concertos previstos, os seguintes artistas: Congotronics vs. Rockers (RD Congo / EUA / Argentina / Suécia), Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble “Desert Slide” (Rajastão – Índia), Ebo Taylor & Afrobeat Academy (Gana), Mário Lúcio (Cabo Verde), Mamer (China), António Zambujo (Portugal), Blitz the Ambassador (Gana / EUA), Ayarkhaan (República da Iacútia – Rússia) e Shunsuke Kimura x Etsuro Ono (Japão).

Mais informações sobre o festival em www.fmm.com.pt e www.facebook.com/fmmsines."

30 março, 2011

Fanfare Ciocarlia vs Boban & Marko Markovic Orchestra - É Para o Chavascal!


Os metaleiros Manowar arriscam-se a perder o Record do Mundo do Guinness pelo seu duvidoso prémio de grupo musical com maior nível decibélico para... a Balkan Brass Battle que vai arrasar Portugal com o seu chavascal (uma bela rima!). Veja-se só o que diz o Crónicas da Terra, para se perceber:

"Balkan Brass Battle no Porto, em Lisboa e no Med de Loulé


A orquestra romena e cigana de metais Fanfare Ciocarlia regressa ao nosso país, nos próximos meses de Maio e Junho. A acompanhá-la estará a também orquestra de metais dos sérvios Boban & Marko Markovic.

Durante duas horas em palco, tanto a Fanfare Ciocarlia como a orquestra sérvia de pai e filho – Boban e Marko Markovic - competem entre si para que o público determine quem é o vencedor da categoria de pesos-pesados de metais balcânicos.

Esta Balkan Brass Battle terá lugar no Porto (Casa da Música, 17 de Maio), em Lisboa (24 de Junho, local a confirmar) e no Festival Med de Loulé (25 de Junho).

A 20 de Maio, a editora alemã especialista em música cigana dos balcãs – Asphalt Tango – edita o primeiro disco desta saudável batalha 'Balkan Brass Battle – Fanfare Ciocarlia vs Boban & Marko Markovic Orchestra'."

29 março, 2011

Um Bombo de Luto É Um Bombo em Luta


Todos os que ficaram consternados com a notícia de que a sede do Tocá Rufar -- um dos mais extraordinários projectos de divulgação e ensino da arte das percussões (portuguesas mas não só), dirigido por Rui Júnior -- tinha ardido, perdendo-se assim milhares de instrumentos musicais, livros e documentação, podem agora ajudar e divulgar esta nota:

"A 1 de Março de 2011, pelas 15h, ardeu o TamborQfala, sede do projecto Tocá Rufar. Em poucos minutos, os registos e espólio de 14 anos de história ficaram feitos em cinzas. A perda é incalculável e deixa a vossa maior orquestra de percussão tradicional portuguesa sem os recursos necessários para dar continuidade ao trabalho educativo, artístico e cultural que a sustentam.

Os que sentirem no coração esta perda, que é de Portugal inteiro, enviem os sinceros donativos para a conta da ADAT - Associação dos Amigos do Tocá Rufar:

NIB 0036 0050 99100254775 90

IBAN PT50 0036 0050 9910 0254 7759 0

Ou pela linha de apoio 760 50 10 90 (0,60 € + IVA por chamada)

Não desistimos, vamos seguir em frente com as nossas actividades, ensaios, espectáculos, da forma que conseguirmos.

O melhor modo de nos ajudarem é também divulgar o sucedido pelo maior número de pessoas possível e gritar bem alto que vamos continuar e lutar para renascer e fazermos sempre cada vez melhor."

28 março, 2011

Kretcheu - Agora com Casa Própria


Uma bela notícia: depois de várias festas e concertos em diferentes locais de Lisboa, a Kretcheu -- agora Associação Cultural Kretcheu --encontrou finalmente um poiso certo. E ainda por cima na Bica, ondde ali perto se pode beber o melhor grogue de Lisboa! Há festa. claro. Aqui seguem o excelente cartaz e o comunicado:

"E porque já andávamos à procura de um espaço só nosso, finalmente encontrámos a nossa "casa" perfeita! Dia 31, Quinta-Feira, contamos com a presença dos nossos amigos para a inauguração e festejarmos juntos já sermos uma Associação Cultural - A ACK. A partir das 22h00, uma grande noite com grandes convidados e a nossa banda residente, Calú Moreira, Nandocas, Vaiss, Toy Vieira e Kau Paris e os convidados Aires Silva, Ana Firmino, Dany Silva, Mário Rui e Sandra Horta, num noite muito especial. A Guest List abriu, agora é só enviar mail com os vossos nomes!
ENTRADA LIVRE
ACK- Rua das Chagas, 33 (Perto do Largo Camões)"

24 março, 2011

Toques do Caramulo - Agora os... "Retoques"


O segundo álbum dos Toques do Caramulo é editado dentro de poucos dias. E aqui segue o press-release de apresentação do disco, cuja parte "Colha, Recolha. Toque, Retoque. Cante, Recante" tive o prazer de escrever. Agora é ouvi-los, em disco ou ao vivo!


Toques do Caramulo
Novo disco "RETOQUES" no início de Abril

Arejamos modinhas com o mesmo espírito criativo de quem, um dia, as inventou. O mesmo desprendimento, a mesma alegria. Só o tempo é outro: no calendário e no compasso. Pela encosta serrana de Águeda acima, a tradição está livre e existe hoje. Por isso, este disco dos Toques não é mais que Retoques.

Single de promoção "É um Ar que Lhe Dá"
http://www.dorfeu.pt/toquesdocaramulo


Colha, Recolha. Toque, Retoque. Cante, Recante.

Quando se fala de canções tradicionais costuma falar-se, muito justamente, de raízes. Mas também se pode dizer que cada canção antiga é um fruto que se pode colher directamente da árvore. Uma laranja pode comer-se assim, é só descascar e pronto. As amoras também – nem casca que se veja têm – mas, se forem a ferver e se juntar açúcar, tornam-se compota. O limão pode dar em chá e a menta também (mas esta também pode dar em pastilha elástica ou em sabor de cigarro). A maçã dá sidra, o medronho a aguardente. E as uvas, essas, podem dar mil vinhos diferentes.

Agora, imagine-se uma videira que cresceu nas encostas da Serra do Caramulo. As suas uvas podem ser de casta Castelão ou Touriga, Alfrocheiro ou Bical, Baga ou Arinto, Fernão Pires ou Tinto Cão, mas sabe-se que, dali, das castas da Bairrada estes genes ficam ainda melhores – e dão novos e excitantes sabores – se misturados com genes estranhos ou estrangeiros: Cabernet Sauvignon ou Pinot-Noir, Chardonnay ou Merlot. Ficam, assim, vinhos tradicionais embora estrangeirados, lá da terra mas com um sabor novo e diferente, a fazer justiça às velhas vinhas mas com o viço próprio de inventivos e revolucionários enxertos.

A música dos Toques do Caramulo também é assim. Em “Retoques”, o seu primeiro álbum de estúdio – que sucede a “Toques do Caramulo... é ao Vivo!” (2007) –, o grupo de Águeda vai de novo buscar as antigas canções que vieram da Serra e por eles foram apre(e)ndidos há muito – no Cancioneiro, na Orquestra Típica, junto de pais e avós – mas com tudo o que também aprenderam de outras músicas a meter-se pela tradição dentro. Não por acaso, o álbum começa com uma homenagem a Américo Fernandes (que foi maestro da Orquestra Típica de Águeda) e termina com uma remistura da “Trigueirinha” onde surge, por entre as electrónicas, a voz de David Fernandes, numa ligação, digamos umbilical, às raízes desta música. Mas também lá estão os perfumes da música africana, do jazz, do flamenco e da folk galega, do klezmer e dos Balcãs, para além da sombra assumida e tutelar de grandes cantautores nacionais como Fausto ou José Afonso, a mostrar que muitas músicas, tal como as boas castas de uvas, podem misturar-se livremente e contribuir para uma música nova. E tal como Luís Fernandes – o responsável da maior parte dos arranjos – e os seus companheiros as imaginam e nos dão, assim, a saborear.

No novo álbum, gravado no estúdio que pertence à d'Orfeu – o gravad'Or –, os Toques do Caramulo tiveram algumas preciosas ajudas: o Coro Infantil da Emtrad' participa em “Olha Para a Água”; Sara Vidal, a magnífica cantora portuguesa do grupo galego Luar na Lubre, dá voz e pandeireta galega a “O Brio das Raparigas”, “Pedrinhas da Fonte” e “Trigueirinha”; João André Lourenço toca cajón em “O Brio das Raparigas”; Abílio Liberal (tuba) em “Laranjinha”; e o arquivo d'O Cancioneiro de Águeda forneceu os samples que se ouvem em “Já Vou Chegando à Serra”, “Pedrinhas da Fonte” e “Trigueirinha Remix”. E, finalmente mas não em último lugar, Rui Oliveira foi o incansável escanção que – com tempo, sabedoria e um amor enorme – reuniu todos os sabores deste vinho novo.

“Retoques” – com selo d'Eurídice, o braço editorial da d'Orfeu – chega às lojas no início de Abril.
António Pires

Digressão 2011

09 Abril ACERT, Tondela
10 Abril FNAC Viseu
14 Abril Contagiarte, Porto
15 Abril FNAC Santa Catarina, Porto
15 Abril FNAC GaiaShopping, Vila Nova de Gaia
16 Abril FNAC Braga
16 Abril FNAC Guimarães
17 Abril FNAC MarShopping, Matosinhos
22 Abril FNAC Coimbra
22 Abril FNAC Leiria
23 Abril FNAC Alfragide
23 Abril FNAC Cascais
24 Abril FNAC Vasco da Gama, Lisboa
24 Abril FNAC Colombo, Lisboa
25 Abril Fórum Romeu Correia - Auditório Fernando Lopes Graça, Almada
09 Julho Festival Maia Folk, Santa Maria - Açores
23 Julho AgitÁgueda, Águeda


Os Toques do Caramulo são:

Luís Fernandes voz, braguesa, acordeão, piano
Aníbal Almeida rabeca
Lara Figueiredo fauta, voz
Francisco Almeida guitarra acústica
Carlos Peninha guitarra eléctrica
Miguel Cardoso contrabaixo
Ricardo Coutinho bateria trad

22 março, 2011

Desert Slide, Mamer, Ayarkhaan e Shunsuke Kimura x Etsuro Ono no FMM Sines 2011


Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble “Desert Slide” (Rajastão - Índia), Mamer (China), Ayarkhaan (República da Yakutia – Rússia; na foto) e Shunsuke Kimura x Etsuro Ono (Japão) são as quatro novas confirmações do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011.

VISHWA MOHAN BHATT & THE DIVANA ENSEMBLE - “DESERT SLIDE” (Rajastão – Índia)

No dia 28 de Julho, o Castelo acolhe o projecto “Desert Slide”, que junta Vishwa Mohan Bhatt, um dos maiores mestres da slide guitar, e o grupo cigano Divana Ensemble.

Primeiro aluno de Ravi Shankar, Vishwa Mohan Bhatt é um dos músicos indianos mais reconhecidos no mundo. Compositor e improvisador de excelência, criou o seu próprio instrumento, a “Mohan Veena”, um cruzamento de vários instrumentos de cordas indianos com a slide guitar norte-americana.

Venceu o Grammy para Melhor Disco de World Music em 1994, com o CD “A Meeting by the River”, em parceria com Ry Cooder.

Encontra-se nomeado para o prémio de melhor colaboração intercultural nos prémios Songlines 2011 pelo seu disco "Sleepless Nights on World Village", com Matt Malley.

Originário, como Vishwa, do Rajastão, o maior e mais desértico estado da Índia, o quinteto cigano The Divana Ensemble inscreve-se na tradição das antigas castas de músicos dos rajás. É composto por Anwar Khan Manganiar (voz), Prithviraj Suresh Mishra (tablas), Gazi Khan Barna (kartâl - percussão), Feiruz Khan Manghaniyar (dholak - percussão) e Ghewar Khan Manghaniyar (kamanchiya – instrumento de arco).

MAMER (China)

Mamer é um dos artistas mais originais e influentes da nova música da China, um trovador na tradição folk.

Nascido e criado na província de Xinjiang, busca inspiração na cultura dos pastores nómadas de etnia cazaque que vivem naquela região do noroeste da China.

O seu álbum de estreia, “Eagle”, editado em 2009 pela Real World, combina elementos tradicionais, folk e rock.

As canções do seu repertório, provenientes no folclore local e originais de Mamer, são cantadas com uma voz grave inconfundível e acompanhadas de forma virtuosa na guitarra, no “dombra” (alaúde dos povos cazaques da Ásia Central) e noutros instrumentos tradicionais.

Mamer, que esteve programado para o FMM 2009, mas não chegou a actuar devido a problemas de vistos, sobe ao palco do Castelo na noite de 23 de Julho.

AYARKHAAN (República da Iacútia – Rússia)

O trio feminino Ayarkhaan recupera a tradição musical da Iacútia (ou Sakha), república asiática da Federação Russa.

Formado em 2002, é composto por Albina Degtyareva, Yuliana Krivoshapkina e Olga Podluzhnaya, cantoras e intérpretes de “khomus”, um tipo de berimbau metálico tocado com a boca, instrumento nacional usado pelos xamãs nos seus rituais.

Utilizam o estilo de canto gutural "d'ieretii", semelhante ao utilizado por coros búlgaros e russos.

Proveniente de uma das mais desoladas e espectaculares paisagens do mundo, entre a estepe e o Árctico, a música de Ayarkhaan inspira-se nos poderes da natureza, figurando, nalguns momentos, o som do vento, dos cavalos, dos pássaros e outros sons naturais.

O concerto de Ayarkhaan no Castelo de Sines realiza-se na noite de 29 de Julho.

SHUNSUKE KIMURA x ETSURO ONO (Japão)

O projecto Shunsuke Kimura x Etsuro Ono explora as qualidades do “Tsugaru Shamisen”, um estilo virtuoso, com forte componente percutiva, de tocar o shamisen, instrumento de três cordas omnipresente na cultura do Japão.

Formado em 2008, o duo é constituído por Shunsuke Kimura (que além de Tsugaru Shamisen, toca flauta “fue” e percussões) e Etsuro Ono (Tsugaru Shamisen e percussão).

Shunsuke Kimura nasceu em 1969 e é um dos mais aclamados compositores e intérpretes de instrumentos tradicionais japoneses. Etsuro Ono, nascido em 1972, estudou “Tsugaru Shamisen” na prefeitura de Aomori, no norte da ilha de Honshu, o coração deste género musical, e tem desenvolvido um trabalho consistente com diversas companhias de teatro.

Premiados pela qualidade da sua inovação na música tradicional, Kimura e Ono levam o Tsugaru Shamisen a extremos de dinamismo e improvisação, em concertos em que a energia libertada transcende em muito os recursos aparentes do instrumento acústico.

Actuam no Castelo de Sines na noite de 28 de Julho.

VÍDEOS DOS GRUPOS

Desert Slide: http://www.youtube.com/watch?v=xIb1M1sp4tI
Mamer: http://www.youtube.com/watch?v=dloDUzRe1Yc
Ayarkhaan: http://www.youtube.com/watch?v=gNoYD0X_b0Q
Kimura x Ono: http://www.youtube.com/watch?v=XKbfjk_dz_4

TAMBÉM JÁ OFICIALMENTE CONFIRMADOS

Congotronics vs. Rockers (RD Congo / EUA / Argentina / Suécia)
Ebo Taylor & Afrobeat Academy (Gana)
Blitz the Ambassador (Gana)
António Zambujo (Portugal)

O FMM

A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).

Mais informações sobre o festival em www.fmm.com.pt e www.facebook.com/fmmsines.

16 março, 2011

Jazz, World e Outras Músicas nos Dias da Música do CCB


É sabido que, desde há séculos, a música clássica ou erudita ou dita séria, sempre namorou descaradamente com as músicas tradicionais e populares. E, espelho dessa tendência - particularmente de como a "nobre" música europeia encontrou a "pobre" música africana e outras músicas, via George Gershwin ou Aaron Copland, nos Estados Unidos dos anos 30 do Séc. XX - os Dias da Música, no CCB, Lisboa, abrem desta vez as portas ao ragtime, ao jazz, aos blues - e este via um "bife branquelas", Martin Simpson, uma das actuais luminárias da folk britânica e colaborador assíduo de June Tabor ou Martin Carthy - ou a músicas mais distantes como as de uma orquestra indonésia de gamelão, o que Claude Debussy certamente agradeceria. Também por lá, em meados de Abril: a Duke Ellington Orchestra, Dixie Gang, Pedro Jóia e Mário Laginha com Bernardo Sassetti.

SÁBADO, 16 DE ABRIL

CONCERTO B6
GRANDE AUDITÓRIO – 24H00
Programa detalhado a anunciar brevemente
The Duke Ellington Orchestra


CONCERTO B9
PEQUENO AUDITÓRIO – 16H00
Ellington, Basie & Lunceford

Duke Ellington:
Daybreak Express (1934)
East St. Louis Toodle-Oo (1927)
The Mooch (arr. Will Hudson) (1928)
Concerto for Cootie (1940)
Ko-Ko (1943)
Jack the Bear (1940)

Count Basie:
9:20 Special (comp. E. Warren, B. Engvick / arr. Buster Harding) (1941)
Jumpin' the Woodside (arr. Fletcher Henderson) (1938)
Corner Pocket (arr. Freddy Green) (1955)
Tickle Toe (comp./arr Lester Young) (1940)
Swinging the Blues (arr. Eddie Durham) (1939)

Jimmie Lunceford:
Stratosphere (arr. Willie Smith, Edwin Wilcox) (1934)
For Dancers Only (comp. Sy Oliver, D. Raye, V. Schoen / arr. Sy Oliver) (1937)
Uptown Blues (comp. R. Eldridge, C. Battle / arr. Jimmie Lunceford) (1939)

[c. 45’ – cada tema c. 3’]
Orquestra Jazz de Matosinhos
Pedro Guedes, direção


CONCERTO B13
14H00 – SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO
Ragtime

Temas de Scott Joplin e R. R. Robinson
Reginald R. Robinson, piano


CONCERTO B15
18H00 – SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO

Jazz de Nova Orleães

Original Dixieland One Step (J. Jordan, D. J. LaRocca, G. Crandall, J. R. Robinson) (1917)
Tiger Rag (Da Costa, LaRocca, Edwards, Sbarbaro, Shields) (1917)
After You've Gone (T. Layton, H. Creamer) (1918)
Fidgety Feet (Nick LaRocca, Larry Shields) (1918)
Royal Garden Blues (Clarence Williams, Spencer Williams) (1919)
The Sheik of Araby (Harry B. Smith, Ted Snyder, F. Wheeler) (1921)
Jazz Me Blues (Tom DeLaney) (1921)
Dippermouth Blues (Joseph "King" Oliver) (1923)
Tin Roof Blues (Melrose, Rappolo, Mares, Brunies) (1923)
Five Foot Two (Ray Henderson, Sam M. Lewis, Joe Young) (1925)
Muskrat Ramble (Edward "Kid" Ory, Ray Gilbert) (1926)
I'm Confessin' That I Love You (Al J. Neiburg, Dan Dougherty, Eula W. Reynolds) (1930)
Someday You'll Be Sorry (Louis Armstrong)( (1947)
Bourbon Street Parade (Paul Barbarin) (1949)
[c. 45’ cada tema tem c. 3’]

Dixie Gang
João Viana, cornetim
Matt Lester, saxofone e clarinete
Claus Nymark, trombone
Silas Oliveira, banjo
David Rodrigues, piano
Jacinto Santos, tuba
Rui Alves, bateria


CONCERTO B22
22H00 – SALA ALMADA NEGREIROS
Temas de Duke Ellington, George Gershwin e Johnny Green
Mário Laginha, piano
Bernardo Sassetti, piano


CONCERTO B23
14H00 – SALA SOPHIA DE MELLO BREYNER
Música dos portos nos anos 20 e 30

Variações sobre o Fado menor (Pedro Jóia)
Meditando (Armandinho)
Adiós muchachos (Carlos Gardel)
Fado em mi menor (Armandinho)
Por una cabeza (Carlos Gardel)
Fado Conde de Anadia (Armandinho)
Mano a mano (Carlos Gardel)
Maldito fado (Armandinho)
El dia que me quieras (Carlos Gardel)
Valsa sul-americana (Popular Peruano)

Pedro Jóia, guitarra solo


CONCERTO B31
20H00 – SALA FERNANDO PESSOA
Blues
Martin Simpson, voz e guitarra solo



DOMINGO, 17 DE ABRIL

CONCERTO C7
13H00 – PEQUENO AUDITÓRIO
Gamelão
Música tradicional de Java
Es Lilin, Pelog Bem
Jagung, Ladrang, Slendro
Pathetan, Pelog Barang, Manyura
Liwung, Ladrang, Slendro
Sukubobro, Lancaren, Slendro
Jaranan, Pelog Bem
Semengat, Lancaren, Pelog Barang

Yogistragong
Elizabeth Davis, direção


CONCERTO C16
15H00 – SALA ALMADA NEGREIROS
Ragtime
Temas de Scott Joplin e R. R. Robinson
Reginald R. Robinson, piano


CONCERTO C18
19H00 – SALA ALMADA NEGREIROS
Temas de Duke Ellington, George Gershwin e Johnny Green
Mário Laginha, piano
Bernardo Sassetti, piano


CONCERTO C25
17H00 – SALA FERNANDO PESSOA
Blues
Martin Simpson, voz e guitarra solo

06 março, 2011

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXIII


Afinal o que é a música portuguesa?
Publicado em 28 de Janeiro de 2010

Um comentário de um leitor deste jornal, na sua versão online, ao meu último texto fez-me pensar na seguinte questão (e nalgumas outras, paralelas): afinal o que é a música portuguesa? O comentário, justíssimo!, referia-se à ausência dos Buraka Som Sistema (na foto) na lista das mais relevantes exportações da música portuguesa. Nesta coluna, há alguns meses, eu próprio apontava a saudável ironia que é o facto de os artistas musicais residentes em Portugal mais conhecidos, actualmente, no estrangeiro serem Mariza (que nasceu em Moçambique) e os Buraka Som Sistema (em que apenas um elemento é português e com a própria música do grupo a ser um misto de música angolana, jamaicana e norte-americana). E é aqui que está parte da questão. O que é a música portuguesa? É apenas a música feita por portugueses, cantada em português, com raízes portuguesas (urbanas como o fado ou rurais como os corridinhos ou o cante alentejano)? Deveremos fazer a distinção entre "música portuguesa", "música feita por portugueses" (seja de que género for, desde que os músicos sejam nacionais) e "música feita em Portugal" (feita por portugueses e também por estrangeiros residentes em Portugal)? E onde encaixar aqui os inúmeros estrangeiros, residentes nos respectivos países, que cantam ou tocam fado? Isto é: fazem mais "música portuguesa" a fadista catalã Névoa, os Blind Zero ou o Ricardo Rocha, que toca instrumentais em guitarra portuguesa mas que a leva para outros universos musicais?



Outros caminhos do fado
Publicado em 04 de Fevereiro de 2010

Há variadíssimas colecções de discos de fado. Só para citar algumas, há a do jornal "Público" (que conta a história do fado, com notas importantes de Rui Vieira Nery); há uma mais recente da CNM (Companhia Nacional de Música); "The Best of Fado - Um Tesouro Português", da EMI; as lindíssimas caixas "Divas do Fado" e "Fado sempre! Ontem, hoje e amanhã", ambas da Difference; etc. E haverá, no futuro, a mais aguardada de todas: a edição em CD dos velhos discos de fado (e não só) em 78 rpm, coleccionados por Bruce Bastin, e que será editada, ao que presumo, pela Tradisom. Esta de que falo hoje, "Alma Lusitana", é uma edição conjunta FNAC/iPlay: seis CD que fazem uma viagem global e bastante aliciante por várias décadas de fado, tanto pelos seus cantores como pelos intérpretes de guitarra portuguesa - estão aqui os inevitáveis Carlos Paredes e Armandinho, Alfredo Marceneiro, Tristão da Silva e Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Beatriz da Conceição e Hermínia Silva... E que também surpreende pela quantidade de nomes novos e desviantes que inclui. Um dos CDs - e logo o primeiro da série! - intitula-se, exactamente, "Outros Caminhos", e nele aparecem nomes como A Naifa, Donna Maria ou os Atlantihda (na foto), mas também os Cool Hipnoise, Sam The Kid, Ana Deus (Três Tristes Tigres) ou M-Pex. Noutros CDs estão Pedro Jóia e Catarina Moura (Brigada Victor Jara), com a sua participação em "Fados", de Carlos Saura. Todos a mostrar que há muito fado para além das fronteiras do fado.



Tradição é a transmissão do fogo...
Publicado em 11 de Fevereiro de 2010

Há uma fase de Gustav Mahler que está a fazer uma saudável escola entre a comunidade "trad" portuguesa: "A tradição é a transmissão do fogo, não a veneração das cinzas." E isso reflecte-se na música de muitos dos novos grupos e artistas portugueses. De muitos deles já falei aqui - ainda a semana passada foram referidos nesta coluna vários desvios ao fado -, havendo hoje espaço para mais cinco. Nos seus discos de estreia, o álbum "Dentro da Matriz" e o EP "Electrónica cá da Terra", respectivamente, os Omiri (projecto a solo de Vasco Ribeiro Casais, dos Dazkarieh) e os Charanga mergulham de cabeça na tradição e transformam-na em música absolutamente moderna e actual. Os Omiri vão a várias danças tradicionais europeias e injectam-lhes distorção e heavy-metal, mas também... drum'n'bass. Ao drum'n'bass e a outras tipologias electrónicas vão também os Charanga, estes mais empenhados em recriar temas profundamente portugueses. No seu novo álbum, "Senhor Galandum", os veteranos Galandum Galundaina (na foto) não prescindem da música tradicional transmontana, cantada em mirandês e tocada com instrumentos acústicos, mas também surpreendem quando dão a Hugo Correia (Fadomorse) a remistura electrónica de "Nabos (cun alheiras i bino)". A cantora Claud recria e bem, no seu novo álbum "Pensamento", temas de Sérgio Godinho, Jorge Palma e Trovante. E os OliveTreeDance dão três voltas ao malhão - em "Viva o Malhão", do EP "Urbano Roots" - com didgeridoo e percussões trance!

04 março, 2011

Congotronics vs. Rockers no Festival Músicas do Mundo de Sines


Grande notícia, esta, que é fresquinha e boa mesmo!!! Segue o comunicado de imprensa do FMM de Sines e uma crítica ao álbum que deu origem a este projecto ao vivo, publicada originalmente na "Time Out" há algumas semanas.

"10 músicos congoleses vs. 10 músicos da cena alternativa: Konono n.º 1 (na foto), Kasaï Allstars, Deerhoof, Juana Molina, Wildbirds & Peacedrums e Skeletons juntos em palco numa estreia absoluta em Portugal.

O projecto Congotronics vs. Rockers, que reúne no mesmo palco músicos ocidentais da cena alternativa e músicos congoleses da série “Congotronics”, é a primeira confirmação oficial do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011.

O espectáculo realiza-se no Castelo de Sines, na noite de 23 de Julho, e é uma estreia em território português.

A música baseada em instrumentos tradicionais electrificados artesanalmente de bandas como Konono n.º 1 e Kasaï Allstars (conhecidas colectivamente pela série de discos “Congotronics”) tem sido recebida de forma entusiástica pelo público, imprensa e artistas do rock alternativo.

Lançado no final de 2010, o disco duplo “Tradi-Mods vs Rockers: Alternative Takes on Congotronics”, é um tributo prestado por 26 artistas de rock e música electrónica às bandas da República Democrática do Congo.

Ao longo da Primavera e Verão de 2011, num conjunto seleccionado de palcos, entre os quais Sines, o público poderá ver uma versão ao vivo do projecto, através de um grupo composto por 10 músicos congoleses e 10 músicos de rock indie, que se juntam na criação de repertório novo onde os seus universos estéticos se cruzam.

Os 10 músicos da “equipa” Congotronics são provenientes dos grupos Konono n.º 1, conhecido pelas distorções progressivas dos seus “likembes” electrificados, e Kasaï Allstars, que se notabilizou pela reinvenção dos ritmos hipnóticos da música cerimonial congolesa.

Os 10 músicos ocidentais, os “Rockers” do conjunto, são Deerhoof, uma das bandas de referência da cena indie dos EUA, Juana Molina, cantautora argentina, Wildbirds & Peacedrums, duo pop experimental sueco, e Skeletons, outro grupo alternativo norte-americano, representado pelo seu líder, Matt Mehlan.


A edição de 2011 do FMM Sines - Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).

Mais informações sobre o festival em www.fmm.com.pt e www.facebook.com/fmmsines"


Vários
"Tradi-Mods vs Rockers"
Crammed Discs/Megamúsica

Que as muitas músicas da world music estavam cada vez mais abertas ao rock e vice-versa (Vampire Weekend, Beirut, etc, etc, etc...) já se sabia. Mas nunca como neste "Tradi-Mods vs Rockers – Alternative Takes on Congotronics" se sentiu uma ligação tão profunda entre todos estes “mundos”. Sim, nos últimos anos – e apenas para referir alguns exemplos – apareceu a série “Rhythms del Mundo”, em que grandes nomes do rock se cruzam (mal, muitas vezes) com o “Buena Vista Social Club”, ou um razoável tributo de músicos africanos aos U2. Mas qui – e para poupar palavras – há 26 nomes da música ocidental – dos Deerhof e Andrew Bird aos Animal Collective e Juana Molina -- a fazer maravilhas com o legado dos Kasai Allstars ou Konono Nº1. Uma maravilha! (*****)

22 fevereiro, 2011

É Senegal... Ninguém Leva a Maal!


O trocadilho é desculpável... Porque vem aí o Carnaval, mas ainda muito mais importante do que isso é a música do... Senegal!!! Aqui, para si e mais uma vez em textos recuperados do arquivo da "Time Out", apresentamos os álbuns mais recentes dos senhores Carlou D, Baaba Maal (na foto), Nuru Kane e Cheikh Lô.


Cheikh Lô
"Jamm"
World Circuit/Megamúsica

O senegalês Cheikh Lô é, possivelmente, um dos cantores e músicos africanos que mais géneros usa, sem limites nem fronteiras, no seu incansável trabalho de congregador de diferentes sonoridades: mbalax do Senegal, highlife do Gana, rumba congolesa, reggae, blues, jazz, funk, flamenco e muitos outros géneros convivem harmoniosamente na sua música, uma música que nunca esquece no entanto de onde vem e quais são os seus pilares. Por exemplo, no seu novo álbum, "Jamm", Cheikh Lô faz uma versão maravilhosa de “Il N'Est Jamais Trop Tard” uma das poucas canções que não é cantada em wolof, ao lado de um tema também em francês e outro parcialmente interpretado em espanhol), um clássico com quase 50 anos dos Bembeya Jazz National. E o resto das canções, por ele compostas, trazem também esse ou outros lastros brilhantes. (*****)



Baaba Maal
"Television"
Palm Pictures

Príncipe da música senegalesa (o rei é Youssou N'Dour!) e do mbalax na sua forma mais moderna, vanguardista e excitante – porque também há um mbalax apimbalhado e esse até é melhor... não conhecer -, Baaba Maal está de regresso com mais um excelente álbum. Com o apoio do produtor Barry Reinolds e dois dos Brazilian Girls – o teclista Didi Gutman e a vocalista Sabina Sciubba -, que dão parte da base instrumental, para além de Sabina ajudar bastante nos coros e voz dialogante, "Television" está muito longe de ser um álbum de música tradicional africana. Nele está lá a voz de Maal (a cantar em pulaar) e as percussões tradicionais mas também flamenco, trip-hop, música irlandesa, guitarras indie-rock ou tecno, tudo irmanado numa grande festa global, tal como celebrada na canção “International”. (****)


Carlou D
"Muzikr"
World Village/Harmonia Mundi

Saído de um dos mais conhecidos e respeitados grupos de hip-hop africanos, os Positive Black Soul, o senegalês Carlou D assina agora um extraordinário álbum a solo em que o hip-hop surge, musicalmente, apenas a espaços – embora a sua influência seja decisiva, isso sim, nas letras (muitas delas de características interventivas e assombradas pela fé Baye Fall, já que Carlou é um dos seguidores do Cheikh Ibra Fall). De resto, este é um disco em que Carlou D canta e mergulha de cabeça na tradição da música mandinga (há aqui uma kora e uns balafons quase sempre), nos blues, em aproximações à música árabe ou ao reggae, no jazz e na soul. "Muzikr" é um álbum absolutamente surpreendente e imediatamente candidato a um dos melhores do ano. (*****)


Nuru Kane
"Number One Bus"
Iris Music/Harmonia Mundi

Segundo álbum do senegalês Nuru Kane, "Number One Bus" é a continuação natural de "Sigil",mas agora com um grau de verdade e sofisticação – embora uma sofisticação que passa mais pela simplicidade de processos do que por um “abarrocamento” das harmonias – muito superior ao do primeiro. De resto, está tudo lá: a luta política, a fé Baye Fall, o mbalax, a sua paixão pela música gnawa desenvolvida na Argélia (Kane, para além de guitarra e baixo, também toca guimbri e no seu grupo BFG há vários músicos do norte de África), os blues, a pop e o rock, o reggae... E, apesar de "Number One Bus" ser um álbum variado e em que cada tema tem o seu lugar, sente-se que todas estas influências estão agora incrivelmente bem digeridas. (*****)

20 fevereiro, 2011

E a Música... Celta?

Sim, eu sei... Ah, e tal, só há por aqui música africana e sul-americana e indiana e etcetera... Então e os "celtas", mesmo que misturados com outras músicas?? Ora aqui estão eles, os celtas, em textos publicados originalmente na "Time Out":


The Chieftains & Ry Cooder
"San Patricio"
Universal Music
Ao longo da sua enorme e frutuosíssima carreira, os irlandeses The Chieftains já cruzaram a sua música – e, por arrasto, a música irlandesa – com muitas outras músicas (do rock dos Rolling Stones e outros a uma orquestra chinesa ou a irmãos “celtas” da Bretanha, Escócia ou Galiza). E, no seu novo e magnífico "San Patricio", ao lado de Ry Cooder e de muitíssimos músicos e cantores mexicanos (das inevitáveis Lila Downs e Chavela Vargas a bandas de mariachis e rancheras ou uma fanfarra de gaitas-de-foles), os Chieftains contam em música - também ela bela e trágica – a trágica e bela história dos San Patricios, batalhão de soldados irlandeses que lutou, na primeira metade do Séc. XIX, ao lado dos mexicanos contra o exército ianque. É um álbum conceptual que vai muito além do seu “conceito”. E, por isso, belíssimo! (*****)


Vários
"The Rough Guide to Scottish Folk"
Rough Guides/World Music Network/Megamúsica




Quando se ouve falar de folk escocesa, a óbvia imagem recorrente é a de um gaiteiro de kilt e com o nariz avermelhada pelo velho e bom scotch... Nesta colectânea – mais uma da série “Rough Guides” dedicada à Escócia – também há gaitas (por exemplo, logo ao segundo tema, de Wendy Stewart e Gary West), mas há também muitas outras músicas desenvolvidas a partir da (outra) tradição escocesa: das maravilhosas cantoras Karine Polwart, Lori Watson, Heather Heywood e Julie Fowlis... a instituições como a Battlefield Band e Ossian ou o lendário Jim Reid (não confundir com o homónimo dos Jesus & Mary Chain), numa interpretação fabulosa de “The Wild Geese/Norland Wind”. Esta colectânea inclui ainda um CD-bónus da cantora Maggie MacInnes. (****)



Bob Brozman, John McSherry & Dónal O'Connor
"Six Days In Down"
Riverboat/World Music Network/Megamúsica

Dono de uma invejável colecção de cordofones de todo o mundo e de um ainda mais invejável currículo de gravações e colaborações com gente de todo o lado – do indiano Debashish Bhattacharya ao griot Djeli Moussa Diawara, passando por músicos do Japão, Papua Nova Guiné ou Ilha Reunião – o guitarrista norte-americano Bob Brozman assina agora um belíssimo álbum ao lado de dois grandes músicos irlandeses – John McSherry na uillean pipe (a gaita-de-foles irlandesa) e o violinista Dónal O'Connor--, a quem se junta pontualmente a cantora Stephanie Makem. E o resultado surpreende: a guitarra slide de Brozman une-se aos outros instrumentos numa fabulosa celebração da folk dita “celta” em cruzamento com a country ou o bluegrass mas também com ligações... à música árabe a à música mandinga! (*****)


The Imagined Village
"Empire & Love"
EEC Records

Num formato adaptado às exigências de sucessivos concertos – Paul Weller, Billy Bragg ou o mestre do dub Benjamin Zephaniah já não estão presentes –, o projecto The Imagined Village chega a este segundo álbum, "Empire & Love", desfalcado de alguma da liberdade estilística que teve na estreia, ainda sob o guarda-chuva da Real World, mas mantendo intactas várias das suas figuras de proa. Simon Emmerson (dos Afro Celt Sound System) continua a capitanear o barco, ao lado de Martin Carthy e da sua filha Eliza Carthy, Simon Richmond e Chris Wood e o contraponto dado por vários músicos indo-paquistaneses. E a fórmula – tablas vs. violino, tradicionais britânicos vs. ragas apimentadas e açafronadas em electrónica – continua a resultar. O império encontra o mistério. (****)

11 fevereiro, 2011

15º OuTonalidades: Inscrições Abertas!


É só isto (mas é serviço público :)

"ABERTO O PERÍODO DE INSCRIÇÃO DE GRUPOS
até 28 de Fevereiro!

Está oficialmente aberto o período de inscrições para os grupos que pretendam integrar a bolsa de espectáculos da 15º edição do OuTonalidades, circuito de música ao vivo a decorrer em Portugal e na Galiza, no próximo Outono.

INSCREVE-TE ONLINE:
http://www.dorfeu.pt/OuTonalidades

Para os grupos que nunca o fizeram, será necessário criar uma conta de utilizador, que servirá para todas as funcionalidades não só da plataforma do OuTonalidades, como também do portal d’Orfeu. Só depois de criado o utilizador é possível proceder à inscrição do(s) grupo(s). Um utilizador pode inscrever um ou vários grupos. Para inscrever um grupo, consultar as instruções em anexo.

A inscrição inclui 2 secções obrigatórias (dados do grupo + ficheiros obrigatórios) e uma de actualização constante (impedimentos de datas), que são gravadas de forma independente, permitindo “pendurar” a inscrição com alguma secção incompleta, se necessário. Isto, desde que as 2 secções obrigatórias estejam completas dentro do prazo.

Perante quaisquer dúvidas que surjam, contactar ou utilizar o formulário de esclarecimentos existente na plataforma online.


http://www.dorfeu.pt/
http://dorfeu.blogspot.com/
www.facebook.com/dorfeu.associacao.cultural"

08 fevereiro, 2011

Entrudo + Entradas + Danças = Entrudanças


De 5 a 7 de Março, a aldeia de Entradas, no concelho de Castro Verde, recebe mais uma edição do festival (que rima com Carnaval!) Entrudanças. O texto de apresentação e o programa, aqui em baixo:

"Entrudo, festividade dedicada a uma variedade de brincadeiras que ganham diferentes formatos em cada região, é desde sempre um momento de muita alegria.

O Entrudanças junta às tradições do Entrudo, a música e a dança numa festa que é partilhada por vários públicos. Esta edição tem como tema as Danças de Roda que nos levam a vários universos musicais e especificamente à forma de dançar da região.

O festival volta a reunir artistas de várias áreas, bem como pessoas de diferentes zonas do país e da Europa na vila de Entradas. Esta vila que recebe o festival situa-se no meio da planície alentejana, que no mês de Março está a começar a florir.

As Danças de Roda dão mote à programação do festival e ainda aos projetos com a comunidade. As Escolas das freguesias rurais do concelho de Castro Verde voltam a abrir as portas ao Projecto Entrudanças, este ano RODOPIAR: DE RODA EM RODA, e o Grupo Coral Feminino de Entradas, As Ceifeiras, aceita o desafio para fazer “balhar” os participantes.
Projetos a não perder durante o Entrudanças!

Nesta edição, em que a programação volta a ser diversificada, destacamos a apresentação do Caderno das Danças do Alentejo, o Baile dos Gordos com os Mosca Tosca e o laboratório de Dança das Fitas (mastro).

O Entrudanças é organizado pela Associação PédeXumbo em parceria com a Câmara Municipal de Castro Verde e Junta de Freguesia de Entradas.

PROGRAMA:

SÁBADO, 5

14h30 – 15h30
Abertura do Entrudanças com o Projeto Escolas: “Rodopiar – de roda em roda”
15h30 – 17h00
Oficina Danças Internacionais, Hilde Hemelrijck
Laboratório de Dança das Fitas (mastro), Bruno Cintra
15h30 – 18h00
Oficina Chapéus há muitos - Transformação de Chapéus, Paula Carqueija
Oficina Criativa do Entrouxo, Vanda Palma
16h00 – 17h00
Actuação de Grupos Corais
17h15 – 18h15
Oficina de Cante Alentejano para crianças, Álvaro Mira
17h15 – 18h45
Oficina de Danças Toscas, Mosca Tosca
Oficina de Danças do Leste, Mirjam
17h30 – 19h00
Oficina de Percussão Tradicional (Bombo e caixa), Bruno Cintra e Augusto Graça
19h00 – 20h00
Baile com Aïlha Mas Trio
22h30 – 00h00
Baile dos Gordos com Mosca Tosca
00h30 – 02h00
Baile com Minuit Guibolles (na foto)


DOMINGO, 6

10h00
“Março Marçagão…sibila o Sisão e canta o Trigueirão”: Passeio fotográfico em tractor, com observação de aves, LPN
11h00 – 12h30
Oficina Danças Internacionais, Hilde Hemelrijck
Oficina de Danças Havaianas, Sofia Franco
Oficina Chapéus há muitos - Transformação de Chapéus, Paula Carqueija
Oficina Criativa do Entrouxo, Vanda Palma
11h30 – 13h30
Oficina de gastronomia
14h30 – 15h30
Renda Sol, um projecto de Diana Regal, com o grupo Coral Feminino
15h00 – 16h30
Danças Europeias, Alexandre Matias Oficina de Danças do Leste, Mirjam
15h00 – 18h00
Oficina Chapéus há muitos - Transformação de Chapéus, Paula Carqueija
Oficina Criativa do Entrouxo, Vanda Palma
15h30 – 16h30
Apresentação do Livro Cadernos do Alentejo
16h30 – 18h00
Lanche Dançado com a Banda 1º de Janeiro
18h00 – 19h00
Conversa: Construção de um Cordofone e Interculturalidade, Rodrigo Viterbo
18h30 – 19h30
Danças do Alentejo, Pedro Mestre, Atabuas e Papoilas do Corvo
18h30 – 20h00
Oficina de Danças Italianas, grupo Multietnica
22h30 – 00h00
Baile com Multietnica
00h30 – 02h00
Baile com Minuit Guibolles


SEGUNDA-FEIRA, 7

10h00 – 13h00
Oficina de Compostagem e Vermicompostagem: Saiba como aproveitar e transformar os resíduos orgânicos que produz em sua casa, LPN
11h00 – 12h30
Oficina de Danças Italianas, grupo Multietnica
Oficina Chapéus há muitos - Transformação de Chapéus, Paula Carqueija
Oficina Criativa do Entrouxo, Vanda Palma
15h00 – 16h30
Oficina de Percussão Tradicional (Bombo e caixa), Bruno Cintra e Augusto Graça
15h00 – 18h00
Oficina Chapéus há muitos - Transformação de Chapéus, Paula Carqueija
Oficina Criativa do Entrouxo, Vanda Palma
16h30 – 17h30
Animação de Rua: Dança das Fitas (mastro), Bruno Cintra
17h00 – 18h30
Oficina de Danças Portuguesas, Diana Azevedo
Oficina de Danças Havaianas, Sofia Franco
22h30 – 00h00
Baile com Karrossel
00h30 – 02h30
Baile com Celina da Piedade"

Mais informações, aqui.

Intercéltico de Sendim - Já Lá Vai Uma Dúzia!


Ou melhor, ainda não vai porque... ainda aí vem. Mas é verdade: o Festival Intercéltico de Sendim chega este ano, dias 5 e 6 de Agosto, à sua 12ª edição e com mais um programa que faz justiça ao nome e no qual se anuncia um concerto de... Né Ladeiras, ela que tem um novo álbum gravado e pronto a editar. Mas há, claro, outros nomes na ementa: Gwennyn (Bretanha), Xabi Aburruzaga (País Basco) e A Barca dos Castiços (Portugal) no dia 5; Altan (Irlanda, na foto), Né Ladeiras (Portugal) e Corquieu (Astúrias) no dia 6. Para além destes concertos, o Intercéltico de Sendim apresenta ainda Célio Pires & Amigos, Gaiteiricos Mirandeses, Lenga-Lenga, uma homenagem ao gaiteiro José João da Igreja, oficinas de danças tradicionais mirandesas e o programa "Descobrir Sendim: Rota dos Celtas/Passeios Com a Língua". Mais informações, aqui.