25 agosto, 2010

A Temporada de Setembro: Arraiais do Mundo e Chocalhos


Setembro começa logo com a Festa do "Avante!", mas há mais música de norte a sul: no Arraiais do Mundo, que decorre de 3 a 5 de Setembro em Tavira, eno Chocalhos – Festival dos Caminhos da Transumância, que ocupa a aldeia de Alpedrinha, Fundão, entre 17 e 19 de Setembro (info via Crónicas da Terra):

ARRAIAIS DO MUNDO:

"Uma residência artística, concertos, bailes e oficinas - a dança é o pretexto para pôr em contacto Serranos com músicos estrangeiros e portugueses, estudiosos e um público cada vez mais alargado.
O Fole encontra-se em todos os seus estados no Festival Arraiais do Mundo: Concertina, Acordeão ou Bandoneão - venha descobrir as suas diferentes sonoridades!

A concertina, instrumento que chegou a Portugal antes do acordeão, está presente com o grupo lisboeta Fol&Ar.
O acordeão tem dois representantes no grupo franco-português Extravanca (na foto): o João Frade e o Guy Giuliano, os quais apresentam, com Pascal Seixas, Romain Cuoq, Anthony Jambon e Simon Valmort, o resultado da Residência Artística que teve lugar em Cachopo (Tavira). Esta Residência visa a recuperação do repertório tradicional algarvio, num formato contemporâneo.

O Bandoneão é um instrumento de origem Alemã, embora hoje em dia mais associado à Argentina, em particular ao Tango. Está presente em Tavira com o grupo Tangomanso Orquesta Inestable.

E do Baile Mandado ao Tango, é só um passo de Estravanca: esta luta coreografada transforma-se em Setembro num grande Arraial.



PROGRAMA (ENTRADA LIVRE)
Sexta-feira 3 de Setembro
18h30 – Oficina de Danças Tradicionais Europeias com Alexandre Matias, Jardim do Coreto – Tavira
22h00 – Concerto - Baile com Fol & Ar, Praça da República – Tavira

Sábado 4 de Setembro
10h30 – Oficina de Cante do Algarve com Os Velhos da Torre, Palácio da Galeria – Tavira (Inscrição na Sexta feira anterior)
15h00 – O Património Cultural Imaterial: Encontro para a constituição de um Arquivo de Dança com Lia Marchi, Sede Clube de Tavira – Tavira (mais info)
18h30 – Oficina de Danças do Algarve com Alexandre Matias, Jardim do Coreto – Tavira
22h00 – Concerto - Baile com Extravanca, Praça da República – Tavira

Domingo 5 de Setembro
18h30 – Oficina de Tango com L.E Tango Juan + Graciana, Jardim do Coreto – Tavira
22h00 – Concerto – Baile com Tangomanso Orquesta Inestable, Praça da República – Tavira

RESIDENCIA ARTISTICA: EXTRAVANCA! NA SERRA DO CALDEIRÃO22 de Agosto – 3 de Setembro, Cachopo – TaviraJuntar músicos com formação e experiência em jazz e interesse pelas músicas tradicionais e músicas do mundo é uma boa aposta para trabalhar o repertório algarvio, já rico em influências cosmopolitas. E nada melhor que ficar durante duas semanas na Serra do Caldeirão para juntar ideias, descobrir sonoridades, reconstruir melodias e compor novas músicas.Com a experiência do contrabaixista Pascal Seixas (Dites 34, Minuit Guibolles, Travudia) em colaborações artísticas internacionais e a paixão do acordeonista João Frade pela sua região, o resultado promete muitas cores e surpresas. Diálogos diabólicos com o outro acordeonista Guy Giuliano, chuva de solos com o guitarrista Anthony Jambon e o saxofonista Romain Cuoq, falta só o baterista Simon Valmort para fazer caminhar esta residência até o mar.Estreia no dia 4 de Setembro as 22 horas na Praça da Republica, Tavira.
RESIDÊNCIA ARTISTICA: EXTRAVANCA! NA SERRA DO CALDEIRÃO
22 de Agosto – 3 de Setembro, Cachopo – Tavira
Juntar músicos com formação e experiência em jazz e interesse pelas músicas tradicionais e músicas do mundo é uma boa aposta para trabalhar o repertório algarvio, já rico em influências cosmopolitas. E nada melhor que ficar durante duas semanas na Serra do Caldeirão para juntar ideias, descobrir sonoridades, reconstruir melodias e compor novas músicas.
Com a experiência do contrabaixista Pascal Seixas (Dites 34, Minuit Guibolles, Travudia) em colaborações artísticas internacionais e a paixão do acordeonista João Frade pela sua região, o resultado promete muitas cores e surpresas. Diálogos diabólicos com o outro acordeonista Guy Giuliano, chuva de solos com o guitarrista Anthony Jambon e o saxofonista Romain Cuoq, falta só o baterista Simon Valmort para fazer caminhar esta residência até o mar.
Estreia no dia 4 de Setembro as 22 horas na Praça da Republica, Tavira."


CHOCALHOS:


"O Bairro Alto da Serra da Gardunha, vulgo Alpedrinha (no Concelho do Fundão) recebe de 17 a 19 de Setembro mais uma edição da sempre muito animada festa da transumância chocalheira. Velha Gaiteira e Musicalbi animam as noites nesta edição de 2010 do Chocalhos – Festival dos Caminhos da Transumância. Durante o dia haverá o célebre percurso com ovelhas e com os Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho, do Fundão a Alpedrinha.
Programa
17 de Setembro
18h00
Abertura
Arruada com os Bombos Zambumbas
Ruas de Alpedrinha
21H00
Oficina do Feltro -Mostra do Ciclo da Lã (a cardação, fiação e a feltragem)
Instalação de Feltro “Fios Puxados”
Local: Casa do Pátio
Construção de Instrumentos Musicais Pastoris – OCAIA (Fundão )
Local: Largo de Santo António
Demonstração da Feitura da Travia e do Queijo pela Associação de Queijeiros da Soalheira
Local: Largo de Santo António
Animação de Rua
Arranca-Telhados
Carriços
Tokavacalhar
Ovelha Negra
Bombos da Junta de Freguesia do Fundão
Bombos da Capinha
Zabumbas
Grupo de Bombos de Alcongosta
Ruas de Alpedrinha
Grupo de Cantares Ponto e Linha
Local: Largo de Santo António
22:30
Musicalbi
Local: Chafariz
00H30
Velha Gaiteira
Local: Chafariz
Dia 18 de Setembro
Abertura
Arruada com os Bombos
Ruas de Alpedrinha
11H00
Oficina do Feltro – Festa da Lã com a Colaboração do grupo feminino de Viana do Alentejo
Local: Casa do Pátio
14H00
Concurso pedagógico do Cão da Serra da Estrela
Local: Largo de Santo António
16H00
Construção de Instrumentos Musicais Pastoris – OCAIA
Local: Largo de Santo António
16H00 / 21H00
Demonstração da Feitura da Travia e do Queijo pela Associação de Queijeiros da Soalheira
Local: Largo de Santo António
Animação de Rua
Zigzagaita
Cornes
Carriços
Ovelha Negra
Roncos e Coriscos
Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho:
Grupo de Música Popular As sementinhas do Centro de Dia do Castelejo
Grupo de Bombos do Alcaide
Grupo de Bombos da Barroca
Grupo de Cantares da Escola Secundária do Fundão
Zambumbas
Grupo de Concertinas da Barrenta
Ruas de Alpedrinha
20H30
Concerto: Grupo de Cantares de Alpedrinha
Local: Largo de Santo António
22h00
Concerto: Pedro Mestre e os cardadores
Local: Casa do pátio
23h30
Concerto:“O Romance da Transumância” de Sebastião Antunes
Local: Chafariz
Dia 19 de Setembro
8H00
Percurso com as Ovelhas desde o Fundão e Alpedrinha.
Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho
Local:Fundão-Alpedrinha
14h00
Construção de Instrumentos Musicais Pastoris – OCAIA (Fundão).
Local: Largo de Santo António
Animação de Rua Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho
Grupo de Cantares de Santo André
Grupo de Gaita de Beiços da Rapoula
Carriços
Grupo de Concertinas da Barrenta
Grupo de Cantares Nossa Senhora do Mosteiro
Grupo de Cantares da Barroca"

23 agosto, 2010

E Ainda... Folk em Tregosa e Jazz em Sines


Afinal, e quando se pensava que o Verão já tinha dado as últimas no que concerne aos festivais, ainda há espaço para (pelo menos) mais dois: o Arredas Folk Fest, que decorre em Tregosa, Barcelos, nos dias 3 e 4 de Setembro com os espanhóis Zamburiel (na foto) e os portugueses Ogham e Estica-me as Peles no primeiro dia e um cartaz completamente nacional no segundo: Katharsis, Pé na Terra e Bomboémia. O festival inclui ainda exposições, workshops, artesanato, gastronomia e jogos tradicionais, entre outras actividades. E... o Sines em Jazz, cujo programa oficial segue já aqui em baixo:


"Nos dias 26, 27 e 28 de Agosto, a quarta edição do Sines em Jazz traz alguns dos melhores autores e intérpretes do jazz português ao coração da cidade de Sines.

Organização da Associação Pro Artes de Sines e da Câmara Municipal de Sines, o Sines em Jazz 2010 oferece seis concertos de entrada gratuita no Auditório do Centro de Artes de Sines e duas jam sessions, na cafetaria do Castelo.

A música tem início no dia 26 de Agosto (quinta-feira), às 22h00, com o espectáculo do Quinteto Sara Valente. Formado em 2006, o quinteto constituído por Sara Valente (voz), João Maurílio (piano), Gonçalo Marques (trompete), Nelson Cascais (contrabaixo) e Paulo Bandeira (bateria) trabalha ambientes da história do jazz norte-americano da segunda metade do séc. XX, com alguns temas originalmente instrumentais acrescidos de letras em português.

Às 23h15, tem início o concerto do ensemble flaJAZZados, situado no jazz que vai do pós-bop ao experimentalismo actual através de um repertório maioritariamente original. A inclusão de textos e um narrador dão ao espectáculo momentos inesperados. Alexandre Andrade (trompete), Omar Hamido (sax alto), Francisco Andrade (sax tenor), Pedro Gil (guitarra), Marco Martins (baixo), Sónia Cabrita (bateria), Zé Eduardo (piano e direcção) e Vítor Reia-Baptista (MC) são os artistas em palco.

A noite de concertos de sexta-feira, 27 de Agosto, arranca às 22h00 com Joana Rios, cantora e compositora portuguesa de referência da nova geração, com três discos editados, o último dos quais, “3 desejos”, lançado em Setembro de 2009. Considerada uma das melhores vozes nacionais, Joana Rios é acompanhada por Filipe Raposo (fender rhodes e piano), António Quintino (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria e percussões).

A Joana Rios segue-se, às 23h15, TGB, um trio que aposta numa formação inusual em termos instrumentais: tuba, guitarra e bateria. TGB é composto por Alexandre Frazão (bateria), Sérgio Carolino (tuba) e Mário Delgado (guitarra) e o seu som move-se num terreno próximo de formações clássicas inusitadas da história do jazz e da música improvisada.

Sábado, 28 de Agosto, último dia do Sines em Jazz 2010,começa às 22h00, com o projecto Nelson Cascais “Guruka”. O contrabaixista Nelson Cascais é um dos melhores compositores do jazz contemporâneo e "Guruka", o seu novo disco, é considerado um dos melhores trabalhos portugueses de jazz dos últimos anos. Acompanham-no Pedro Moreira (saxofone), André Fernandes (guitarra), Joäo Paulo Esteves da Silva (piano) e Marcos Cavaleiro (bateria).

O concerto de encerramento, às 23h15, está a cargo de BaBa Mongol, grupo de músicos juntos desde 2001 com o objectivo de integrar tradição e actualidade num colectivo de base jazzística que se propõe interpretar composições originais. Zé Pedro Coelho (saxofone soprano e tenor), Rui Teixeira (saxofone barítono e clarinete baixo), Hugo Raro Andrade (piano), Filipe Teixeira (contrabaixo) e António Torres Pinto (bateria) constituem a formação.

Nos dias 27 e 28 de Agosto, às 00h00, realizam-se jam sessions na cafetaria do Castelo de Sines.

A entrada em todas as iniciativas do Sines em Jazz 2010 é gratuita. Uma vez que o espaço do Auditório é limitado, os bilhetes para os concertos necessitam de reserva, que pode ser feita na recepção do Centro de Artes de Sines ou através do telefone 269 860 080.

O Sines em Jazz 2010 está integrado na operação Dinamização Musical e Artística do Programa de Regeneração Urbana de Sines, co-financiado pelo FEDER no âmbito de candidatura aprovada ao Eixo 2 - Desenvolvimento Urbano - Política de Cidades - Parcerias para a Regeneração Urbana do QREN 2007-2013"

19 agosto, 2010

Ecos da Terra na Recta Final do Verão


O Ecos da Terra, em Celorico de Basto, começa já hoje. Aqui fica a programação e a notícia, directamente sacadas ao camarada Luís Rei, das Crónicas da Terra.

"Celorico de Basto recebe de 19 a 21 de Agosto mais uma edição do Festival Ecos da Terra com um cartaz de música portuguesa (e não só) variado e consistente.

Além da divulgação musical, o Ecos da Terra, pretende divulgar o que de melhor existe na região de Basto em termos de beleza paisagística, gastronomia, artesanato e, «claro, as maravilhosas gentes» locais.

Programa:

19 de Agosto (Quinta-feira)

Tuttis Catraputtis.

20 de Agosto (Sexta-feira)

Bilan;
Mosca Tosca;
Roncos do Diabo;
Olive Tree Dance.
Workshops/Actividades diurnas:
Aula de Yoga;
Workshop de Danças Tradicionais;
Workshop de Didgeridoo;
Workshop de Percussão;
Workshop de Danças Africanas.

21 de Agosto (Sábado)

Toques do Caramulo;
Uxu Kalhus;
Galandum Galundaina;
Melech Mechaya (na foto).
Workshops/Actividades diurnas
Aula de Yoga;
Workshop de Danças Tradicionais;
Workshop de Danças de Miranda;
Workshop de Fotografia;
MostrArte.

Bilhetes para os concertos
19 de Agosto – Entrada Gratuita;
20 de Agosto – 12 euros;
21 de Agosto – 13 euros;
Passe 3 dias – 20 euros.
Os Workshops e campismo são grátis"

16 agosto, 2010

Cacharolete de Discos - Rupa & The April Fishes, Yasmin Levy, Balkan Beat Box e Victor Démé


Mais um cacharolete de críticas a discos sem ligação óbvia, estilística ou outra, e publicadas originalmente na "Time Out": os álbuns mais recentes de Rupa & The April Fishes, Yasmin Levy, Balkan Beat Box e Victor Démé (na foto).


Rupa & The April Fishes
"Este Mundo"
Cumbancha/Leve Music

O segundo álbum de Rupa & The April Fishes, "Este Mundo", não entra no ouvido tão depressa quanto a fabulosa estreia "Extraordinary Rendition". E, muitas vezes, principalmente quando se escutam as canções em espanhol, a tentação é começar logo a compará-las com canções de Lhasa, Lila Downs ou Amparanoia. Mas, ouvindo-se melhor o disco, percebem-se então as subtilezas presentes neste álbum. E são muitas! Uma festa global que pode misturar reggae com sopros aciganados, chanson com klezmer lá pelo meio ou uma cumbia infectada por ska e hip-hop (cortesia Boots Riley, MC dos Coup) ou uma raga movida a acordeão musette. Para além disso, o talento de Rupa como compositora, letrista e cantora – e a coesão extraordinária de toda a banda – saem bastante reforçados n'"Este Mundo". (****)




Yasmin Levy
"Sentir"
World Village/Harmonia Mundi


A intérprete de música sefardita mais reconhecida internacionalmente – embora Mor Karbasi já lhe esteja, de certa forma, a “morder os calcanhares” -, a israelita Yasmin Levy chega, ao quinto álbum, a um patamar dificílimo de igualar: "Sentir" é um álbum de uma cantora no seu pico absoluto de forma, com uma fórmula musical perfeitamente estabelecida (a mistura da música sefardita, árabe e flamenco) e um naipe de músicos invejável. E boa parte da “culpa” deve-se à brilhante produção de Javier Limon, o produtor que já nos acostumou a arrancar a alma das cantoras pela boca, sejam Concha Buika, Mariza ou Yasmin Levy. Com tradicionais sefarditas cantados em ladino, originais da própria Yasmin ou temas de Leonard Cohen (“Hallelujah”) e Limon, "Sentir" é um álbum absolutamente maravilhoso. (*****)




Balkan Beat Box
"Blue Eyed Black Boy"
Crammed Discs/Megamúsica


Terceiro álbum de originais dos Balkan Beat Box, "Blue Eyed Black Boy" é um enorme salto em frente na carreira deste grupo formado originalmente pelos israelitas Tamir Muskat e Ori Kaplan, aos quais se juntou logo de seguida o magnífico MC Tomer Yosef. E se os dois anteriores (mais o álbum de remisturas "Nu Med") já eram muito bons, o novo disco tem, a juntar às habituais electrónicas – aqui muito menos evidentes, por motivos que se vão perceber já a seguir – e às fanfarras balcânicas de metais, um som orgânico, de “banda”, que não existia nos álbuns anteriores. Os arranjos e as orquestrações ganham assim uma nova riqueza onde convivem reggae e klezmer, rebemtika e surf rock, ciganadas de Leste e hip-hop, dub e vozes búlgaras. E dois hinos para a paz israelo-árabe: “Buhala” e “War Again”. (****)


Victor Démé
"Deli"
Chapa Blues/Massala


Depois do fantástico "Burkina Mousso", álbum de estreia do cantor e guitarrista Victor Démé, do Burkina Faso, chega agora o segundo e muito aguardado álbum, "Deli". Mais sofisticado do que o álbum de estreia – quanto mais não seja pela profusão de instrumentos ocidentais (violino, acordeão...) que se juntam à guitarra, à voz, à kora, às percussões... mas a sensação de que estamos perante um dos maiores fenómenos musicais surgidos nos últimos anos depois de décadas de anonimato (o primeiro álbum de Démé foi editado já ele tinha muito mais de quarenta anos) mantém-se intacta. A sua mistura de música mandinga, blues, música latino-americana, aproximações ao flamenco, à música árabe e a várias tipologias tradicionais europeias é única e belíssima. (*****)

14 agosto, 2010

Jane Birkin - Uma Mulher do (e Com o Seu) Mundo


À medida que, nós homens, vamos envelhecendo - frase que se diz quando já se ultrapassaram os 40 anos de idade (até aos 30 e tais diz-se "à medida que vamos crescendo") - vamo-nos apercebendo que houve mulheres que, embora só as conhecendo à distância, contribuíram decisivamente para aquilo que nós somos agora: mulheres do cinema e da música, da poesia e da pintura, da dança e de outras vidas. E à medida que nós, ao mesmo tempo jornalistas e homens, vamos tendo o privilégio de contactar directamente com algumas delas - umas mais velhas e sábias, como a Marianne Faithfull, a Cesária Évora, a Susana Baca... e outras mais novas mas igualmente sábias, como a Lila Downs, a Rokia Traoré, a PJ Harvey... - vamos ficando com a certeza maior de que, ao fim de muitas centenas de entrevistas, foi com elas que aprendemos mais, e melhor, a crescer e a envelhecer. Um exemplar exemplo - pois! - disso mesmo foi a minha conversa, e a crítica ao mais recente disco, com uma das divas da minha juventude, uma conversa muito mais longa do que aquilo que aqui fica e que foi publicada há alguns meses na "Time Out", com Jane Birkin, cantora, actriz, realizadora de cinema e mito e musa transversal de várias gerações de homens que cresceram, ou envelheceram, com ela.



Jane Birkin
"Enfants d'Hiver"
Liberty

Se Camões tinha como musas as tágides, Serge Gainsbourg teve também as suas "senágides": Brigitte Bardot, Juliette Gréco, Françoise Hardy, Catherine Deneuve, Vanessa Paradis... A lista é quase interminável. Mas, acima de todas elas, sempre esteve Jane Birkin, muito provavelmente a melhor intérprete de sempre do reportório do grande poeta francês e aquela que, por direito próprio, sempre pôs a sua voz ao seu serviço, antes e depois da sua morte. Nos últimos anos, no álbum Arabesque, Birkin atreveu-se - e bem! - a interpretar temas de Gainsbourg embaladas em arranjos que deviam tudo à música árabe e magrebina. No seguinte, Fictions, o “fantasma” de Gainsbourg foi afastado com a presença de compositores vindos da pop e do rock como Rufus Wainwright, Neil Hannon, Beth Gibbons, Dominique A ou os Magic Numbers, de versões de temas de Neil Young ou Tom Waits e da presença de Johnny Marr (o ex-guitarrista dos Smiths) a dar um ar de sofisticação eléctrica ao todo.
E, no mais recente "Enfants d'Hiver", Birkin dá o passo seguinte, assumindo-se como a letrista de todas as canções – e todas elas cantadas em francês, à excepção de “Aung San Suu Kyi”, dedicada à activista birmanesa e Prémio Nobel da Paz e cantada em inglês. Sai-se muito bem da tarefa: as letras são belíssimas, pessoais, íntimas, sofridas, sacadas directamente da alma de uma mulher madura e que já conviveu com muitas tragédias pessoais e familiares. Mas, apesar disso, é um disco luminoso que flui sempre muito bem por entre arranjos simples, quase sempre absolutamente acústicos e pouco elaborados. As excepções – nesta tendência, que não no bom-gosto – são “Oh Comment Ça Va?” (muito “Walk On the Wild Side”, de Lou Reed) e “Aung San Suu Kyi”, uma canção heróica com gaitas-de-foles.


Entrevista Jane Birkin
Com quantas caixas se faz a vida

Ícone vivo da cultura pop, a cantora (e agora, compositora), actriz e realizadora Jane Birkin ultrapassa a barreira dos sessenta anos com um novo álbum, "Enfants d'Hiver", e um filme realizado por ela, "Boxes". O disco é apresentado ao vivo, dia 8, no CCB, e o filme é mostrado um dia antes, no S. Jorge. E neles está muito do que é, e foi, a sua vida, como confessa nesta conversa com António Pires.

Em muitos discos anteriores, a Jane cantava as palavras dos outros. No novo, "Enfants d'Hiver", foi a Jane que escreveu todas as letras. É este o tempo certo para se mostrar ao mundo como letrista e logo de uma forma tão pessoal?

Estas letras revelam muito dos meus sentimentos pessoais. Há duas relativas a duas filhas minhas [Nota: Jane Birkin tem três filhas: Kate, filha do compositor John Barry; Charlotte, filha de Serge Gainsbourg; e Lou, filha de Jacques Doillon]: uma que teve um acidente e outra que não andava bem. Essas duas revelam o meu lado maternal; mas há outras que falam da minha infância, da minha busca de romance, de decepções amorosas ou do aspecto que a minha cara (com esta idade) revela. Escrevi-as sozinha, num ambiente de grande solidão e alguma melancolia. O nome do disco foi-me inspirado pelo meu irmão, Andrew [argumentista e realizador de cinema].

Mas uma das canções do disco ultrapassa essa esfera pessoal, ou familiar, e é um manifesto – e cantado em inglês, ao contrário do resto do disco, em francês - de apoio a Aung San Suu Kyi, líder da oposição à ditadura na Birmânia. É uma canção quase heróica, com gaitas-de-foles...

Sim, o resto do álbum é muito pessoal, muito íntimo, mas esta canção de certa forma também o é. Na minha vida tenho-me dedicado a várias causas políticas e humanitárias. Estive no Ruanda depois do genocídio, na Bósnia, na Palestina... Há demasiado horror no mundo para que fique parada a observar. Por Aung San Suu Kyi tenho uma enorme ternura e respeito. Tive a sorte de a conhecer pessoalmente e a sensação com que fiquei foi que estava na presença de alguém semelhante a Ghandi. Estou constantemente com receio de que um dia, esteja ela na sua casa sob vigilância ou na prisão, alguém me telefone a dizer “Aung San Suu Kyi morreu”. Aung San Suu Kyi é a única esperança de democracia – e de luta contra as actuais condições de vida na Birmânia: o tráfico de droga, a mortalidade infantil, a SIDA... - e a sua vida está em risco permanente. [Nota: o site de Jane Birkin é, em boa parte, dedicada à causa de Aung San Suu Kyi e, ontem, terça-feira, a cantora organizou uma vigília em Paris de apoio à Prémio Nobel da Paz]

Este disco tem uma canção com uma forte pulsão rock, quase Lou Reed, que é “Oh Comment Ça Va”. Mas tudo o resto é muito mais clássico e acústico. Esta opção pela simplicidade, pelo acústico, é uma forma de sublinhar a importância das palavras?

Eu poria a questão de outra maneira: como as palavras são modestas, precisavam de uma orquestração modesta. Neste álbum tive vários compositores musicais e, juntamente com o arranjador, tentei que tudo soasse o mais simples e minimal possível; sem bateria nem grandes secções de cordas. E isso tem a ver também com o conteúdo das canções, muitas delas bastante tristes. Neste disco estou, de certa forma, a despir-me, a expor-me, de uma forma honesta.

O seu filme "Boxes", em que é realizadora, argumentista e actriz, fala de uma mãe e de três filhas de três relações diferentes. Mas a Jane costuma dizer que não é auto-biográfico, apesar das semelhanças óbvias...

Há essa ligação evidente com a minha própria vida mas não é autobiográfico: no filme evitei expressamente referências da minha vida com os pais das minhas filhas. Mas eu sempre fui muito auto-crítica comigo mesmo e o filme reflecte, de certa forma, essa auto-crítica na boca das personagens do filme. Agradou-me a ideia de fazer um filme com uma mulher de 45 anos que está a viver o seu último amor e tem as suas três filhas a criticá-la, a confrontá-la. Uma mulher que muda de casa, abre as suas caixas [Nota: boxes] de onde emergem também depois os fantasmas de muita gente do passado...

Nos últimos anos, assisti a dois concertos seus. Um em que apresentou "Arabesque" - com canções de Serge Gainsbourg arranjadas num contexto de música árabe - e outro em que apresentou "Fictions". E mesmo neste, dedicado a um álbum que não tinha canções de Gainsbourg, cantou as canções dele em palco... É inevitável fazê-lo, não é?

(Risos) É! E se não o fizer, as pessoas que me vão ver não o irão aceitar. Não irão compreender porque é que eu, que tive a sorte de ter um dos maiores poetas a escrever canções para mim, e algumas das mais belas que alguma vez foram escritas, não uso esse património. Por isso, para não se sentirem enganadas, eu irei cantá-las mais uma vez.

12 agosto, 2010

Celtas à Solta em Santulhão, Ritmos do Mundo em Querença


A temporada de festivais de Verão está a terminar, mas esta semana ainda há lugar para mais dois, um na ponta norte e outro na ponta sul do país: o X Festival de Música Tradicional/Celta de Santulhão, em Trás-os-Montes, e o segundo festival Ritmos, em Querença, no Algarve. Aqui vão os programas oficiais:



X Festival Tradicional/Celta de Santulhão

"Irá acontecer pela 10ª vez o Festival de Música tradicional/Celta de Santulhão - Vimioso no dia 13 de Agosto de 2010. O Cartaz que propomos é o seguinte:

17h - Workshop de danças tradicionais
19h - Arruada com gaiteiros e pauliteiros
20:30h - Ranchada Santulhão
22h - Brigada Victor Jara
24h - Keympa (Espanha)

A organização é da responsabilidade da AMS - Associação de Melhoramentos Santulhana com o apoio de CMVimioso e junta Freguesia de Santulhão.
A entrada é livre.
Mais informações em: http://festivais.santulhao.net"


Ritmos - Danças do Mundo


"RITMOS 2010 – 13, 14 e 15 de Agosto
Festival Internacional de Danças do Mundo

Loulé, 10 de Agosto de 2010 - A segunda edição do RITMOS – Festival Internacional de Danças do Mundo – arranca esta próxima sexta-feira, dia 13 de Agosto. Este evento que traz à pequena aldeia algarvia três dias repletos de danças de todo o mundo, desde o antigo ao contemporâneo, pretende divulgar a dança através de espectáculos, oficinas, workshops e muita animação.

Para além da dança, música e teatro os visitantes têm ainda diferentes motivos para visitar o festival como o artesanato de rua, ou as várias propostas gastronómicas que se poderá encontrar em qualquer ponto da aldeia.

O festival decorre ao ar livre, no centro da aldeia, tendo como ponto de partida o Largo da Igreja. As iniciativas vão estender-se entre a Casa do Povo local, até à nova Fundação Manuel Viegas Guerreiro. Todo o espaço será das pessoas, estando vedado à circulação de veículos, permitindo assim viver em pleno a atmosfera do festival. A entrada é livre e o convite extensível a todos.

Ao longo dos três dias, os visitantes do Ritmos 2010 vão ser as peças essenciais do festival, estando sempre convidados a dançar. As portas abrem sexta-feira, 13 de Agosto, às 20h.

Programa:

Sexta-feira | 13 de Agosto
20h00 – Ateliê de dança “Ragga” com BICA TEATRO
21h00 – Espectáculo de Teatro “L.O.C” com BICA TEATRO
22h00 – Espectáculo de música e dança BAILANSER
23h30 – Baile TRIBAL JAZE

Sábado | 14 de Agosto
18h00 – Oficina de Dança e Música para Adultos BATUQUE
19h00 – Oficina para Pais e Filhos ZAMPADANÇAS
19h30 – Atelier de Tai chi
20h00 – Atelier de Teatro “ Contos Contigo” com BICA TEATRO
21h00 – Espectáculo de teatro “Karingana Raggae” com BICA TEATRO
22h15 – Espectáculo de Música e Dança FINKA PÉ
23h45 – Baile com TOQUES DO CARAMULO (na foto, de André Brandão)
00h30 – World Music Dj Set

Domingo | 15 de Agosto
18h00 – Baile/Oficina VALSAS MANDADAS
19h00 – Atelier de Yoga
20h00 – Ateliê de dança “ Hip Hop New School” com BICA TEATRO
21h00 – Espectáculo AS SEVILLANAS
23h30 – Baile com OMIRI"

10 agosto, 2010

Colectânea de Textos no jornal "i" (VIII)


A Rosa (e os Enjeitados)
por António Pires, Publicado em 08 de Outubro de 2009

António Variações cantava, em "Todos Temos Amália na Voz": "Dei o teu nome à minha terra/Dei o teu nome à minha arte/A tua vida é primavera/A tua voz é eternidade", antes de, no refrão, dizer "Todos nós temos Amália na voz". E Variações, nesta canção composta muitos anos antes da morte de Amália Rodrigues - ele, aliás, viria a morrer muito mais cedo que a sua musa -, resumiu na perfeição o amor, o respeito e a admiração que milhões de portugueses sentiram e sentem pelo ícone maior do fado de Lisboa. Não são de mais, portanto, as inúmeras iniciativas que nesta e nas últimas semanas homenagearam a memória de Amália. A edição em CD de temas inéditos dos primeiros tempos da cantora; extensas colecções de discos; concertos de tributo (de gente do fado e de fora dele); conferências; exposições; o filme "Amália" a passar na RTP... Tudo isso é mais que justo, e se calhar ainda é pouco. Mas não deixa de ser triste - como o fado - pensar que homenagear Amália é importante, mas que igualmente importante seria homenagear muitos outros. Há dois anos passaram 25 anos sobre a morte de Alfredo Marceneiro (na foto). O ano passado, 20 sobre o falecimento de Francisco José. Alguém os recordou? Neste mesmo ano de 2009 passam dez anos, tal como com Amália, sobre o desaparecimento de Lucília do Carmo. Onde estão as comemorações? Max morreu em Maio de 1980. Alguém sabe de alguma coisa que esteja a ser feita para a celebração dos 30 anos da sua morte, daqui por alguns meses?




O Segredo da Mandrágora
por António Pires, Publicado em 15 de Outubro de 2009

Se Michel Giacometti - e alguns outros - fez um trabalho extraordinário na preservação do património musical português, também é importante que, neste início de novo século, se ponham em diálogo as tradições com a modernidade. E isso está a ser feito por muitos nomes da música portuguesa que têm sido referidos nesta coluna ao longo das últimas semanas. Mas esse diálogo é ainda mais visível - e aqui "visível" é a palavra correcta - na obra videográfica de Tiago Pereira, que em filmes como "11 Burros Caem no Estômago Vazio", "Arritmia" ou "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea" - tem sempre feito a ponte, ao mesmo tempo que a questiona muitas vezes de forma irónica, entre a nossa música tradicional e a nossa música moderna. O culminar deste processo é um filme/instalação multimedia/intervenção em tempo real e ao vivo... novo e absolutamente maravilhoso: "Mandragora Officinarum". Nele, Tiago Pereira parte da nossa religião tradicional (mistura de paganismo antigo, judaísmo mal-amanhado, resquícios da cultura muçulmana, um catolicismo temeroso e medicina popular) para, com esse mote, pôr em confronto responsos, ladaínhas, orações, benzeduras e receitas de mezinhas tradicionais com a música de gente como Tó Trips, B Fachada, Tiago Guillul, Márcia, Ernst Reijseger, Pedro Mestre, Paulo Meirinhos, Vasco Casais, Walter Benjamin, Jorge Cruz, Luís Fernandes, Lara Figueiredo ou BiTocas. "Mandragora Officinarum" é um marco maior do nosso cinema e da nossa música.



O fado não é só português!
por António Pires, Publicado em 29 de Outubro de 2009

Anda a circular na net um texto de Fernando Zeloso (será pseudónimo?) que parte dos Amália Hoje - sobre os quais já dei a minha opinião nesta coluna -, para depois defender, entre outras tomadas de posição xenófobas e nacionalistas (inclusive acerca dos luso-brasileiros da selecção portuguesa de futebol e terminando o texto com um revelador... "A Bem da Nação Fadista"), que o fado deve ser única e exclusivamente cantado por portugueses. A mesma posição tomaram algumas pessoas a propósito do filme "Fados", realizado por um espanhol, Carlos Saura, e onde apareciam Lila Downs (na foto), Caetano Veloso, Cesária Évora e Miguel Poveda, entre outros, a cantar fado. Ora esta ideia, para além de perigosa ideologicamente e mesquinha moralmente, é sem dúvida ridícula. Pela mesma ordem de ideias, e entre variadíssimos exemplos possíveis, Vitorino não poderia gravar tangos, Luís Represas não poderia cantar música cubana nem os Mind da Gap fazer hip-hop - e a própria Amália Rodrigues nunca poderia ter interpretado flamenco, napolitanas, canções francesas, as maravilhosas letras de Vinicius de Moraes ou standards de jazz. Em tempos fiz um apanhado de cantores e instrumentistas de fado não portugueses. E são às dezenas: no Japão, no Brasil, na Itália, na Espanha, na Argentina, na Índia, no México, na Holanda, na Croácia, na Polónia, na França... O que, ao contrário do que defende Zeloso, nos deveria, isso sim, encher de orgulho.

05 agosto, 2010

Afro-beat - O Passado, o Presente e o Futuro


O afro-beat (há muita gente que escreve as duas partes de afrobeat - a grafia normalizada e absolutamente aceitável do termo - pegadas, mas eu cá uso um hífen por razões íntimas e pessoais...) é um dos géneros pioneiros da mestiçagem de músicas africanas e anglo-saxónicas.E, ainda hoje, há milhares de bandas e de artistas a praticá-lo. Neste post - que recupera três textos publicados originalmente na "Time Out" - fala-se dos modernos Fanga, do veterano Dele Sosimi (ex-teclista de Fela Kuti, o inventor do género) e de alguém que passeou pelo afro-beat mas também por muitas outras músicas: o incontornável - olá Toni :) - Manu Dibango (na foto).

Fanga
"Natural Juice"
(Underdog Records)

O afro-beat – fixado nos anos 70 pelo nigeriano Fela Kuti, que reuniu de forma genial elementos (e instrumentos) dispersos de várias músicas norte-americanas (funk, jazz, soul..) com estilos africanos – é um género ingrato: ou é muito bem tocado e, mais importante ainda, extremamente inventivo ou pode transformar-se numa imensa chatice. Esse não é, de caras, o caso deste álbum dos franceses Fanga. Começando com um tema afro-beat de formato clássico (e com o grande Tony Allen a dar uma ajuda), o álbum “Natural Juice” segue depois – e apesar de manter sempre a matriz do afro-beat bem presente (nas teclas, na secção de metais, nas percussões...) - em roda livre por outras sonoridades africanas, das mandingas à juju music (com King Sunny Adé como outro papa dos Fanga) e com uma série de remisturas modernaças, mas de extremo bom-gosto, a ajudar ao resultado final. (****)




Dele Sosimi
"Identity"
Helico Records

Se calhar, muita gente conhece uma canção de Dele Sosimi sem saber quem raio poderá ser o seu autor: “Turbulent Times”, na remistura de Paul Oakenfold e com uma base que deve tudo ao... “Smells Like Teen Spirit”, dos Nirvana, e que de Sosimi só mantém o refrão (a voz dele e os coros femininos). Passa em muitas discotecas, com sucesso. Mas dele convirá conhecer, mesmo, a obra original. Uma obra que se inscreve sempre na grande família do afro-beat fundado por Fela Kuti – continuada pelos filhos Femi e Seun e pelos seus antigos companheiros de banda como Tony Allen e o próprio Dele Sosimi, durante muitos anos o teclista e director de orquestra de Fela e, depois da sua morte, um dos seus maiores e mais legítimos representantes. Oiça-se este álbum e veja-se como, aqui, o afro-beat é uma realidade. Viva e actual. (****)



Manu Dibango
"Makossa Man: The Very Best Of"
Nascente/Megamúsica

Não é por acaso que este “best of” de Manu Dibango se chama "Makossa Man" – o tema “Soul Makossa” foi, na primeira metade dos anos 70, um enorme sucesso em toda a África e também na Europa e Estados Unidos, lançando o nome do saxofonista (e vibrafonista) camaronês Manu Dibango para a ribalta. E muito justamente: “Soul Makossa” foi, com a sua mistura de funk, jazz e afro-beat um precursor do disco-sound, tendo sido usado e recriado por nomes como Michael Jackson, Wyclef Jean, Jay-Z, A Tribe Called Quest ou Rihanna. Mas a carreira de Manu Dibango tem muitos outros pontos altos, como esta colectânea comprova – brilhante a sua citação livre, e irónica!, de “Le Freak” (dos deuses do disco-sound Chic), por ele ironicamente rebaptizada “Ah Freak Sans Fric” (tradução fonética: “África sem Dinheiro”).(*****)

03 agosto, 2010

FMM de Sines - Cada Vez Mais a Acabar Com Preconceitos


O FMM de Sines deste ano foi mais um belíssimo festival de música e, também, mais um excelentíssimo exemplo de como se pode dar completamente cabo de preconceitos recorrendo apenas à música. Tendo começado, na quarta-feira, com o rejuvenescimento do aparentemente intocável cante alentejano por Vitorino e Janita Salomé, e terminado na madrugada de sábado para domingo com a luso-angolana Batida, outro projecto de cruzamento de sonoridades antigas - gravações dos anos 60 e 70 feitas em Angola - trazidas para a modernidade com a ajuda de kuduros, hip-hops e bailes funk, o FMM 2010 ajudou a quebrar estas barreiras temporais e/ou espaciais, mas também muitas outras... Só mais alguns exemplos: a bandeira palestiniana agitada durante todo o maravilhoso concerto da cantora israelita, judia, Yasmin Levy; o amor com que foram recebidos os fabulosos Barbez, que só muito vagamente poderão eventualmente inscrever-se naquilo que é normalmente considerado world music (a repetição do "mente" é propositada); a classe das vozes de formação clássica de Las Rubias del Norte, aqui posta ao serviço de outras músicas; o surpreendente - e tão bem conseguido! - cruzamento da música da Bretanha com a música do Mali do colectivo N'diale; os genuínos Galaxy, rapazes timorenses que têm as antenas apontadas para o reggae e o metal; e, acima de todos, os Staff Benda Bilili (na foto; de Mário Pires/FMM de Sines), que deram o melhor concerto do festival e um dos melhores de todos os FMM, e símbolo maior do que é lutar contra todos os preconceitos: musicais, de cor de pele, de forma do corpo, de estatuto social. O FMM faz-nos sentir melhores pessoas ou, pelo menos, ajuda-nos a sê-lo. E isso nunca teve, nem terá, preço.

Nota: o pré-lançamento do livro "Raízes e Antenas" correu muito bem! Estive rodeado de muitos e bons amigos; tive direito a um abraço prévio do Carlos e da Marta; o Paulo Faustino, da Media XXI, esteve lá a dar-me todo o apoio necessário e a ajudar-me na apresentação do livro que, sim!, está mesmo muito bonito. A todos o meu muito obrigado! Um agradecimento extensível, e ainda maior, a quem me acompanhou desde o início, e cada um à sua maneira, neste processo todo: o Guilherme Pires, o Rodrigo Madeira e a Laura Alves.

27 julho, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (VII)


O futuro do fado no masculino
por António Pires, Publicado em 17 de Setembro de 2009


Quando se fala de fado - e, principalmente, de novo fado ou de novos fadistas - pensa-se geralmente na geração de novas cantoras, muitas delas excelentíssimas, que o fado de Lisboa gerou nos últimos quinze ou vinte anos: Mísia, Mariza, Maria Ana Bobone, Mafalda Arnauth, Joana Amendoeira, Ana Sofia Varela, Kátia Guerreiro, Cristina Branco, Carminho... A lista é quase infindável. Fala-se menos dos homens, alguns deles com uma qualidade idêntica à de algumas das mulheres referidas, ou por vezes maior. Quando se fala dos homens, vêm sempre à baila - e com justiça, aliás - os irmãos Moutinho: Camané, Hélder e Pedro. Mas não é deles que se fala aqui hoje. É de dois fadistas menos conhecidos mas que merecem ser seguidos com a máxima atenção nos próximos anos: Ricardo Ribeiro e António Zambujo (na foto). Com apenas um álbum, homónimo, em nome próprio - mas com uma parceria fundamental no surpreendente e histórico álbum "Em Português", do mestre do oud libanês Rabih Abou-Khalil, em que o fado se cruza com a música árabe e faz também algumas tangentes ao flamenco -, Ricardo Ribeiro é dono de uma voz (ia escrever "vozeirão") única e completamente arrepiante. Já António Zambujo é o homem que tem na sua voz não apenas as vozes do fado mas também outras vozes (Cateano Veloso, Brel, Antony Hagerty...), e isso faz do seu fado um outro fado, fresco e originalíssimo. É necessário descobri-los e ouvi-los.





Estamos todos com os azuis
por António Pires, Publicado em 24 de Setembro de 2009

Um dos maiores segredos da música feita em Portugal é um grupo que se prepara agora para editar o seu primeiro álbum de estúdio, depois de um outro gravado ao vivo na Capela da Misericórdia de Sines. Chama-se Nobody's Bizness e faz dos melhores blues que se podem ouvir em qualquer parte do mundo. Quem já teve o privilégio de os ver nas suas (agora raras) residências mensais no Catacumbas, Bairro Alto, ou em mais alguns sítios, sabe com o que vai contar. Ou talvez não, porque os Nobody's Bizness também apresentam no disco temas originais, e excelentes!, em que os blues se cruzam com a folk norte-americana, o jazz ou a música country de uma forma original, emotiva e, de certa forma, portuguesa: os blues não estão distantes, na essência e talvez na sua origem ancestral, do fado (como também não o estarão da morna, da milonga ou do chorinho). E os Nobody's Bizness não estão sós nesta releitura à portuguesa dos blues, da country, da folk e de outras formas musicais cristalizadas nos Estados Unidos no século XIX ou inícios do século XX: The Soaked Lamb é outro grupo que parte da nascente dos blues e depois os leva para o céu; Old Jerusalem é um cantautor de enorme talento que vai à folk ianque para a personalizar e transformar; os Unplayable Sofa Guitar pegam na country e fazem dela gato-sapato, electrificando-a e distorcendo-a em rock; e os A Jigsaw (na foto) fazem canções maravilhosas a partir das mesmas bases musicais. Estamos muito bem servidos.




Amália Hoje, Rão Kyao Amanhã?
por António Pires, Publicado em 01 de Outubro de 2009

O incrível sucesso do projecto Hoje - embora muito mais relevante do ponto de vista comercial que artístico, tal como aponta uma das melhores "críticas de música" jamais feitas em Portugal, num sketch d'Os Contemporâneos - é, pelo menos, revelador de que o fado, quando mudado com profissionalismo, tem tantas potencialidades de renovação como o tango (via Gotan Project), o jazz manouche (via Caravan Palace), o flamenco (via Ojos de Brujo) ou a música balcânica (via Shantel), etc. No entanto, o colectivo que já vendeu mais de 40 mil exemplares do seu disco "Amália Hoje" - e que inicia hoje, dia 1, uma mini-digressão de apresentação do disco que o leva à Figueira da Foz, aos Coliseus de Lisboa e Porto e a Vila do Conde - não descobriu a pólvora. No já longínquo ano de 1983, Rão Kyao (na foto), directamente saído do circuito do jazz, teve igualmente um enorme sucesso com o álbum "Fado Bailado", em que o saxofone substituía a voz na interpretação de muitos fados e, muitos deles, bem conhecidos na voz de... Amália Rodrigues. O mesmo Rão Kyao que depois gravaria álbuns próximos do fado como "Viva o Fado", "Fado Virado a Nascente" ou o novíssimo "Em'Cantado", editado esta semana, em que o músico conta com as vozes de fadistas como Camané, Carminho, Ricardo Ribeiro ou Ana Sofia Varela. Vai ser curioso observar como "Em'Cantado" poderá ou não sofrer - para o bem e para o mal - os efeitos do furacão Hoje.

26 julho, 2010

Kimi Djabaté - Um dos Destaques de Sines em Entrevista


Originalmente publicada na "Time Out Lisboa", esta entrevista com Kimi Djabaté pode também servir de aperitivo ao concerto que este cantor e músico guineense vai dar esta semana no FMM de Sines. Mais em baixo segue a crítica ao novo álbum de Djabaté, "Karam".

Sob o Foco
Kimi Djabaté

Ao segundo álbum, o griot guineense Kimi Djabaté chega a uma grande editora internacional de world music, a Cumbancha, o selo da Putumayo dedicado à descoberta de novos valores musicais. E “Karam”, o álbum, merece todos os elogios entusiásticos que anda a receber um pouco por todo o lado...

Kimi, podes começar por explicar o que é um griot?

Há griots na Guiné-Bissau e noutros países ali à volta desde há séculos. Um griot é um músico que conta as histórias do povo e dos reis. Muitas vezes, eram os griots que, nas zonas de conflito, iam lá para obter a paz. Também servem para dar o devido reconhecimento, através da sua música, às pessoas que fazem coisas importantes ou que estão no bom caminho ou para levantar a moral das pessoas que estão em baixo.

O teu novo álbum, “Karam”, é quase um álbum conceptual, ao antigo estilo do rock progressivo, não musicalmente mas no sentido de cada canção ter uma dedicatória a alguém ou a alguma coisa que achas importante.

O álbum reflecte a minha maneira de ver o mundo, hoje. Mais especificamente, desde que estou na Europa comecei a olhar para África de uma maneira diferente e tenho que dizer que há coisas que não me agradam muito por lá – e falo delas nas minhas canções. Mas também presto homenagem a pessoas com quem concordo ou que eu admiro, como Dabó ou Fatumata. Mas também falo dos conflitos entre etnias, dos fulas e dos mandingas, na Guiné-Bissau e noutros países africanos. Falta democracia, falta estabilidade – um país pode estar calmo num dia e no outro já não estar -, há muita miséria... E é disso que fala o disco. Do sofrimento dos povos e também de coisas que sofro dentro de mim.

Tu falas de assuntos tristes – por vezes, trágicos – mas sobre uma base musical muitas vezes luminosa, alegre, dançável...

Não concordo. As pessoas podem achar que a música é alegre, mas eu sinto-a triste, quando falo de coisas tristes. Quando eu componho e me inspiro, por exemplo, na situação do meu país – que está muitas vezes em guerra e onde eu continuo a ter a família – não consigo dar à música a alegria de que muita gente pode estar à espera.

Uma característica muito bonita dos músicos da Guiné-Bissau que vivem em Portugal é colaborarem muitas vezes todos juntos. Neste teu álbum também tens muitos deles (Braima Galissá, N'dara Sumano, Maio Coppé...), os Guiné All Stars todos!

Sim, foi de propósito. Eu busco sempre a união entre todos. Nós, guineenses, temos que nos unir e ajudarmo-nos uns aos outros. Um músico sozinho não faz nada! Mas também há músicos de outros países: portugueses, moçambicanos, uma senegalesa, um guitarrista dinamarquês...

O teu primeiro álbum, que saiu há cerca de cinco anos, era uma gravação caseira, muito simples... Este, ao contrário, tem uma excelente produção e estás numa grande editora. É um grande salto.

É, é um grande salto. Mas não me esqueço das pessoas que trabalharam comigo no primeiro e que me acompanharam até aqui. Também foi importante. Mas estou muito feliz por fazer parte da Cumbancha: está a levar o meu trabalho a sítios com que nunca sonhei.




Kimi Djabaté
"Karam"
Cumbancha/LeveMuisc

Radicado em Portugal há quinze anos, o cantor, guitarrista e balafonista (o balafon é um xilofone tradicional da África Ocidental) Kimi Djabaté nasceu na Guiné-Bissau, no seio de uma família de griots – os transmissores ancestrais da sabedoria dos povos da África Ocidental. E não fugiu ao seu destino. Músico desde criança, editou há alguns anos o álbum de estreia, "Terike", mas é agora, com o segundo Karam, que está a gerar um grande sururu no circuito da world. Sururu merecido: em "Karam" está toda a tradição griot – dos textos cantados aos instrumentos (balafon, kora, etc...) - mas também uma magnífica pulsão eléctrica que a leva para o futuro. Em “Mogolu”, uma canção lindíssima (mas não a única), a guitarra e o resto parecem Ali Farka Touré. E isso é bom. (****)

25 julho, 2010

Festival Folk/Celta de Ponte da Barca Regressa em Agosto


Directamente pilhada do blog Sons Vadios,aqui fica a notícia da terceira edição do Festival Folk/Celta de Ponte da Barca, que decorre nos dias 14 e 15 de Agosto:

"Ponte da Barca vai ser palco, no fim-de-semana, dias 14 e 15 de Agosto, pelo 3º ano consecutivo, do Festival Folk/Celta. Este evento pretende, à semelhança das edições anteriores, ser o veículo para o cruzamento de sonoridades musicais folk e celtas, contando para o efeito, com a participação de grupos vindos de Portugal e Espanha. Paralelamente aos espectáculos, haverá animações e diversas outras actividades.

Os espanhóis Keympa são o grupo convidado para abrir esta terceira edição do festival folk celta. Considerados como um dos nomes seguros da música folk em Espanha, afirmam cada vez mais nas suas canções as suas influências celtas, fazendo com que cada concerto seja um espectáculo contagiante de ritmos, em que se descobre um novo caminho, uma via de fusão, um ponto de encontro que não obedece a fronteiras, quer as geográficas quer as dos sentimentos.

A dividir o palco com os keympa no 1º dia de festival vai estar a Brigada Victor Jara, um dos nomes de referência da música popular portuguesa, que ao longo dos anos recolheram músicas de todas as regiões portuguesas, reflectindo nos seus concertos a diversidade sonora de Portugal com as canções mais ritmadas do norte, as belas harmonias do Alentejo e trazendo ainda influências de locais tão díspares como o Norte de África e a Escócia.

No Segundo dia (15 de Agosto), subirão ao palco os Lufa Lufa (na foto), projecto originário do Porto, que têm como cartão de visita “Foledad”, um reportório de temas originais que percorre distintas linguagens musicais e com uma forte componente visual e cénica, transportando o espectador por paisagens imaginárias.

Para encerrar mais uma edição do festival folk celta, que tem dado mostras da sua importância enquanto crescente referência do concelho de Ponte da Barca, vão actuar os Luar na Lubre, uma das mais importantes referências do panorama musical Galego e a que talvez tenha um maior impacto internacional, com uma carreira de mais de 20 anos recheados de êxitos, prémios e distinções um pouco por todo o mundo.

O grupo tem como base de trabalho a preservação da identidade da cultura galega, dedicando uma grande atenção ao cancioneiro tradicional daquela região espanhola que é o seu grande campo de trabalho e pesquisa.

Resta acrescentar que este festival é organizado pelo Município de Ponte da Barca, e pela Adere-PG, inserido no projecto POCTEP, Natura Xurês Gerês, Gestão conjunta do Parque Natural da Baixa Limia Serra do Xurés, Chefe de fila – Xunta de Galicia-Conselleria do Medio Rural- Dirección Xeral de Conservación da Natureza; Parceiro 1 – Departamento de Gestão das Áreas Classificadas do Norte | Parque Nacional da Peneda-Gerês; Parceiro 2 – Associação de Desenvolvimento das regiões do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Todos os espectáculos têm início marcado para as 22h00, com entrada livre."

Mais informações, aqui.

23 julho, 2010

Festa do "Avante!" - Programa Completo dos Palcos Principais


O site do PCP já divulgou a programação musical completa dos palcos principais da edição deste ano da Festa do "Avante!", que se realiza mais uma vez na Quinta da Atalaia (Amora/Seixal), de 3 a 5 de Setembro:

"Artistas da Festa do «Avante!» 2010

A Naifa
A vontade de continuar sobrepôs-se à dor da perda e uma nova Naifa nasceu no espectáculo de homenagem a João Aguardela no CCB. Com Luís Varatojo, Sandra Baptista no baixo e Samuel Palitos na bateria, a semente deixada pelo João foi lançada de novo à terra e volta a dar frutos. O trabalho dum grupo marcado pela criação de um repertório totalmente original.
http://www.anaifa.com/

Abrunhosa & Comité Caviar
Três anos depois de «Luz», Pedro Abrunhosa regressa – e parte para longe! Um disco que corresponde à sua necessidade de mudança e de quebrar rotinas. Vieram João Bessa e o Comité Caviar (teclados e órgão, guitarras, baixo, bateria e percussão, piano e coros).
Mudou ainda mais no som: jazz, funky de raízes fundas, lado a lado com os seus mestres na canção europeia, tudo acrescenta com o som do rock de tónica americana e, sobretudo - qualidade.
http://www.abrunhosa.com
http://www.myspace.com/abrunhosa

Adriana
Adriana, formada no Conservatório com apenas 16 anos, não parou de aprender. Universidade em Lisboa, experiência em Paris e uma bolsa para Boston. Na América formou-se com distinção e, depois, o que realmente importava: a escrita, íntima, pessoal, cuidada. Lança o seu álbum de estreia. Faz quase tudo: canta e toca, mas também assina as letras, as composições e os arranjos. Em palco, ainda se revela mais: a expressão viva de um corpo que também canta.
http://www.adriana.com.pt


Ana Laíns
Ana Laíns construiu-se nos concursos da televisão, da rádio, nas colectividades. Em 1999 sagrou-se vencedora da Grande Noite do Fado. Depois, os Casinos, Estoril, Figueira, Espinho, Póvoa. E também musicais. Na bagagem de todas essas viagens – estava o piano: «Tem estado sempre presente na minha vida. Mas a música portuguesa sempre foi a maior paixão, o Fado, a música tradicional. Adoro a liberdade de poder cantá-los acompanhada apenas pelo piano.”
http://www.myspace.com/analains

António Chaínho
com Isabel de Noronha e Pedro Moutinho
O reconhecimento internacional das suas sempre surpreendentes apresentações, levam António Chaínho a ser considerado entre os melhores 50 instrumentistas da world music pela revista Songlines. Depois do Brasil e de África, a guitarra portuguesa do Mestre António Chainho viaja até à Índia. Em LISGOA, o projecto que nasceu desta viagem, o desafio é surpreender novamente o público, ligando à guitarra portuguesa sonoridades de instrumentos indianos reunindo diversos músicos em palco e a que se junta uma segunda parte dedicada ao Fado com as vozes de Isabel Noronha e Pedro Moutinho,
http://www.antoniochainho.com

Baile Popular
“Eu e o João Monge somos amigos de infância. Desta vez fomos directamente à fonte das palavras. O Povo Alentejano tem um cantar único e próprio que define um país único. A paisagem do sul cruza-se neste Baile Popular com universos que vão desde o Nordeste brasileiro, até à roulotte estacionada algures no deserto americano. O Zé Emídio, o Luís Espinho, o Paulo Ribeiro, o João Paulo são as vozes, o Mário Delgado, o Alexandre Frazão, o Miguel Amado e eu, armamos o resto do baile. Peguem na mão de quem amam e venham. Dancemos e cantemos este Baile Popular.” João Gil
http://www.myspace.com/bailepopular

Bernardo Sassetti Trio
“Muito do que hoje sei devo-o a este trio, ao Carlos Barretto – irreverente como poucos, sempre em constante diálogo com os outros, “astrológico” – e ao Alexandre Frazão – simultaneamente pela força e subtileza das sonoridades da sua bateria e pela energia que dá à dinâmica deste trio.
Conhecemo-nos bem.” Bernardo Sassetti
http://www.oncproducoes.com/musicos/sassetti/trio.html

Brigada Victor Jara
“Quando aconteceu a primeira Festa do Avante! a Brigada Victor Jara lançava, já, vozes e instrumentos. O nosso primeiro Palco foi levantado no Jamor por mãos militantes, as mesmas que fazem o Partido. Estávamos em 1977 e, desde então, foram raros os Setembros em que não marcámos encontro. A Brigada considera cada ano a Festa a data de um calendário novo, herdeiro das velhas tradições festivas populares. É o momento em que o Verão se despede e a luta reacende desejos de um mundo melhor.” Manuel Rocha
http://brigadavictorjara.blogspot.com/

Bunnyranch
Os Bunnyranch surgem no ano de 2001 em Coimbra e lançam o primeiro registo discográfico em 2002. Em 2004, o primeiro longa duração, uma digressão nacional. Em 2005 representam Portugal no Eurosonic, na Holanda, e vão a Espanha, França e Grã-Bretanha. No ano seguinte, a banda é alvo do galardoado documentário Rockumentário, de Sandra Castiço. Em Fevereiro de 2010 editam o seu mais recente álbum If you missed the last train.
http://www.myspace.com/bunnyranchspace

CACIQUE’97
De Portugal e Moçambique, CACIQUE’97 é um colectivo de afrobeat dez músicos de conhecidos bandas funk, reggae e afro. Uma banda sonora global, dos novos tempos, sem perder o lado reivindicativo e de promoção da consciência social característica do afrobeat. Recentemente lançaram o seu segundo videoclip, Sr.Diplomata, e têm a agenda preenchida com concertos e festivais na área do world music .
http://www.myspace.com/cacique97

Camba Tango
Fundado em 2006, em Buenos Aires, este novo grupo de tango depressa se destacou na cena musical argentina, brindado com os prémios Carlos Gardel. Tocaram no Centro de Convenções do Parque Norte, tal como nas milongas mais populares milongas porteñas. Em 2007 encerram o Festival “A Guitarra: da Renascença ao Rock” e, em 2009, realizaram uma tournée pelo Japão, Singapura e Tailândia. A sua digressão europeia de 2010 conta, com o apoio do governo argentino no âmbito de um prémio pela divulgação do tango.
http://www.cambatango.com

Catarina dos Santos
Catarina dos Santos nasceu no Barreiro, em 1977. Desde pequena viveu a música portuguesa, de Angola, Cabo Verde, do Brasil. Estuda Pintura e Cerâmica na Universidade de Lisboa, música no Conservatório, jazz no Hot. Prossegue nos Estados Unidos e no Brasil onde grava os seus primeiros discos. Faz um trabalho de pesquisa no Nordeste do Brasil. Em Agosto de 2009 lança o Balanço do Mar em Lisboa e é convidada para participar no CCB ao lado de Seun Kuti e Branford Marsalis. Catarina vive entre Nova Iorque, Recife, Brasil e Lisboa.
http://www.myspace.com/catarinadossantos

Claud
Claud iniciou a sua carreira a solo em 2006 com o Contradições, a que se seguiu Pensamento, ambos considerados disco Antena 1. O cruzamento entre os instrumentos tradicionais como a braguesa, a gaita de foles, o adufe as caixas, com os sons tecnológicos e a voz grave e quente de Claud, dão uma cor inconfundível a uma presença diferente.
http://www.claudmusic.com

Dany Silva e Celina Pereira
Nascido na Cidade da Praia, Dany Silva vive em Portugal desde 1961. A música acabou por triunfar sobre o engenheiro agrário e deu um dos mais relevantes músicos da cena cabo-verdeano. Com uma vasta discografia e um longo historial de colaboração com músicos portugueses, largamente contribuiu para o encontro entre as duas sonoridades, traduzido no recente lançamento de dois novos álbuns.

Celina Pereira igualmente se fixou em Portugal há vários anos, mantendo um empenho particular na preservação das antigas tradições musicais e poéticas cabo-verdeanas em risco de desaparecimento (o seu último trabalho é pensado para a área da educação intercultural e resulta de um extenso trabalho de investigação).
http://www.danysilva.com
http://www.celinapereira.com

Dazkarieh
Após um caminho de dez anos de vida, os Dazkarieh conseguiram criar um som inconfundível. É o som do passado pelos instrumentos antigos e acústicos e é o som do presente que se ecoa quando se transforma em distorção pura. É a tradição portuguesa, mas também uma tradição dos nossos dias que provocam uma explosão sonora, ainda que plena de intimismo.
http://www.myspace.com/dazkarieh

Demian Cabaud Quarteto com Leo Genovese
O mais recente CD do contrabaixista Demian Cabaud, Ruínas, mostra-nos várias facetas deste músico argentino, que vindo dos EUA há já 5 anos, se integrou com naturalidade na cena jazzística portuguesa. Este grupo, um quarteto sem instrumento harmónico, interpretará melodias escritas por Demian completando-se com a presença em algumas das faixas do pianista Leo Genovese.
http://www.myspace.com/demiancabaud

Deolinda
E surgiu a Deolinda (na foto), que é fictícia. Até certo ponto, embora por vezes ganhe corpo e assuma a forma da cantora Ana Bacalhau. Hoje em dia já seria fútil evocar o entusiasmo que o quarteto da cantatriz Ana, das guitarras dos irmãos Martins e do contrabaixista Zé Pedro Leitão suscitaram antes e depois da publicação do primeiro álbum, Canção ao lado. Passaram-se dois anos. Ultrapassaram as salas pequenas, as salas maiores, concertos, festivais, multidões ao ar livre. E a seguir para os teatros, rádios e televisões de outros países.
http://www.deolinda.com.pt/

Diabo na Cruz
Diabo na Cruz faz a ponte entre duas margens que viveram separadas: música moderna portuguesa e música popular portuguesa. Cinco músicos com temas que são do mais fresco e entusiasmante que se fez por cá nos últimos anos. Os Diabo na Cruz recuaram ao tempo em que a música tradicional era rainha e juntaram-lhe a atitude do século XXI.
http://www.myspace.com/diabonacruz

Dias da Raiva
Os Dias da Raiva fazem parte de uma série de bandas com relevância em Portugal de há mais de uma década. O que une este cinco elementos nesta espécie de “super grupo” é uma urgência na música e nas palavras: "Vamos despojar-nos de tudo o que é supérfluo para nos concentrarmos apenas na força da energia pura rápida curta e sem vírgulas. Bem vindos aos dias de raiva".
http://www.myspace.com/osdiasderaiva

Eina
Uma palavra de ressonância obreira, EINA (ferramenta, em catalão) é o nome que os membros dos Inadaptats escolheram para uma nova fase: “Aqueles que pensavam que a idade é o antídoto para o pensamento revolucionário escrevem – enganaram-se connosco. Voltamos com as intenções mais subversivas do que nunca, com o explosivo mais eficaz: os livros”. E A Arte da Guerra é o titulo do primero álbum, baseado na obra célebre do teórico militar chinês Sun Tzu. Para adaptação musical, os EINA gravaram catorze temas. Um CD-Livro e um espectáculo com Sun-Tzu, mas agora ao som do metal, do hip-hop e do punk da era Inadaptats.
http://www.myspace.com/einappcc

Expensive Soul
Passaram-se quatro anos desde “Alma Cara” e o amadurecimento estético é notório no 3º disco dos Expensive Soul. O single de avanço, O Amor É Mágico, tomou rapidamente de assalto as principais rádios portuguesas e renovou o interesse do público. O título “Utopia” tem tudo a ver com as canções já que segundo os autores “relatam um mundo nosso ou imaginado por nós para atingirmos a perfeição. Utopia, né?!”
http://www.expensivesoul.com/

La Rumbé
La Rumbé nasce do underground barcelonês em 2003. É um grupo poeticamente transgressor, que junta de maneira natural a rumba, o rock, as músicas tradicionais. Seis anos tocando, nos quais abriram concertos de lendas vivas como Los Patriarcas de la Rumba, em salas como L'Auditori ou Luz de Gas em Barcelona, Sala Sol, ou Boca del Lobo em Madrid. Em festivais em Espanha e Itália. Também tocaram na prisão de La Trinitat, em Barcelona. Em Itália e na Suécia. Desde Janeiro de 2008, a Fratelos Tour levou-os a mais de 90 sítios em toda a Espanha – e chegaram a Lisboa!
http://www.myspace.com/larumbe

Luísa Basto
Luísa Basto celebra "40 anos a cantar o Povo e a Liberdade". Nasceu no Alentejo, em Vale de Vargo, à beira de Serpa. Estudou canto e música, licenciando-se em 1973 no Instituto Musical Pedagógico do Estado em Moscovo. Regista canções com palavras de nomes como Eugénio de Andrade, José Gomes Ferreira, Manuel da Fonseca, Ary dos Santos, Florbela Espanca. O seu trabalho discográfico "Alentejo" é um hino de amor à terra e suas gentes. O seu último CD com poemas de António Henrique inclui temas musicais de João Fernando (autor/compositor de eleição de Luísa), José Alberto, Manuel Gomes e Fernando Gomes. Luísa Basto estará na Festa do Avante! acompanhada pela Big Band Loureiros e Grupo Scala.

Monte Lunai
Os Monte Lunai lançaram em 2009 o álbum In Temporal com excelente acolhimento. É um disco feito por músicos muito diferentes, pegando em tradições de diversos países, transformando sonoridades actuais e muito próprias. Constituído por instrumentos pouco comuns, o grupo dedica-se à revitalização de temas e danças de diversas regiões do mundo: a música francesa, alemã, portuguesa, irlandesa, grega, bretã, galega entre outras!
http://www.montelunai.com

MUXIMA
Janita, Filipa Pais, Ritinha Lobo, Yami

Muxima é o nome que dá vida ao álbum de homenagem ao Duo Ouro Negro e que assinala os 50 anos do seu início, um dos projectos musicais mais carismáticos da década de 60 em Portugal. Hoje, são quatro músicos lusófonos: os portugueses Janita Salomé e Filipa Pais, bem como a cabo-verdiana Ritinha Lobo e o angolano Yami, os quais emprestam as suas vozes aos mais emblemáticos temas dos Duo Ouro Negro. O nome surge exactamente porque muxima é a palavra angolana para “coração”, e as músicas dos Duo Ouro Negro estão guardadas no coração de muitos portugueses.

Orquestra de Jazz de Matosinhos
com Kurt Rosenwinkel
O guitarrista norte-americano Kurt Rosenwinkel é o solista convidado da Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM) no concerto da Festa do Avante!. Rosenwinkel é tido como um seguidor de músicos como Metheny ou Scofield, mas conseguiu já impor a sua linguagem própria. Com este concerto, a OJM reforça a aposta na política de ligação a grandes instrumentistas, com quem partilha projectos que têm trazido a Portugal nomes como Chris Cheek, Lee Konitz, Dee Dee Bridgewater ou a compositora Maria Schneider.
http://www.ojm.pt

Peste & Sida
Os Peste & Sida iniciam a sua carreira em 1986. Em 1991, o grupo começou a a ter uma actividade paralela sob o nome de Despe e Siga e em 95 dá-se a separação. Um dos fundadores, João San Payo, convicto de que os Peste & Sida têm futuro, passou à reconstrução. Em Outubro de 2002, a Universal lança a compilação A Verdadeira História dos Peste & Sida e em 2003 concretiza-se a reactivação com um espectáculo que esgota a lotação do Santiago Alquimista. Em 2004 sai o quinto álbum dos Peste & Sida com o título Tóxico. A banda tem novidades, os espectáculos sucedem-se e reafirma-se com o grande grupo punk da cena portuguesa.
http://www.myspace.com/pestesida

Ricardo Pinheiro Sexteto
Neste concerto, que conta com a participação de Mário Laginha, João Paulo Esteves da Silva, Alexandre Frazão, Demian Cabaud e Pedro Moreira, o Sexteto do guitarrista Ricardo Pinheiro irá apresentar ao vivo o disco Open Letter. Composto por música e arranjos da autoria do guitarrista, este trabalho combina todo um conjunto de influências que se funde na perfeição com a personalidade dos músicos envolvidos.
http://www.myspace.com/ricardofutrepinheiro

Roberto Pla All Stars
Roberto Pla - o «Rei dos timbales» - nascido em Barranquilla, na Colômbia, transformou-se numa lenda entre os percussionistas do seu país, o que acabou por o integrar na famosa La Tradición, que o traz para Europa em 1987, fixando-se em Londres onde se transforma num verdadeiro «guru» do som latino-americano no Velho Continente. Participa em numerosas gravações, bandas sonoras e montagens teatrais, com Joe Strummer ou Kate Bush. A sua formação habitual, os All Stars Latin Ensemble (com o qual se apresentará na Festa) inclui seis percussionistas, quatro sopros, teclados e dança.
http://roberto-pla.150m.com/


Sebastião Antunes e Quadrilha
A Quadrilha liderada por Sebastião Antunes vai na Festa viajar ao longo dos seus seis CDs. Este o concerto que será como habitualmente efusivo, interventivo e com uma energia contagiante. Mas não só. Depois de décadas a liderar projectos colectivos, eis que este músico surge também a solo: Cá Dentro… Sebastião Antunes tece este casulo de música do qual se soltam doze canções que têm de ser ouvidas.
http://www.quadrilha.net/

Stonebones & Badspaghetti
Os Stonebones & Badspaghetti são a única banda de bluegrass em Portugal. Nasceram no início de 2009, como consequência de sessões improvisadas em casa de Bryan Marovich, estudante americano que vivia em Portugal e entusiasta deste estilo de música da América popular das montanhas Apalaches. Cedo construíram um forte núcleo de fans ao qual se juntam outros músicos, hoje uma banda única no panorama nacional.
http://www.myspace.com/stonebonesandbadspaghetti

The Flawed Cowboys
Vieram da Austrália e da Irlanda. Tocam tudo o que faz da música irlandesa, galesa, norte-americana um padrão da qualidade e da sensibilidade dos instrumentos acústicos, do banjo à harmónica, do contra-baixo ao dobro. Mick Daly, Frankie Lane, Chad Dughi e Damian Evans também cantam, com aquela harmonia vocal que não se sabe se nasce dos instrumentos ou são eles que dela nascem. E que se ouve na Irlanda, nos Apalaches – na Festa.
http://www.nodepression.com/profile/ChadDughi

http://www.myspace.com/frankielaneireland

Tim e Companheiros de Aventura
No seu novo espectáculo Tim apresenta para além dos seus originais belíssimas canções de outros compositores compostas e partilhadas pelos seus Companheiros de Aventura: Rui Veloso, Mário Laginha, Celeste Rodrigues e Vitorino estão presentes em palco, em temas únicos e inesquecíveis. Uma Festa! Este CD é o registo dos encontros casuais de Tim com alguns convidados muito especiais na Fábrica do Braço de Prata e no Museu do Oriente. Noites inesquecíveis, Companheiros de Aventura é a junção de várias correntes e gerações, a sensibilidade e a segurança de cada um dos convidados, uma mistura fina e poderosa. Companheiros de Aventura é um trabalho de amor, amizade, partilha e muita aventura.
http://www.musica.iol.pt/noticias/tim-novo-disco-solo-companheiros-de-av...

Tornados
Os Tornados, uma das mais desconcertantes bandas a surgirem do panorama nacional. Agora que, definitivamente, se assumem com a definitiva designação, actualizam o rock’n’roll e o surf da década de 60. Twist do Contrabando, editado em 2009, foi só um dos 10 melhores álbuns do ano da revista Blitz.
http://www.myspace.com/ostornados

US&THEM
A Festa do Avante! terá este ano, o prazer de saborear rock‘n’roll ao som duma banda entusiasmante e plena de energia que – como tantos outros grandes grupos nacionais – chega do Norte: os US&THEM. Com o seu primeiro EP lançado no início de 2010, Highway 19, assume as influências dos tempos áureos do rock.
http://www.myspace.com/usnthemband"


Fonte: http://pcp.pt/node/245004

18 julho, 2010

Cacharolete de Álbuns (Híbridos e Sem Ligações Aparentes)


As músicas, cada vez mais, viajam livremente entre várias épocas e vários continentes e vários géneros. E ainda bem. Hoje aqui ficam mais quatro bons exemplos de músicas híbridas, rafeirosas (e todos nós sabemos que os melhores bichos também o são), abertas... Senhoras e senhores, os Tribeqa, Carolina Chocolate Drops, ErsatzMusika e Cibelle (na foto,de Socrates Mitsios), tal como vistos por mim há alguns meses na "Time Out Lisboa".


Tribeqa
"Tribeqa"
Underdog/Massala
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A base da sua música é o jazz, mas os franceses Tribeqa juntam-lhe funk, bossa-nova, soul, hip-hop (está aqui DJ Greem, dos C2C e Hocus Pocus, no scratch), música árabe e um quase omnipresente balafon mandinga (e a flauta do marfinense Magic Malik num dos temas) a levar tudo para África. Liderados pela compositora, vocalista e percussionista (incluindo o balafon e o vibrafone) Josselin Quentin, os Tribeqa partem de Nantes para visitar variadíssimas “músicas do mundo” mas com um som muito próprio e original. Um dos treze temas de "Tribeqa" – álbum homónimo e de estreia do grupo - tem título em português, “O Bêbado”, e, de facto, é o delírio alcoólico-musical mais perfeito que alguma vez se fez; que nos perdoem Tom Waits, Shane MacGowan, Janis Joplin, Hanggai e Serge Gainsbourg.




ErsatzMusika
"Songs Unrecantable"
Asphalt Tango/Megamúsica
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Grupo formado maioritariamente por músicos russos, embora a viverem na Alemanha, os ErsatzMusika são um objecto (muito) estranho no meio musical da actualidade: a cantora, multi-instrumentista e compositora de muitos dos temas, Irina Doubrovskja, canta como se tivesse na voz Marlene Dietrich, Nico e Marianne Faithfull; e o som da banda vai – sem pudores nenhuns e como se todos pudessem conviver livremente - ao cabaret berlinense dos anos 30 e aos Velvet Underground, à música cigana do leste europeu e aos Echo and The Bunnymen, à Penguin Cafe Orchestra ou aos Doors. Mas em “Oy, Pterodactyl” soam como se os B-52's fizessem uma versão circense de um tema qualquer do Elvis Presley. Faz confusão? Sim. Mas depressa desaparece quando a paixão fala mais alto.



Carolina Chocolate Drops
"Genuine Negro Jig"
Nonesuch/Warner
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Produzido por Joe Henry, "Genuine Negro Jig" é o quarto álbum do fabuloso trio Carolina Chocolate Drops, um grupo que recria as antigas canções para cordas (banjo, rabeca, por vezes guitarra e autoharpa) da zona do Piedmont, transversal à Carolina do Sul e Carolina do Norte. Mas o trio, que apresenta ainda duas magníficas vozes (uma masculina e outra feminina), não usa só esses instrumentos para recriar temas de dixieland, blues, country e até folk inglesa e irlandesa: garrafões (soprados à velha maneira das “jug bands”), colheres percutidas, kazoo, invenções vocais (de beatbox a uma imitação das vozes guturais de Tuva) estão também presentes nesta música ao mesmo tempo muito antiga e absolutamente actual (não por acaso, um tema de Tom Waits encaixa que nem uma luva no restante conjunto).




Cibelle
"Las Vênus Resort Palace Hotel"
Crammed Discs/Megamúsica
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Apesar de ser brasileira, Cibelle tem-se afastado cada vez mais do carimbo “Brasil” e optado por um percurso próprio, pessoal, cada vez mais reconhecível como uma marca “Cibelle”. E isso é bom. No seu novo álbum, lindíssimo e hiper-equilibrado, Cibelle é ela mesma armada com o alter-ego Sonia Khalecallon, a mesma que nos dá as boas-vindas ao seu "Las Vênus Resort Palace Hotel"... E, como se pode por isso compreender, este é um álbum conceptual – onde nem faltam passarinhos e relógios a unir as faixas – cheio de belíssimas canções muito bem cantadas e onde a música exotica convive com a alt-country, electrónicas elegantes, o cabaret, lounge tropical, versões inesperadas ("007", "Os Marretas"...), a freak-folk e, sim, também alguma música brasileira, embora, “mutante”.

16 julho, 2010

Andanças - Flocking leva os Bailes para o Futuro










Para quem pensa que o Andanças está apenas agarrado a danças do passado - ou do presente -, aqui fica um dos destaques da programação deste festival que ocupa, mais uma vez, a aldeia de Carvalhais (S. Pedro do Sul), de 2 a 8 de Agosto, e que puxa definitivamente o Andanças para o futuro:



Flocking: tecnologia de bailes interactivos

O projecto "Flocking", com direcção artística de Luís Miguel Girão, é uma co-produção Artshare/PédeXumbo. Este projecto trabalha no campo da criação de bailes interactivos, explorando o conceito de trabalho em grupo versus massas anónimas. Neste projecto, os bailadores induzem, através da dança, o ambiente sonoro a despoletar, graças à presença de sensores, que condicionam o ritmo da música e o repertório seleccionado por um computador - um pouco como um cardume de peixes muda de direcção em simultâneo – o nome “flocking” deriva do inglês “flock” (rebanho/bando).

A dinâmica de inteligência colectiva, apesar de ser trabalhada por meios complexos, é simples: se os bailadores dançam num ritmo mais rápido ou lento, ou com figuras mais complexas ou simples, a música tocada segue essa influência - e vice-versa.
Um tal processo interactivo nunca foi testado...até agora. E será no Andanças, tendo como base os repertórios da música e dança tradicional, que tal experiência-piloto terá lugar, aproveitando o facto de aí estarem presentes 25.000 pessoas, grande parte delas amantes da música tradicional, músicos e dançarinos experientes.

Mais informações:

http://www.andancas.net/pt/programacao/50
http://www.gehlhaar.org/pages/soundspace.htm
http://www.artshare.com.pt/trabalhos/soundspace.html
http://www.artshare.com.pt/trabalhos/coop.html



Update da comunicação anterior:


Comunidade

Em 2010, o Andanças vai transformar a aldeia de Carvalhais na verdadeira Comunidade Global. Vamos juntar músicos, dançarinos, voluntários, cientistas, artistas, de muitas origens: gente com ideias novas, brilhantes, originais, singelas ou loucas, para ver o Mundo de novas maneiras. Fazer da Utopia uma Pandemia! A programação inclui música de muitas partes do Mundo, de comunidades de artistas, de grupos sociais de bairros escondidos das nossas cidades, das aldeias onde se vive um espírito comunitário e de pessoas que partilham ideias, música e dança através de redes sociais na Internet - estamos todos ligados


Maior e Melhor

O Andanças está diferente! Há mais tendas com mais espaço para dançar, uma cantina maior e melhor, um novo sistema de compra de bilhetes on-line, novas pulseiras mais ecológicas (e bonitas!), descontos para famílias... E claro, mais sustentável: Menu Km-Zero com produtos locais, mais uso de energia solar e melhor gestão da água, Bus Andanças directo até Carvalhais para evitar trazer o carro...até a Caneca Andanças vai ser diferente. Venha conhecer as novidades deste ano!

Bailes, Concertos, Oficinas, Actividades paralelas

Este ano há mais diversidade e variedade: o Andanças trará danças de Moçambique, Timor, da França e do Brasil, da Rússia, Itália, Polónia, Cabo Verde ou Índia - sem esquecer as danças portuguesas do Alentejo (que também existem!), da Beira ou do Minho e muitas mais. Bandas lançam os seus CD (Nação Vira Lata, Monte Lunai, Uxu Kalhus, Eddy Slap); o projecto "Flocking" mistura tecnologia e tradição durante sete dias, numa experiência pioneira; as actividades paralelas e as conversas sobre Música e Dança, Open-Source, Direitos de Autor e Ecologia vão envolver toda a gente, para discutir e construir Comunidades mundiais e locais na já grande Comunidade que é o Andanças. Venha saber tudo o que há para ver e fazer!...

Mais fácil e mais rápido

Este ano o Andanças vende os bilhetes através da Internet, no site do festival, de forma mais cómoda, fácil e rápida - até se pode comprar no mesmo sítio o bilhete do Bus Andanças. Até 20 de Julho decorre a venda antecipada, com 20% de desconto. A partir dessa data, é praticado o preço normal.Como queremos juntar Comunidades, haverá descontos para famílias com dois ou mais filhos, crianças até 12 anos, associações parceiras e residentes de Carvalhais.
Consulte as informações completas no site em www.andancas.net

Site geral do Andanças:

http://www.andancas.net/