
A comemorar - sem oficialmente o comemorar - quarenta anos de carreira profissional no mundo da música, Dany Silva lançou recentemente o álbum «Caminho Longi», um excelente regresso para este cantor e compositor que foi pioneiro na mostra da música cabo-verdiana aos portugueses. Aqui em baixo seguem uma entrevista a Dany Silva e uma crítica ao disco «Caminho Longi» originalmente publicadas na «Time Out Lisboa» há algumas semanas.
SOB O FOCO
DANY SILVA
«Caminho Longi» é o novo álbum de originais de Dany Silva, oito longos anos passados sobre «Tradiçon». Gravado em Portugal e nos Estados Unidos, com Cabo Verde no horizonte, e sempre a meio caminho. Dany Silva conversa com António Pires.
Pelas minhas contas, se calhar mal feitas, o Dany tem cerca de quarenta anos de carreira feita em Portugal...
Comecei a ser músico profissional em 1968. Por isso estou mesmo a fazer quarenta anos de carreira!
E começou pelo rock...
Sim, com Os Charruas, Quinteto Académico+2, em grupos de casino... N'Os Charruas tocávamos versões dos Beatles, dos Bee Gees, etc... E no Quinteto Académico íamos mais à música negra norte-americana, ao rhythm'n'blues, à soul, ao funk, Otis Redding, James Brown...
E essas influências ficaram-lhe, não ficaram? Porque a sua música, apesar das raízes cabo-verdianas, não é somente cabo-verdiana...
É verdade. Não sou aquele músico típico cabo-verdiano, tradicional. Quando comecei a gravar música cabo-verdiana, utilizei sempre as influências que eu tive de outras músicas, não só a música norte-americana mas também a música popular portuguesa, a música brasileira, a música angolana... Quando comecei a gravar a solo, no fim da década de 70, para a Valentim de Carvalho, não podia cantar em crioulo, tinha que ser em português. Mas quando editei o meu primeiro álbum, «Lua Vagabunda», já tinha muitas canções em crioulo, com algumas em português. Aliás, em todos os meus discos tenho canções em português, que é uma língua fabulosa.
O Dany não tem a sensação de que passou ao lado de uma grande carreira internacional? E a razão para isso não será o facto de sempre ter vivido em Portugal?
Há músicos cabo-verdianos que chegaram à música muito depois de mim e que andam por todo o mundo... E ainda bem! Mas eles tiveram a sorte - e eu tive também a minha sorte - ou a oportunidade que eu não tive, que foi a de cair em mãos com indivíduos que trabalham lá fora, empresários, agentes, editores, que distribuem as coisas de outra maneira. Nunca fui aventureiro, no sentido de pegar nas minhas coisas e ir lá para fora.
Excepto agora, em que gravou boa parte do seu novo álbum, «Caminho Longi», nos Estados Unidos...
Sim, mas lá está! Vieram buscar-me. Não fui eu que procurei isto... Foi um acaso. O Barry Marshall (produtor do álbum) esteve em Portugal, em 2005, a acompanhar um cantor que ele produziu , o Philip Hamilton - que trabalhou com o Pat Metheny, a LaVern Baker... -, e conhecemo-nos na Casa da Morna, onde eu estava a tocar. E ele convidou-me a gravar um álbum com ele. Parte do álbum foi gravado nos estúdios de uma escola em que ele dá aulas, The New England Institute of Art, em Brookline (na zona de Boston). E o álbum foi gravado como um projecto de interesse para a escola. Gravei com músicos cabo-verdianos residentes lá e com músicos americanos. E o resto foi gravado cá, no estúdio do Rui Veloso... Com muito boa vontade de toda a gente! E, para além deste disco de originais, também aproveitámos para gravar um outro, com temas de toda a minha carreira - em duetos com Rui Veloso, Jorge Palma, Tito Paris, Nancy Vieira... -, que vai ser editado no próximo ano.
Para terminar: o tema «Caminho Longi» tem depois um parêntesis, «(In Memoriam)»... Pode explicar?
Esse tema é dedicado ao meu irmão, que morreu em 2001. O «caminho longi» é a eternidade...
DANY SILVA
«CAMINHO LONGI»
SaturdayNight/Fantasy Day

5 comentários:
Sou brasileira mas estou vivendo em Lisboa nesse momento. Foi aqui que eu conheci esse fantástico músico cabo-verdiano de nome Dany Silva. Gostei de ler sua entrevista e fiquei com vontade de ouvir esse Caminho Longi. No outro dia, encontrei essa entrevista em que ele também fala do novo disco. Escuta tudo aqui nesse link:
http://cotonete.clix.pt/quiosque/artistas/entrevistas.aspx?id=619
Carla:
Muito obrigado! E volte sempre!
Um abraço
i love this stuff
Deste Grande SENHOR da Música CaboVerdiana só se podia esperar mesmo o MELHOR, é fantástico como ele dedilha a guitarra e pela sua boca se entoam maravilhosas melodias, FORÇA AÍ DANY, a Rita e o Fernando apoiam e dão a maior força neste novo projecto, MERECE
Rita:
Muito obrigado pela visita :)
Um abraço
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