03 outubro, 2008

«Música nas Cidades» - É Obrigatório Lê-lo!


Porque é que o fado nasce em Lisboa, o tango em Buenos Aires, o gnawa no sul de Marrocos ou o krautrock em Berlim (e em outras cidades da Alemanha)?... As respostas a estas - e a muitas outras questões paralelas e/ou semelhantes - estão no magnífico livro «Música nas Cidades», de Manuel Fernandes Vicente, agora editado pela FormalPress, na colecção RésXXI. E, como tive a honra e o prazer de escrever o pequeno texto do prefácio deste livro, aqui o deixo (ao prefácio, claro) para um melhor esclarecimento. «Música nas Cidades» já está disponível numa livraria virtual ou real perto de si... e é absolutamente imperdível!

«Os géneros musicais, é sabido, não nascem de geração espontânea. São fruto de um tempo e de um lugar, filhos de outras músicas que, por uma razão ou outra, se juntaram num determinado sítio para dar origem a um som novo, a um género diferente, a um movimento ou revolução musical. E, não por acaso, as maternidades de muitas músicas, de muitas novas músicas, são cidades - a urbe como ponto de convergência de povos e de culturas, cadinho de dinâmicas sociais e de evoluções históricas, lugar de convulsões políticas ou da fixação de religiões. Neste livro, Manuel Fernandes Vicente demonstra (e desmonta) de forma brilhante a ligação umbilical, de raiz, de muitos géneros musicais com as cidades que lhes deram origem, num trabalho de pesquisa e análise valiosíssimo, sociológica e musicologicamente sério e profundo, não se confinando a prateleiras pré-definidas ou seguindo caminhos fáceis. Aqui podemos encontrar as razões por que o jazz só poderia ter nascido em Nova Orleães ou o tango em Buenos Aires, mas também avança resolutamente para o fado de Lisboa e a música «urbano-depressiva» do eixo Manchester-Liverpool, para o afro-beat de Lagos e para a música romântica de Viena, para o krautrock de Berlim e Munique e para o hip-hop de Nova Iorque, para o gnawa de Marraquexe ou a música electrónica de Tóquio, desenhando um atlas abrangente, vivo e alargado de muitas músicas novas ou antigas.

Diga-se, paralelamente, que tive o prazer de ler muitos destes textos quase em primeira mão, quando há alguns anos era chefe-de-redacção do BLITZ e tinha como função editá-los. Foi um prazer, na altura, lê-los. Como foi um prazer, agora, voltar a lê-los e saber que, mais que merecidamente, estes textos estão finalmente compilados em livro, muitos deles com significativos e preciosos acrescentos de actualidade. E muitos deles, ainda, absolutamente inéditos - como aquele que é dedicado ao FMM de Sines, como "cidade imaginária" de confluência de muitas músicas de muitos lugares -, entre alguns outros. Este livro que aqui começa e que, tenho a certeza, será lido por muita gente com o mesmo prazer que eu senti. Um grande abraço, Manuel».

7 comentários:

Eduardo F. disse...

Eheh.
Já o li.

E aproveito para fazer uns reparos, não tirando o mérito ao autor e ao trabalho realizado, obviamente.

Notei duas falhas graves, no que a cidades diz respeito: Braga (bem merecia...), Rennes, com movimentos musicais semelhantes, aliás. (acho que me surgiram outros, quando o li, mas agora não me lembro...)

Outro reparo, agora mais fundamentado. As escolhas dos 10 discos que faz para cada cidade. Em alguns casos, nos poucos que conheço, muitos deles não parecem fazer qualquer sentido. Ou porque nem são dos discos mais importantes da "cena" local, ou porque parece faltar informação e então abusa-se de discos do mesmo artista, ou porque se vai buscar discos que não se inserem na "onda", mas só porque são da cidade, lá aparecem listados...

Talvez venha cá dar uns exemplos, mais tarde, mas estou certo que quem ler este mesmo assim fantástico esforço não deixará de notar o que mencionei.

Abraço, António.

Eduardo F. disse...

Ah, acabo de me lembrar de outro exemplo. A cidade já lá consta, mas desta vez associada ao rock & roll. Coimbra, final dos anos 80, começos de 90. Bem podia figurar lá...

:)

António Pires disse...

Eduardo F:

A tua opinião - valiosíssima e bem-vinda como sempre - aqui fica. Mas não te esqueças que este é um livro de autor, com escolhas pessoais e com tudo o que isso implica. Acho este livro um trabalho admirável e digo-te que, ao longo dos meses em que os editei no BLITZ, aprendi muito com estes textos.

Um grande abraço!

José Fontes disse...

Boa tarde, de Coimbra!

Também já tive oportunidade de comprar e ler o «Música nas cidades», e devo reconhecer que o trabalho está muito bem feito, é extremamente meritório que o sr. Manuel Vicente tenha realizado esta recolha e tão bem tenha redigido os textos.

Embora faltem algumas referências a cidades que amo, o livro é único em Portugal, e interessantíssimo!

Um abraço deste leitor do seu Raízes e Antenas,

José Fontes

António Pires disse...

José Fontes,

Subscrevo! E obrigado pela visita ao R&A!

Um grande abraço...

Eduardo F. disse...

Claro, amigo António.
Quem me dera fazer um livro assim!

Abraço.

António Pires disse...

Eduardo F:

E porque não?... Atira-te! ;)

Grande abraço...