23 novembro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXXII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXXII.1 - Johnny Clegg


O cantor, guitarrista e compositor Johnny Clegg tem uma história de vida riquíssima e marcou com bravura a história da música sul-africana e do activismo anti-apartheid, através do seu trabalho a solo e nas suas bandas Savuka e Juluka. Nascido em Rochdale, Inglaterra, em 1953, de origem judia, Clegg passa por Israel, Zâmbia e Zimbabué, antes de chegar à África do Sul, com apenas nove anos. Na adolescência, Clegg conhece Charlie Mizla, um zulu, com quem começa a tocar e a aprender os fundamentos da música desta etnia, música que foi a sua principal fonte de inspiração ao longo de toda a carreira. E desde muito cedo, por ser branco, aprendeu que o facto de tocar com e para negros lhe traria dissabores no futuro. Mas Clegg nunca desisitiu e, com Sipho Mchuno, forma o grupo multiracial Juluka, que deu depois origem aos Savuka (já sem Mchuno). É, justamente, um herói na África do Sul.


Cromo XXXII.2 - Leilía


Belo exemplo de como se consegue revivificar a música tradicional de uma região, as Leilía, de Santiago de Compostela, iniciam no Verão de 1989 uma curiosíssima e importante cruzada de recuperação de velhas cantigas galegas. Excelentes cantoras e percussionistas (todas elas são exímias na antiga arte das pandereteiras; a complexa maneira de tocar pandeireta na Galiza), as Leilía têm mostrado ao longo dos anos como se consegue permanecer fiel às raízes ao mesmo tempo que se pode enriquecer a música com outros arranjos e harmonias. Da sua discografia fazem parte os álbuns «Leilía» (1994), «I é Verdade i é Mentira» (1998), «Madama» (2003) e a colectânea «Son de Leilía» (2005), que reúne raridades e colaborações com os Milladoiro, o gaiteiro Budiño e os bretões Bleizi Ruz, entre outros.


Cromo XXXII.3 - La Bottine Souriante


Um dos mais importantes grupos folk do Quebeque - se não o mais importante -, La Bottine Souriante é uma trupe de alegres foliões que fazem de cada concerto e de cada disco uma festarola pegada. Com influências maiores na folk dita celta (da Bretanha mas também, naturalmente, da Irlanda , Escócia...) mas também no rock, country, blues, salsa e na música acadiana - de forte influência francesa, tanto em várias zonas do Canadá como no sul dos Estados Unidos, nomeadamente na zona «nobre» do cajun, a Louisiana -, o grupo tem como principal missão não deixar morrer as tradições do Quebeque, levando-as para o futuro. Nascidos em 1976, editam o seu primeiro álbum «Y'a Ben du Changement» em 1979 e, desde aí, já deram várias voltas ao mundo, aproveitando também para, através da sua música, passar a mensagem de um Quebeque livre e francófono.


Cromo XXXII.4 - Afro Celt Sound System


Saídos do sonho e da visão de um músico e produtor inglês, Simon Emmerson, os Afro Celt Sound System (aka Afro Celts) são por ele formados em 1992 com a ajuda do produtor e multi-instrumentista James McNally, do vocalista e letrista Iarla O Lionaird e do produtor e programador Martin Russell. A ideia: fundir de forma orgânica e inteligente a música «celta» com a música africana, tudo junto num caldo de electrónicas subtis e elegantes. Um sonho que se transformou em realidade quando Peter Gabriel lhes abriu as portas da Real World para a gravação do seu primeiro álbum, «Volume 1: Sound Magic» (1996). E para a Real World gravaram os seus cinco álbuns até agora - e com um leque de músicos impressionante neles arrolados: Johnny Kalsi, N'Faly Koyate, Robert Plant, Sinéad O'Connor, Davy Spillane, Peter Gabriel, Ayub Ogada. Um mundo.

8 comentários:

Eduardo F. disse...

Caro António Pires, isto não tem muito a ver, mas, ao ver umas linhas sobre Botine Sourriante, lembrei-me de uns sujeitos que dão pelo nome de Tambours du Bronx.

Não sei nada sobre eles. Há a hipótese de um dia eles figurarem aqui nos cromos?

Obrigado.

António Pires disse...

Caro Eduardo F.:

Sim, de facto os Tambours du Bronx não têm nada a ver com os La Bottine Souriante :) Mas olha que são um belo grupo - francês, apesar da referência ao bairro nova-iorquino -, na linha dos pioneiros Stomp... E estes, os Stomp, sim, podem vir a fazer parte destes Cromos, um dia, pelo seu... pioneirismo e também pela sua arte belíssima e absoluta!... Mas obrigado pela sugestão!!! Porque, apesar de eu desafiar há meses os leitores do R&A a fazerem sugestões, só quatro ou cinco pessoas o fizeram (via e-mail) e só tu desta maneira tão directa :)

Um abraço e obrigado :)

MGB disse...

Destes cromos aliciaram-me as galegas que a Galiza é terra de música misteriosa e os alegres foliões do Canadá. A ouvir claro, porque não conheço.
Não querendo ser macaca de imitação, mas aproveitando a tua realembradura sobre as sugestões para os cromos, obriguei a memória a lembrar-se dos The Dannan. Nem sei se ainda existem. Tenho uns cds deles com músicas de que gosto muito. Bom, não é grande alvitre, mas é de vontade genuína. :))))
beijos

António Pires disse...

MGB:

Muito obrigado, claro!, pela sugestão dos De Dannan, que era um grupo excelente - e digo «era» porque acho que eles acabaram há algum tempo - e que cheguei a ver no Intercéltico do Porto, numa bela noite de música irlandesa (umas das muitas que passei por lá :))).

Beijos...

António Pires disse...

MGB (bis!):

Entretanto, fiz uma busca na net e encontrei o myspace dos De Dannan, «inaugurado» em 2006:
http://www.myspace.com/dedannanfolk

Ao que parece a banda, afinal, continua «viva» de alguma maneira... Ou não? Agradeço esclarecimentos (Ygg?? Mário C.??...).

Beijos (bis)...

isabel victor disse...

"Son de Leilía» (2005), que reúne raridades e colaborações com os Milladoiro (...)


Vou procurar e obrigada pelas dicas e visitas.

Abraço do tamanho do mundo (musical)

MGB disse...

Já visitei o my space deles. Foi bom ouvi-los em Hard Times. E parece que estão meio adormecidos desde 2001...
Obrigada António. :))
Beijos.

António Pires disse...

Isabel Victor:

Eu é que agradeço :) E, das Leilía, tenta descobrir também uma canção, do álbum, «Madama», que tem como mote a «maré negra» que invadiu as costas galegas: «Cantar Por Non Chorar» (é só vozes e pandeiretas e é... arrepiante).

Um grande abraço...


MGB:

Sim, o «Hard Times» é das melhores canções que eles têm. Mas a versão do... «Hey Jude», dos Beatles, também não é nada má :)

Beijos...