30 outubro, 2008

WOMEX de Sevilha - Os Concertos Começam Já Hoje


Quase, quase a chegar a Sevilha, para assisitir a mais uma edição da WOMEX na capital da Andaluzia, aqui deixo novamente o programa completo do cartaz de espectáculos que começam hoje a acontecer por lá (embora a feira tenha sido inaugurada ontem). E com a promessa de que darei conta de muitos deles neste blog quando voltar. Até já...


Quinta-feira, dia 30:

Showcases diurnos (FIBES)

- Liu Fang (China/Canadá)
- Zabit Nabizade Trio (Azerbaijão)

Showcases nocturnos (Teatro Lope de Vega e arredores)

- A Filetta (França)
- Alex Cuba (Cuba/Canada)
- Bassekou Kouyate & Ngoni ba (Mali)
- Cimarrón (Colômbia)
- DJ Grace Kelly (Brasil/Alemanha)
- Fatima Spar & The Freedom Fries
(Turquia/Bulgária/Ucrânia/Sérvia/Áustria)
- Kalman Balogh Gypsy Cimbalom Band (Hungria)
- Les Amazones de Guinée (Guiné-Conacri; na foto, de Pierre Rene-Worms)
- Speed Caravan (Argélia/Marrocos/França)
- Staff Benda Bilili (Congo-Kinshasa)

Tenda Off-Womex

- Gong Myoung (Coreia do Sul)
- Meddy Gerville (Ilha Reunião)
- Sofia Jannok (Suécia / Lapónia)


Sexta-feira, dia 31

Showcases diurnos (FIBES)

- Jouhiorkesteri (Finlândia)
- Ólöf Arnalds (Islândia)

Showcases nocturnos (Teatro Lope de Vega e arredores)

- Aurelio Martinez (Honduras)
- Camané (na foto de Augusto Brázio)
- David Walters (França)
- DJ Ishtar (Irão/Holanda)
- LA-33 (Colômbia)
- Magnifico (Eslovénia)
- Mike Marshall & Darol Anger with Väsen (EUA/Suécia)
- Ramiro Musotto & Orchestra Sudaka (Argentina/Brasil)
- Suzanna Owiyo (Quénia)
- Tumi and the Volume (África do Sul/Moçambique)

Tenda off-womex

- Dorantes (Espanha)
- Mastretta (Espanha)
- Peret (Espanha)

Sábado, dia 1 de Novembro

Showcases diurnos (FIBES)

- Beats in the Heart of Orient (Irão/Índia/Grécia/França)
- Salamat Sadikova (Quirziguistão)

Showcases nocturnos (Teatro Lope de Vega e arredores)

- Astillero (Argentina)
- Bako Dagnon (Mali)
- Bedouin Jerry Can Band (Egipto)
- Enzo Avitabile & I Bottari (Itália)
- Mo DJ (Mali)
- Sidestepper (Colômbia)
- Tomás de Perrate (Espanha)

Tenda Off-Womex

- Andreia Dias (Brasil)
- La Pupuña (Brasil)
- Mundo Livre S/A (Brasil)

Domingo, dia 2 de Novembro

Showcase diurno (FIBES)

- Vencedor do prémio WOMEX 08: Muzsikás

29 outubro, 2008

Atlantic Waves - É Esta a Última Edição?


Um e-mail de Miguel Santos recebido há algumas semanas já me tinha alertado para a possibilidade. E, agora, uma notícia da Lusa dá mesmo conta de que o festival Atlantic Waves - cuja edição de 2008 começa dia 1 de Novembro, em Londres - poderá nunca mais vir a acontecer. O que, a concretizar-se, seria uma perda enorme para a divulgação extra-portas da música portuguesa e lusófona. O Atlantic Waves tem sido, tão-só, o mais importante festival temático, feito em terras estrangeiras, centrado na música portuguesa (embora abrindo sempre espaço para músicas e músicos de outros lugares, da lusofonia mas não só) e seria de todo desejável a sua continuação. Do programa deste ano - tal como também se pode ler mais em baixo neste blog e com mais pormenores - constam concertos de Mariza, Gaiteiros de Lisboa, Mafalda Arnauth com Vinicius Cantuária, Berrogüetto, Uxía, Rabih Abou-Khalil (na foto) com o fadista Ricardo Ribeiro, Rodrigo Leão com Vini Reilly, Waldemar Bastos e Neco Novellas. A notícia da Lusa, na íntegra:

«O festival Atlantic Waves, que apresentou Mariza ao público londrino e ao qual a fadista regressa este ano, abre dia 01 de Novembro com o futuro incerto. A delegação em Londres da Fundação Gulbenkian, que até agora financiou o evento dedicado à música lusófona iniciado em 2001, está a ponderar o que irá fazer com a iniciativa, nomeadamente a entrega da sua organização a outra entidade, deixando, no entanto, de a financiar. "Vamos ver se há potenciais parceiros para pegarem no que começámos", disse à agência Lusa o novo director da delegação, Andrew Barnett. A decisão coincide com o fecho do departamento de relações culturais anglo-portuguesas e com a diluição da promocao da cultura portuguesa na estrutura da delegação e a saída do seu responsável, Miguel Santos, que também era o director do Festival.

Andrew Barnett reconhece que o Atlantic Waves "foi um grande sucesso" e reivindica para o Festival o crédito de ter colocado o fado no mapa da música no Reino Unido. "Penso que não é demais dizer que [o Festival] ajudou Mariza a conseguir uma audiência britânica", vincou. Mariza estreou-se nos palcos londrinos em 2002, na 2/a edição do Festival, depois de ter actuado no festival WOMAD, em Reading. Poucos meses depois, em Março do ano seguinte, foi distinguida com o prémio de World Music da BBC3. Desde então Mariza regressou a Londres várias vezes, tendo esgotado a lotação do Royal Festival Hall em 2006, também no âmbito do Atlantic Waves. Este ano, Mariza abre o festival a 01 de Novembro com dois concertos no Barbican e ainda um espectáculo especial para as famílias durante o dia, aberto a crianças. Do programa constam ainda Rodrigo Leão e Durutti Column, Gaiteiros de Lisboa, Mafalda Arnauth, Vinicius Cantuária, estando o encerramento a cargo de Waldemar Bastos e Neco Novellas.

Andrew Barnett, no cargo há um ano, entende que é tempo de a delegação da Gulbenkian em Londres, que tem um orçamento anual de três milhões de euros, avançar para outros projectos. "Temos recursos limitados e é altura de passar à frente", refere, dando como exemplo o prémio britânico para museus e galerias, que a Gulbenkian deixou de patrocinar em 2007 após cinco anos. O mesmo, tudo indica, deverá acontecer com o festival Atlantic Waves.

Nas edições anteriores do festival passaram, entre outros, Madredeus, Mísia, Telectu, Pedro Carneiro, Zé Eduardo, The Raincoats, Lula Pena, Maria João e Mário Laginha, Rodrigo Leão, Blasted Mechanism e Gaiteiros de Lisboa - a maioria dos quais pela primeira vez no Reino Unido.


Um projecto semelhante poderá, entretanto, nascer no próximo ano pelas mãos do fundador e principal impulsionador do Atlantic Waves, Miguel Santos. "Serão quatro dias, seis concertos por dia, no início de Novembro", revelou à Lusa. O modelo, promete, será "mais ambicioso, com músicos portugueses, mas também parcerias internacionais". BM/Lusa»

28 outubro, 2008

Ry Cooder e o Buena Vista Social Club - O Meu Coração É Cubano


Ouvir agora o álbum gravado ao vivo pelo colectivo Buena Vista Social Club no Carnegie Hall em Nova Iorque é voltar a sentir o mesmo arrepio que se teve quando se ouviu pela primeira vez o álbum de estúdio do «grupo» e se viu pela primeira vez o documentário de Wim Wenders com o mesmo nome. Há algumas semanas, na «Time Out Lisboa», foram publicados estes meus dois trabalhos a propósito dessa edição: uma entrevista com Ry Cooder (na foto), produtor do «Buena Vista Social Club», e uma crítica ao álbum ao vivo recentemente editado pela World Circuit.


RY COODER
O MEU CORAÇÃO É CUBANO

Este título é mentira. Ou é só uma semi-mentira. Nunca, ao longo desta entrevista, Ry Cooder disse a frase. Mas sente-se - no decorrer de toda a conversa que tem como mote a edição em disco do mítico concerto do Buena Vista Social Club no Carnegie Hall, em Nova Iorque - que Cooder está quase, quase a dizê-la.

Quem viu o filme «Buena Vista Social Club», de Wim Wenders, sabe bem do que se está a falar aqui: o concerto que juntou velhas e novas glórias da música cubana - as mesmas que protagonizaram o disco homónimo editado um ano antes - no palco do Carnegie Hall, em Nova Iorque, em Julho de 1998. O encantamento, o espanto, de muitos daqueles músicos e cantores perante a grandeza da cidade; o encantamento, o espanto, de quem os ouvia no concerto - «gringos», centenas de «gringos», rendidos à verdade e à beleza daquela música antiga que vinha dali de tão perto, de Cuba, e dali de tão longe - a Cuba inimiga de Fidel. No centro do palco, mas lá atrás, de óculos e discreto, está Ry Cooder - o padrinho da iniciativa, produtor do álbum que então começava a tornar-se no maior best-seller da história da world music e um exemplo maior de que a música pode muitas vezes derrubar muros políticos e ultrapassar fronteiras geográficas.

No início deste processo está uma ideia de Nick Gold, director da editora World Circuit, que, recorda Ry Cooder nesta conversa, «queria gravar um álbum de colaboração entre guitarristas africanos - nunca cheguei a saber quem eles eram! - com músicos cubanos. Mas os músicos africanos nunca conseguiram os vistos para poder ir a Cuba na altura e tivemos que mudar o foco do disco». O próprio Ry Cooder teve que deslocar-se a Cuba através do México, devido ao embargo norte-americano à ilha. «Mas tivemos a felicidade de conseguir juntar em estúdio os melhores músicos e cantores cubanos que, em 1996, ainda podíamos encontrar. E todo o processo de gravação foi muito improvisado, gravando com quem ia aparecendo no estúdio. Não houve um plano». Questionado sobre se se teria apercebido, durante as gravações em Havana, de que estava envolvido num disco que viria a tornar-se histórico, Ry Cooder diz que «não. Estava ali a divertir-me, a conhecer pessoas maravilhosas - e, acima de tudo, a aprender com elas - e a tentar fazer o meu trabalho o melhor possível». O resultado comercial deste disco que deu a conhecer ao mundo artistas como Ibrahim Ferrer, Compay Segundo ou Omara Portuondo foi uma coisa que surpreendeu Ry Cooder e o próprio Nick Gold. Diz Ry Cooder que «o Nick, optimista como é (risos), apontou as vendas para a ordem dos cem mil. E acho que já vendeu mais de oito milhões de exemplares até agora...».

Passados todos estes anos, alguns dos músicos presentes em «Buena Vista...» já não se contam no reino dos vivos (Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Pio Levya, Rubén González...). Ry Cooder relembra-os com saudade e diz-se «um homem de sorte por tê-los conhecido. Tenho um grande orgulho por ter estado com eles, por tê-los visto tocar e cantar. Tenho tido a sorte de tocar e colaborar com muita gente ao longo destes anos, gente deste calibre, com quem aprendi imenso». Em sentido contrário, as gravações em Havana tiveram consequências perversas na vida de Ry Cooder, cidadão norte-americano: «O Departamento de Estado - cheio de reaccionários anti-cubanos - ameaçou-me com a prisão, escreveu-me uma carta a dizer que eu estava "sob suspeita". Isto não teria acontecido se o disco ("Buena Vista...") não tivesse tido sucesso, mas como estava a ter aquela visibilidade toda, isso virou-se contra mim. Felizmente, tive o apoio do presidente Clinton que, apesar do embargo, não se opunha a trocas culturais com Cuba». Essa abertura de Clinton possibilitou a realização do concerto do colectivo Buena Vista Social Club no Carnegie Hall, cujo registo discográfico é por estes dias posto à venda, e a deslocação de Ry Cooder a Cuba para a gravação de discos em nome individual de algumas das estrelas reveladas pelo álbum original. Mas este estado de graça terminou em 2001, quando George W Bush e a sua administração - a quem Ry Cooder chama «evil clowns» - chegaram ao poder. E deixa o desejo de que, nas próximas eleições, seja o Partido Democrata a vencer.

Ao longo de uma carreira longa e riquíssima de experiências em várias áreas musicais - do rock aos blues, passando pelas bandas-sonoras de vários filmes, as trocas com músicos extraordinários (a sua parceria com Ali Farka Touré também foi recordada com saudade durante a entrevista) -, Ry Cooder tem, nos anos mais recentes, flirtado de forma mais aberta com a música mexicana e com as suas ligações à música norte-americana (numa fabulosa trilogia de álbuns: «Chávez Ravine», «My Name Is Buddy» e «I, Flathead»), preparando-se agora para, de certa forma, continuar essa aventura produzindo um álbum que vai juntar o mais prestigiado grupo folk irlandês, The Chieftains, com músicos mexicanos.


BUENA VISTA SOCIAL CLUB
«AT CARNEGIE HALL»
World Circuit/Megamúsica

«Buena Vista Social Club», o álbum de estúdio - gravado em 1996, em Havana, com produção executiva de Nick Gold (o patrão da World Circuit), produção musical de Ry Cooder e com Juan de Marcos González como ligação no local aos outros músicos cubanos, novos ou antigos -, veio a ser o maior fenómeno de vendas da história da chamada world music, com mais de oito milhões de cópias vendidas pouco mais de dez anos sobre a sua edição. E, para além de ser um campeão de vendas, tornou-se também um paradigma para outras produções semelhantes - já há um disco chamado «Samba Social Club»; já há outras aproximações à «fórmula» feitas com músicos de outras latitudes, incluindo em Portugal com o projecto «Cabelo Branco É Saudade»... Mas nada disto - nem as vendas, nem o paradigma - são importantes quando se ouve, se ouve mesmo!, o álbum: um registo em que a verdade absoluta de uma música, e quase sempre de um género entre os muitos géneros cubanos, o son, transparece em cada nota, em cada palavra respirada, em cada silêncio...

E agora, os fãs do «Buena Vista...» original já podem deliciar-se, de novo, com a voz de Ibrahim Ferrer, de Omara Portuondo, de Pio Levya, de Compay Segundo ou de Eliades Ochoa, com o piano mágico de Rubén González e com a trompete falante de Manuel «Guajiro» Mirabal porque é editada, finalmente, a gravação do mítico concerto que este grupo de cantores e músicos cubanos - mais os outros que também por lá estão - deram no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em 1998; o mesmo do qual temos algumas imagens no documentário homónimo de Wim Wenders. E o que é que ganhamos neste álbum ao vivo que não há no original de estúdio?... Resposta fácil: uma maior dose de improvisação em alguns dos temas (oiça-se González brilhar no seu solo do tema-título «Buena Vista Social Club»), algumas canções que não estavam no original - como «Mandinga», ponte feita entre Cuba e a África Ocidental, uma deliciosa versão de "Quizás, Quizás" ou a belíssima "Silencio". E, acima de tudo, a certeza de que o álbum de estúdio não foi apenas um milagre de... estúdio mas que tudo aquilo, principalmente «ao vivo», é música da melhor e da mais genuína que alguma vez existiu. (******)

27 outubro, 2008

Festival Musidanças no Tambor Q Fala


A edição deste ano do festival Musidanças decorre no Tambor Q Fala - o espaço do Seixal pertença do Tocá Rufar - nos dias 6, 7 e 8 de Novembro. E com um programa que inclui música e dança, claro, mas também performances, palestras e workshops. Entre concertos de música e dança mais tradicional, no oitavo Musidanças haverá igualmente lugar para o reggae, a soul, a fusão «global», o experimentalismo ou o hip-hop, constando do «cardápio» nomes como os de Mingo Rangel, Guto Pires, Lindu Mona (aka Firmino Pascoal, o mentor do Musidanças), Dama Bete (na foto), Black Bombain, Finka Pé, Atma, Mundo Complexo, Katharsis, Supa, Zuul Nation e Kaja Bucalho, entre outros. Mais informações, aqui.

23 outubro, 2008

Atlantic Waves - Mariza, Gaiteiros de Lisboa e Rodrigo Leão em Londres


Várias prestigiadas salas de espectáculos de Londres recebem, mais uma vez, nas duas primeiras semanas de Novembro, o festival Atlantic Waves, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Um festival que este ano apresenta concertos com alguns nomes maiores da música portuguesa - Mariza (na foto), Gaiteiros de Lisboa, Rodrigo Leão (com Vini Reilly, dos Durutti Column, como convidado-, algumas parcerias suculentas como a já conhecida de Rabih Abou-Khalil com Ricardo Ribeiro ou a inédita de Mafalda Arnauth com Vinicius Cantuária e alguns outros da esfera da lusofonia, com os Berrogüetto e Neco Novellas, entre outros. O programa completo, que segue em inglês e tudo para o caso de um algum «bife» visitar o Raízes e Antenas:

«1–2 Nov
Sat–Sun
7.30pm
£27.50, £25, £10 + bkg

Barbican
Silk Street
London EC2


FADO
Mariza the Terra tour

Three special UK concerts by the queen of fado, the breathtakingly lyrical and melancholic music of Portugal. Adored worldwide for her heartbreaking voice, compelling stage charisma and performances that are full of musical passion and drama, Mariza returns to London for her first UK concerts in two years to premiere material from her eagerly anticipated album Terra, out this autumn on EMI – a richly cosmopolitan mix of flamenco and morna, jazz and folk music through which resonates a constant Portuguese sound.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 020 7638 8891, www.barbican.org.uk
2 Nov
Sun
2.30pm (special family show)
£40 (family ticket), £15, £10 + bkg

Barbican
Silk Street
London EC2

FADO
Mariza the Terra tour

Mariza’s special family concert on Sunday afternoon is for young people (age 7–14) and accompanying adults.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 020 7638 8891, www.barbican.org.uk
4 Nov
Tue
7.30pm
£10 + bkg

Bush Hall
310 Uxbridge Road
London W12

GALICIAN FOLK

Folk with a contemporary edge courtesy of award-winning world music group Berrogüetto, who combine a passion for traditional Galician music with contemporary experimentation and influences well beyond the borders of Galicia – playing an eclectic variety of instruments from bagpipes and hurdy-gurdy to acoustic and synthesized guitar; and Uxía, the Galician diva whose passion for mixing cultures results in a fusion of rhythms and sounds. Uxía’s songs are always tinged with the touch of traditional music, whether latent or explicit, making her one of Galicia’s most valued and popular artists.

Info: www.atlanticwaves.org, www.bushhallmusic.co.uk
Box office: 08700 600 100, www.ticketweb.co.uk
5 Nov
Wed
7.30pm
£10 + bkg

Bush Hall
310 Uxbridge Road
London W12

PORTUGUESE FOLK

Acclaimed Portuguese alternative folk group Gaiteiros de Lisboa (‘Lisbon bagpipers’) make a long awaited return visit to London. This folk-world band of multitalented musicians play songs and tunes from Portuguese and other cultures alongside their own compositions, blending the music of their original wind instruments and vocal polyphonies in a continuous search for new sounds.

Info: www.atlanticwaves.org, www.bushhallmusic.co.uk
Box office: 08700 600 100, www.ticketweb.co.uk

6 Nov
Thu
7.30pm
£20, £15, £10 + bkg

Barbican
Silk Street
London EC2

Rodrigo Leão, co-founder of Madredeus, was hailed by Pedro Almodóvar as "one of the most inspired composers in the world". There is a cinematic scale to his work which has attracted collaborators from Ryuichi Sakamoto to Beth Gibbons, and which comes out in his first retrospective work, O Mundo, in which he and his band draw together much of his greatest music as part of an imagined soundtrack. Special guests The Durutti Column, Vini Reilly's legendary Manchester band, play a very rare London show in support of the forthcoming 30 Years of Factory Records box set.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 020 7638 8891, www.barbican.org.uk

9 Nov
Sun
7.30pm
£22, £20, £17.50, £15 + bkg

St John’s
Smith Square
London SW1

OUD MASTER MEETS YOUNG FADISTA

A programme of Portuguese song from Rabih Abou-Khalil’s new album Em Português, featuring the voice of young Fado star Ricardo Ribeiro.

Master Lebanese oud (Arabic lute) player and composer Rabih Abou-Khalil takes inspiration from the poems of contemporary Portuguese writers Mário Raínho, Tiago Torres da Silva, Rui Manuel and José Luís Gordo, and from the free-spirited, amazingly mature voice of young Portuguese Fado star, Ricardo Ribeiro. Still in his twenties, Ribeiro is an authentic singer rooted fully in tradition but open to adventure in new directions. Weaving music around words and words around music, with long-term partners Luciano Biondini (accordion), Michel Godard (tuba and bass) and Jarrod Cagwin (percussion), the warm sounds of oud and voice create moods that are nothing less than exquisitely beautiful, where the saudade of Fado and the yearning of Abou-Khalil’s Middle Eastern melodic sense combine to create a completely new music – a kind of imagined folklore that seems to have existed all along.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 020 7222 1061, www.sjss.org.uk
10 Nov
Mon
7.30pm
£20, £15, £10 + bkg

Queen Elizabeth Hall
Southbank Centre
London SE1

BOSSA NOVA MASTER & FADO DIVA

One of the greatest living singer-songwriters, Vinicius Cantuária’s seductive, restless music places him in a lineage that includes the great Tom Jobim and Caetano Veloso and has the subtle, sad beauty of the greatest bossa nova songs. For this very special show, celebrating half a century of bossa nova, Cantuária presents Samba Carioca – inspired by the sounds of the 1950s, when a generation of musicians championed the songs of the great sambistas and were increasingly taken with the jazz sounds emerging from America. It was that mix of influences that gave birth to the sophisticated sounds of bossa nova and Cantuária's Samba Carioca Quartet will perform music from the past and future of Brazilian music. Mafalda Arnauth sweeps away audiences with her singular voice and youthful spontaneity. Her unique re-interpretations of the classics combined with her own original songs make her an essential part of the new fado scene.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 0870 663 2500, www.southbankcentre.co.uk

11 Nov
Tue
7.30pm
£20, £15, £10 + bkg

Queen Elizabeth Hall
Southbank Centre
London SE1

LUSOPHONE AFRICAN NIGHT

Waldemar Bastos is the great voice of Portuguese Africa. A national hero in Angola, he went to Brazil, working closely with Djavan and Chico Buarque, and then made his mark across the world recording for David Byrne’s label Luaka Bop in what he calls his ‘Afropean’ style – because he takes influences from many cultures and makes them his own. London shows are as rare as hen’s teeth, so don’t miss this special concert. Also featuring the first show here by Neco Novellas, a passionate singer from Mozambique who’s soulful music has taken him on a similar journey. The band's songs bring together the complex rhythmical structures of timbila music, Portuguese folklore, church harmonies, classical music, pop, jazz, soul, samba, afrobeat, rock, gospel and local genres.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 0870 663 2500, www.southbankcentre.co.uk »

22 outubro, 2008

Acordeões do Mundo - Abram-se os Foles em Torres Vedras


O Festival Internacional de Acordeões do Mundo, que começa este fim-de-semana em Torres Vedras, vai já na sua quinta edição. E, este ano, tem mais uma vez um programa hiper-apetecível. A informação completa, sacada directamente às Crónicas da Terra:

«O Município de Torres Vedras apresenta, entre os próximos dias 27 de Outubro e 10 de Novembro, a quinta edição do cada vez mais respeitado Festival Internacional de Acordeão. Além dos espectáculos musicais que este ano nos trazem a dupla finlandesa KRAFT de Pekka Kuusisto & Johanna Juhola (a 31 de Outubro, no Teatro-Cine), destaque para a residência artística que envolve o projecto Danças Ocultas, o gaucho Renato Borghetti e o búlgaro Martin Lubenov (e quem mais quiser participar, basta inscrever-se), que culminará, dia 7 de Novembro, com o espectáculo de diálogo entre estes três parceiros multinacionais do fole. Paralelamente, organização promove durante estes dias, ao fim da tarde (18h), as Merendas de Acordeão que resultam numa actuação e numa prova de vinhos, ou leitura de texto.

Eis o programa integral divulgado no site das Festas da Cidade de Torres Vedras:

Concertos
27 Outubro |Segunda | 21h30
Daniel Mille (França)
Teatro-Cine

Na galáxia dos músicos de jazz, Daniel Mille é um puro jazzman que junta em torno de si todos os públicos nos locais por onde passa. O compositor foi considerado o melhor artista instrumental por “Victoires du Jazz 2006” após 10 anos de carreira, tem várias participações em festivais e em álbuns de outros artistas e o espectáculo que nos vai apresentar baseia-se no seu último trabalho Aprés la pluie.

Ficha técnica Daniel Mille » acordeão e acordina
Alfio Origlio » piano
Jerome Regard » contrabaixo
Pascal Rey » percussão
Julien Atour » trompete/fliscorne

31 Outubro | Sexta | 21h30
KRAFT (Pekka Kuusisto & Johanna Juhola) (Finlândia)
Teatro-Cine

Os KRAFT estrearam-se em Julho de 2005 no festival Time Of Music, em Viitasaari.
O duo destaca-se pela comunicação musical e expressão sem género definido.
Os sons são produzidos por uma variedade de instrumentos que vão desde o violino e o acordeão à electrónica, jogo de sinos e voz. KRAFT mostram todos os tipos de música para pessoas que gostam de música de todos os tipos.

Ficha técnica Johanna Juhola » acordeão e piano
Pekka Kuusisto » violino, viola, violino electrico, voz, sampler e piano.

3 Novembro | Segunda | 21h30
Tango Quattro (Argentina)
Teatro-Cine

Este grupo de músicos argentinos surgiu no ano de 1996.
Aquilo que a principio foi um projecto artístico como forma de manter viva a própria cultura transformou-se numa necessidade de reafirmar a própria identidade e, acima de tudo, gostam de se assumir como um grupo de amigos.
O que se destaca em Tango Quattro é a sonoridade do autêntico tango que estes músicos conheceram desde as suas infâncias, tango que expressam com vigor e com a personalidade de um estilo inconfundível, inseparável das raízes que o tango possui e baseado em novos arranjos musicais com adaptações próprias. No seu reportório incluem-se todos os estilos desde a ‘velha guarda’ até Astor Piazzolla, passando por outros músicos de referência como Troilo, Salgan, Pugliese, Plaza e outros grandes maestros do tango, dos quais são absolutamente fiéis estilisticamente falando.

Ficha Técnica
Ezequiel Cortabarría » Flauta
Fabián Carbone » Bandoneón
Mario Soriano » Piano
José Luis Ferreyra » Contrabaixo
Adrián Rodríguez » Violoncelo

7 Novembro | Sexta | 21h30
Danças Ocultas + Renato Borghetti + Martin Lubenov (Portugal, Brasil e Bulgária)
Teatro-Cine

Este concerto será o resultado de 4 dias de residência artística na qual participaram artistas já conhecidos do público Torriense. O que se espera é uma conjugação sublime de distintos modos de tocar e de sentir a música, sonoridades que espelham uma troca enriquecedora de experiências.

10 Novembro | Segunda | 21h30
Duo ARTClac (Portugal)- Duo de Acordeão e Clarinete
Paulo Jorge Ferreira e Carlos Alves
Teatro-Cine

O “Sopro dos Botões” é um programa de apresentação deste duo constituído por dois artistas com uma enorme experiência em contextos extremamente diversificados. Esta proposta dá corpo, em boa medida, à visão de descoberta de novos mundos. Do Fado à música improvisada, passando por linguagens contemporâneas e por uma das facetas muito importantes deste grupo, a produção própria. Paulo Jorge Ferreira é, também, compositor e arranjador e uma das obras foi escrita especificamente para este duo.
Uma das características centrais deste programa é a sua versatilidade e adequabilidade a muitas situações diversas, desde o tradicional recital até à integração em mostras mais alargadas.

Programa

I Parte
Versionen – Werner Richter (Em dois movimentos)
Nuances a 2 – Paulo Jorge Ferreira
…para acordeão e clarinete – Rainer Glen Buschmann
­Barcarole ­Galopp ­Arie ­Tango ­Musette

II Parte
Improviso sobre melodias de Golijov – clarinete solo
Improviso – acordeão solo
Sonate – Wolfgang Hofmann ­Allegro ­Largo ­Vivace
“Ouvir Lisboa”( recriação de fados alusivos a Lisboa) – Paulo Jorge Ferreira

3 a 7 Novembro
Residência Artística
Danças Ocultas + Renato Borghetti + Martin Lubenov (Portugal, Brasil e Bulgária)
Teatro-Cine de Torres Vedras

‘O Festival Acordeões do Mundo apresenta-se este ano com mais uma inovação, a de proporcionar um espectáculo de estreia mundial com músicos internacionais e nacionais que já actuaram no festival.
Projecto que constitui uma renovação integral na apresentação de reportórios, conjuga e une distintos modos de tocar e de sentir num laboratório criado pare esse propósito. Propósito que pretende eleger de cinco em cinco anos um programa que possua a assinatura Torres Vedras, reunindo para isso um grupo de músicos (sempre que possível com a presença de portugueses) que tenha reunido o agrado do público deste Festival.
Importa aqui sublinhar o empenhamento e o entusiasmo de Artur Fernandes (Danças Ocultas) que desde a primeira hora apadrinhou e subscreveu este modelo de residência artística.’

Merendas do Acordeão - 18h

27 Outubro | Segunda | A Brasileira de Torres | José Cláudio | Concerto e prova de vinhos

28 Outubro | Terça | Pastelaria Havanesa | Vítor Apolo | Concerto e prova de vinhos

29 Outubro | Quarta | Café O Chave | Bianca Luz | Concerto e prova de vinhos

30 Outubro | Quinta | SaboreAr| João de Castro e João Domingo | Concerto e prova de vinhos

31 Outubro | Sexta | Restaurante Ferróbico | Catarina Brilha | Concerto e leitura de textos

3 Novembro | Segunda | Livraria Livrodia | Dora Tavares | Concerto e leitura de textos

4 Novembro | Terça | Casa Avó Gama | José António Martins | Concerto e leitura de textos

5 Novembro | Quarta |Bar da Câmara Municipal | Sofia Henriques | Concerto e prova de vinhos

6 Novembro | Quinta | Café O Sizandro | Vítor Apolo e Francisco Cipriano | Concerto e leitura de textos

7 Novembro | Sexta | Cervejaria O Gordo | Emanuel Crispim | Concerto e prova de vinhos

10 Novembro | Segunda | Adega O Manadinhas | Mário Paulo e João Paulo | Concerto e leitura de textos»

A magnífica foto dos Danças Ocultas que encima este post é da autoria de Mário Pires.

21 outubro, 2008

Terrakota Terminam Digressão Europeia em Barcelona (e... na Covilhã)


Depois de mais de trinta concertos em Portugal, Espanha, Italia, França, Holanda, Bélgica, Estónia, Polónia e Sérvia - e tendo passado por festivais como o Amsterdam Roots Festival, o Festival Esperanzah, na Bélgica, o Etnosur, na Andaluzia, o Exit Festival, na Sérvia, e o Mercat de Vic, na Catalunha - os Terrakota terminam hoje, dia 21, a sua digressão europeia de 2008 com um espectáculo na Sala Apolo 1, em Barcelona. Mas para que os catalães não se fiquem a rir ainda há mais um concerto da banda por terras portuguesas, dia 31 deste mês, na Covilhã.

Para além disso, e segundo um press-release do grupo, «o videoclip do single "É verdade", realizado pela Droid, entrou na selecção oficial do Fantasporto, foi eleito “melhor video português do ano” pelo Brand New da MTV, ganhou o prémio especial do juri no Vimus (Festival Internacional de Videos Musicais) e está em Playlist no Nat Geo Music». E esta semana, a MTV Portugal dedica-lhes vários especiais: «MTV BRAND NEW TAPETE TERRAKOTA - 23\10 às 21.30 e 28\10 às 00.30 -
FAZUMATV TERRAKOTA (reportagem do concerto Apolo 2 – Abril 2008); 27\10 às 22.30 -MTV VJBLOG TERRAKOTA; 22\10 às 21.55 - TERRAKOTA OBA TRAIN TOUR 2008».

20 outubro, 2008

Dany Silva - Quarenta Anos Entre Cabo Verde e... O Mundo


A comemorar - sem oficialmente o comemorar - quarenta anos de carreira profissional no mundo da música, Dany Silva lançou recentemente o álbum «Caminho Longi», um excelente regresso para este cantor e compositor que foi pioneiro na mostra da música cabo-verdiana aos portugueses. Aqui em baixo seguem uma entrevista a Dany Silva e uma crítica ao disco «Caminho Longi» originalmente publicadas na «Time Out Lisboa» há algumas semanas.


SOB O FOCO
DANY SILVA

«Caminho Longi» é o novo álbum de originais de Dany Silva, oito longos anos passados sobre «Tradiçon». Gravado em Portugal e nos Estados Unidos, com Cabo Verde no horizonte, e sempre a meio caminho. Dany Silva conversa com António Pires.

Pelas minhas contas, se calhar mal feitas, o Dany tem cerca de quarenta anos de carreira feita em Portugal...

Comecei a ser músico profissional em 1968. Por isso estou mesmo a fazer quarenta anos de carreira!

E começou pelo rock...

Sim, com Os Charruas, Quinteto Académico+2, em grupos de casino... N'Os Charruas tocávamos versões dos Beatles, dos Bee Gees, etc... E no Quinteto Académico íamos mais à música negra norte-americana, ao rhythm'n'blues, à soul, ao funk, Otis Redding, James Brown...

E essas influências ficaram-lhe, não ficaram? Porque a sua música, apesar das raízes cabo-verdianas, não é somente cabo-verdiana...

É verdade. Não sou aquele músico típico cabo-verdiano, tradicional. Quando comecei a gravar música cabo-verdiana, utilizei sempre as influências que eu tive de outras músicas, não só a música norte-americana mas também a música popular portuguesa, a música brasileira, a música angolana... Quando comecei a gravar a solo, no fim da década de 70, para a Valentim de Carvalho, não podia cantar em crioulo, tinha que ser em português. Mas quando editei o meu primeiro álbum, «Lua Vagabunda», já tinha muitas canções em crioulo, com algumas em português. Aliás, em todos os meus discos tenho canções em português, que é uma língua fabulosa.

O Dany não tem a sensação de que passou ao lado de uma grande carreira internacional? E a razão para isso não será o facto de sempre ter vivido em Portugal?

Há músicos cabo-verdianos que chegaram à música muito depois de mim e que andam por todo o mundo... E ainda bem! Mas eles tiveram a sorte - e eu tive também a minha sorte - ou a oportunidade que eu não tive, que foi a de cair em mãos com indivíduos que trabalham lá fora, empresários, agentes, editores, que distribuem as coisas de outra maneira. Nunca fui aventureiro, no sentido de pegar nas minhas coisas e ir lá para fora.

Excepto agora, em que gravou boa parte do seu novo álbum, «Caminho Longi», nos Estados Unidos...

Sim, mas lá está! Vieram buscar-me. Não fui eu que procurei isto... Foi um acaso. O Barry Marshall (produtor do álbum) esteve em Portugal, em 2005, a acompanhar um cantor que ele produziu , o Philip Hamilton - que trabalhou com o Pat Metheny, a LaVern Baker... -, e conhecemo-nos na Casa da Morna, onde eu estava a tocar. E ele convidou-me a gravar um álbum com ele. Parte do álbum foi gravado nos estúdios de uma escola em que ele dá aulas, The New England Institute of Art, em Brookline (na zona de Boston). E o álbum foi gravado como um projecto de interesse para a escola. Gravei com músicos cabo-verdianos residentes lá e com músicos americanos. E o resto foi gravado cá, no estúdio do Rui Veloso... Com muito boa vontade de toda a gente! E, para além deste disco de originais, também aproveitámos para gravar um outro, com temas de toda a minha carreira - em duetos com Rui Veloso, Jorge Palma, Tito Paris, Nancy Vieira... -, que vai ser editado no próximo ano.

Para terminar: o tema «Caminho Longi» tem depois um parêntesis, «(In Memoriam)»... Pode explicar?

Esse tema é dedicado ao meu irmão, que morreu em 2001. O «caminho longi» é a eternidade...



DANY SILVA
«CAMINHO LONGI»
SaturdayNight/Fantasy Day

Um «longo caminho» foi percorrido por Dany Silva entre «Tradiçon», o seu álbum anterior, editado em 2000, e este novo «Caminho Longi», gravado entre Boston e Vale de Lobos, com a ajuda do produtor Barry Marshall - líder da banda The Marshalls e produtor de discos de LaVern Baker, Peter Wolf, Aimee Mann, Rev. Lee Mitchell, Patricia Vlieg, etc. Mas a espera valeu a pena! Não sendo um álbum absolutamente genial, «Caminho Longi» é, sem dúvida, o melhor álbum de sempre de Dany Silva, mostrando este cantor, músico e compositor cabo-verdiano radicado há muito em Portugal - e um verdadeiro cidadão do mundo que integra na sua música muitíssimas músicas - a cruzar sabiamente mornas, coladeiras e funanás com funk, latin-jazz, cheirinhos de salsa, blues, ritmos angolanos... O primeiro tema do álbum, «Farra na Sanzala» é um passaporte directo para a festa. O segundo, «Festa di Nôs Santos», é uma explosão de estilos diferentes (contem-nos!). O terceiro, «Nunca N'ca Odjal Só Tisna» (composto por Zézé di Nha Reinalda) mergulha de cabeça na tradição cabo-verdiana. E ao longo do álbum há algumas outras belas surpresas como o fabuloso «Nha Cretcheu Nha Perdiçon» (que parece uma balada dos Beatles transmutada em morna), o pungente «Caminho Longi», a coladeira apontada a sul de «Na Quês Temp», a versão de «Foi Por Ela» (de Fausto), em ritmo mais lento e dolente, morna absoluta!, ou a regravação de «Mamã África» (em dueto com o cantor norte-americano Philip Hamilton). Com vários temas de Dany Silva (alguns em parceria com o letrista angolano Cuca) e outros de autores como o já referido Zézé di Nha Reinalda e Fausto, mas também Toy Vieira ou Baptista Dias, «Caminho Longi» pode bem não ser o fim do "caminho", mas um bom re-início para Dany Silva. (*****)

17 outubro, 2008

Auto-Promoção (ou World DJing no DocLisboa)


Em contacto de última hora - mas nem por isso menos bem-vindo -, o autor deste blog e DJ nas horas vagas António Pires foi convidado para pôr música no festival de cinema documental DocLisboa, amanhã (sábado) à noite e na próxima quinta-feira, com ambas as sessões a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa. A primeira sessão tem como mote a música cubana e o documentário «Black Tears» («Lágrimas Negras»), dedicado ao mítico grupo Vieja Trova Santiaguera (na foto). A segunda sessão, que parte da música moçambicana para outras músicas africanas, terá como pedra de toque os filmes de temática moçambicana «Hóspedes da Noite», de Licínio de Azevedo, e «Kuxa Kanema: O Nascimento do Cinema», de Margarida Cardoso.

Programação completa e demais informações sobre o DocLisboa, aqui.

16 outubro, 2008

Festival Sons em Trânsito Cancelado


Às vezes, por entre notícias boas lá vem uma má. E esta é mesmo má: o Festival Sons em Trânsito deste ano foi cancelado devido a falta de financiamento, segundo noticia o blog Crónicas da Terra, que por sua vez cita o jornal «Diário de Aveiro», mais a mais quando o cartaz iria incluir concertos da dupla de Camille com Pascal Comelade, dos Ladysmith Black Mambazo, de Camané e dos Son de La Frontera (na foto), entre outros. A notícia das CdT, na íntegra:

«Os rumores que existiam à volta da não realização da sétima edição do Festival Sons em Trânsito tornaram-se uma infeliz e incontornável realidade. A edição desta segunda-feira do jornal local Diário de Aveiro noticia que o SET não se realiza este ano devido a dificuldades financeiras.

Recorde-se que a sexta edição do SET, de 2007, que registou lotação esgotada em todas as noites de espectáculos no Teatro Aveirense, tinha corrido idêntico risco pelas mesmas razões.

Apesar da falta de apoios institucionais e de patrocícios (conforme se pode ler na referida notícia), o Teatro Aveirense já tinha anunciado as datas de 27 a 30 de Novembro para a realização do SET de 2008 e o programa prometia voltar a esgotar os quatro dias de espectáculos, incluindo no apetitoso cartaz Camané, os renovadores do flamenco Son de La Frontera (que este ano efectuaram uma belíssima e empolgante actuação no Rotas e Rituais de Lisboa), o espectáculo conjunto de Pascal Comelade e Camille, as guitarras acústicas explosivas do dueto mexicano Rodrigo y Gabriela, a instituição sul-africana Ladysmith Black Mambazo e os mongóis Egschighen.

Na mesma notícia fica a esperança de um SET revigorado. "O município planeia compensar a perda da edição deste ano do SET com um número especial em 2009, data em que se assinala os 250 anos da elevação de Aveiro a cidade". Assim seja».

15 outubro, 2008

Eneida Marta - Também na WOMEX!


Para além de Camané, há outra presença lusófona entretanto confirmada na WOMEX: a da cantora guineense Eneida Marta (na foto), com showcase confirmado nesta feira/festival de Sevilha no próximo dia 30. O comunicado oficial, que explica bem a carreira de Eneida Marta, já a seguir:

«A cantora Eneida Marta integra a selecção oficial da WOMEX 2008 (World Music Expo) que decorrer em Sevilha de 29 de Outubro a 2 de Novembro.

Considerado o mais importante mercado profissional de World Music do planeta, esta feira integra cerca de 2,800 delegados e 1,400 empresas de mais de 90 países, 52 showcases com mais de 350 artistas de 42 países divididos por 5 palcos. A organização seleccionou a artista Eneida Marta para um showcase integrado na sua programação oficial que decorrerá no dia 30 pelas 22.15h no Pavilhão 1 na Praça de Espanha.

Eneida Marta apresentará neste showcase temas do seu úlltimo album Lôpe Kai (2006, Iris Music) que deu origem à Tour Lôpe Kai levando-a a pisar alguns dos palcos mais prestigiados nos quatro cantos do mundo, como tambèm apresentará temas do seu muito antecipado novo álbum que tem data de lançamento para 2009.

Eneida Marta nascida na Guiné-Bissau mas radicada em Portugal, é uma das mais bonitas vozes africanas dos dias de hoje. Misturando a sua voz notável com ritmos como Gumbe, Morna, Singa, Tina-Flmenco, Afro-beat e cantando em Mandinga, Fula, Criol, Futa-Fula e Português combina as raízes da sua origem com a vibracidade dos arranjos de Juca Delgado um dos mais importantes produtores de musica africana em Portugal e que desde cedo apostou no valor de Eneida e lhe proporcionou colaborações em trabalhos de conceituados artistas, como Don Kikas, Rui Sangara, Fernando Santos (Aiaia), Aliu Bari, Punga e Iva e Ichi.

Com o seu primeiro álbum, Nô- Storia, editado pela Maxi Music, em 2001, e produzido por Juca Delgado, fez uma tournée por Cabo Verde, França, Holanda, Alemanha, Guiné-Bissau e Portugal, que mereceu críticas muito favoráveis tanto da parte do público, como da parte dos media. Já com o seu segundo trabalho, Eneida Marta converteu-se numa nova referência musical e despertou o interesse de editoras como a “Putumayo”, “Club Star” e “JPS Production”; americana, alemã e francesa respectivamente. Foi finalmente com a conceituada editora americana, Putumayo que Eneida participa, com um tema, Na Bu Mons, do seu primeiro cd, numa compilaçao dedicada à musica das colónias portuguesas em África, “An Afro-Portuguese Odyssey- (2002).

Esta participação abriu-lhe as portas do reconhecimento internacinal da sua espectacular voz, colocando-a em posições de topo nos meios de comunicação.

Eneida Marta esteve presente, em imensos meios de comunicação internacionais, colaborou em diversas compilações, e, tambèm em discos de conceituados artistas, no panorama musical africano: “Guiné, S. Tomé” compilação de artistas de Guiné-bissau e São Tomé (2002), “Para Alem da Música+”, disco editado por CIC-Portugal para angariar fundos de ajuda humanitária em África (2003), “Mindjer” de Nino Galissa (Guinea Bissau - 2004), “Santa Mariazinha” de Caló Pascoal (Angola - 2005), entre outros.

Em Janeiro de 2006, apresentou o seu terceiro disco, Lôpe Kai, editado pela Íris Music (França), a partir do qual se inicia a sua primeira grande tournée europeia Tour Lôpe Kai 2006-2007. Em Julho de 2005, ficou em primeiro lugar, na categoria de World Music, num concurso que decorreu em Portugal, com a canção Mindjer Dôlce Mel; que tambèm està incluído na compilação Acoustic Africa, da Putumayo World Music, gravou o seu primeiro videoclip.

Eneida e Juca exploram, ao desenvolver a sua obra, uma grande variedade de estilos, Gumbe, Morna, Singa, toques de Flamenco, de Gospel e jazz... Tudo envolto num erotismo pleno... uma verdadeira fábrica de ritmo.»

14 outubro, 2008

Festival Ruada - Uma Boa Supresa em Lisboa!


Quem diria! E assim, sem se esperar, está marcado para dias 24 e 25 deste mês um belo festival em Lisboa: o Festival Ruada, que decorre na Tenda do Instituto Português da Juventude, Parque das Nações e que inclui concertos dos Gaiteiros de Lisboa, Roncos do Diabo (na foto), Nozes & Vozes, Cramol e Sebastião Antunes Trio, para além de workshops de dança tradicional, percussão e canto, jam-sessions, uma exposição de instrumentos tradicionais e música para bebés... A organização é dos Nozes & Vozes e da Associação Gulliver. Olh'ó programa completo!

«SEXTA-FEIRA, 24 DE OUTUBRO

19:00 – Abertura do Evento, com Inauguração de uma Exposição de Instrumentos Tradicionais Portugueses e breve reflexão acerca da música tradicional portuguesa com Sebastião Antunes


Concertos:

21:00 – Nozes&Vozes

21:30 – Cramol

22:30 – Gaiteiros de Lisboa

00:00 – Jam-Session (participantes e elementos dos grupos)


SÁBADO, 25 DE OUTUBRO


Música Tradicional para bebés (dos 0 aos 3 anos)

10:00 - 11:00 – 1ª Sessão

11:30 - 12:30 – 2ª Sessão


Workshops Tradicionais

Canto Tradicional – com Sebastião Antunes

Percussão – com Tiago Pereira

Danças Tradicionais – com Matias

15:00 - 16:00 – 1ª Sessão

16:30 - 17:30 – 2ª Sessão

(Workshops a decorrer em simultâneo em cada sessão, em 3 espaços distintos, possibilitando aos participantes a realização de 2 workshops)


Concertos:

21:00 – Sebastião Antunes Trio

22:30 – Roncos do Diabo

00:00 – Jam-Session (com participantes e elementos dos grupos)

01:00 - Encerramento do Festival.


CONCERTOS – Venda de bilhetes no local a partir das 14h de dia 24 Outubro

1 noite: € 7

2 noites: € 10


WORKSHOPS – Marcação obrigatória

Venda de bilhetes no local a partir das 14h de dia 24 Outubro ou reserva antecipada, por SMS (92 729 84 33) ou E-MAIL (festivalruada@gmail.com) com as seguintes informações:

NOME + Nº DE PARTICIPANTES + Workshop(s) pretendido(s) + CONTACTO TELEFÓNICO

Workshops tradicionais:

1 Workshop: € 3

2 Workshops: € 5


Música Tradicional para bebés:

1 Adulto + 1 Bebé: € 10

Pessoa extra (adulto ou bebé): € 5


LOCALIZAÇÃO

Tenda do Instituto Português da Juventude - Parque das Nações

R. de Moscavide, 47-101

1998-011 Lisboa».

13 outubro, 2008

Madredeus (Modificados) Renascem... Onde Nasceram


Há quase um ano, neste blog - quando se soube da saída de Teresa Salgueiro, José Peixoto e Fernando Júdice dos Madredeus -, e quando muito se especulou acerca da viabilidade de uns Madredeus reformulados, principalmente de uns Madredeus reformulados... sem Teresa Salgueiro, escrevi: «Sempre gostei mais dos Madredeus da primeira fase: a riqueza tímbrica dada por um leque alargado de instrumentos - a voz de Teresa, a guitarra de Pedro, o sintetizador de Rodrigo, o acordeão de Gabriel Gomes, o violoncelo de Francisco Ribeiro (numa mistura inusual de instrumentos clássicos, eléctricos e populares que depois se tornou quase um paradigma de muitas bandas portuguesas e estrangeiras) -, a simplicidade melódica das primeiras composições e o arrebatamento de uma música nova dos primeiros anos nunca depois foi igualado. E, nos últimos anos dos Madredeus, notava-se o cansaço daquilo tudo: da «fórmula», dos músicos, da voz de Teresa. E, se calhar, a saída de José Peixoto (extraordinário guitarrista), de Fernando Júdice (baixista da melhor escola) e da diva-musa-cantora Teresa Salgueiro foi o melhor que poderia ter acontecido aos Madredeus».

E, em jeito de voto para o futuro, escrevi também: «Há uma lenda que circula no meio musical português e que dá conta da existência de um baú - de uma espécie de «arca do tesouro» - em que Pedro Ayres tem guardadas centenas de canções originais, à espera de ver a luz do dia. Não se sabe se é verdade - é essa a força das lendas! - mas acredito que sim, que esse baú existe e, se não com centenas, com algumas dezenas de composições. Na minha humilde opinião, Pedro Ayres Magalhães é o maior e melhor compositor português dos últimos vinte anos. E, para além de compositor, um homem de ideias, de luzes, de missões a cumprir. Acredito - e faço votos para - que os Madredeus vão continuar, rejuvenescidos, com música e músicas novas - músicas saídas do cérebro de Pedro Ayres e de Carlos Maria, ele também um compositor talentoso -, com outra voz, com outros músicos. E com um novo sopro de vida. A música portuguesa precisa deles. Precisou há vinte anos. Precisa agora, ainda».

Agora, a notícia: os Madredeus continuam com Pedro Ayres e Carlos Maria Trindade ainda ao leme, com duas novas vozes - as de Mariana Abrunheiro e Rita Damásio -, e um leque alargado de instrumentistas acompanhantes, a Banda Cósmica, onde se realça a presença de instrumentos nunca usados pelo grupo como a guitarra eléctrica, a bateria, a harpa, as percussões ou o violino. E o regresso faz-se com um duplo-álbum, «Metafonia» (na foto) e uma série de concertos no lugar mítico em que o grupo nasceu: o Teatro Ibérico, em Lisboa, dias 6, 7, 8, 13, 14 e 15 de Novembro. A seguir, a apresentação do álbum e os pormenores do novo grupo e o alinhamento completo de «Metafonia»:


«Madredeus & A Banda Cósmica

METAFONIA

Edição dia 20 de Outubro

(Distribuição Farol)

METAFONIA é um duplo CD, editado independentemente por Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade

Os Madredeus começaram a ensaiar a introdução da harpa na sua oficina de composição em Dezembro de 2007, e a preparar os arranjos do novo e antigo reportório, enquanto procediam a audições para novas cantoras. Após o trabalho com a harpa de Ana Isabel Dias, convidaram a percussão afro de Ruca Rebordão e depois a secção rítmica, com Sérgio Zurawski na guitarra eléctrica, Gustavo Roriz na guitarra-baixo e contrabaixo e Babi Bergamini na bateria. Jorge Varrecoso integra estes CD’s como violinista convidado. O progresso dos arranjos musicais acompanhou o trabalho com diversas vozes até às sessões de gravação. A escolha final das canções foi decidida pelas excepcionais interpretações de Rita Damásio e Mariana Abrunheiro.

A nova formação dos Madredeus pretendeu inventar uma concepção nova de música cantada em português para grandes espectáculos, inspirada na diversa tradição das suas próprias composições, e nos arranjos da música popular da Europa, da África Ocidental e do Brasil.

A Pedro Ayres Magalhães (Guitarra Clássica) e Carlos Maria Trindade (Sintetizadores) juntaram-se:

Mariana Abrunheiro - Voz
Rita Damásio – Voz
Ana Isabel Dias - Harpa
Sérgio Zurawski - Guitarra Eléctrica
Gustavo Roriz – Guitarra Baixo
Ruca Rebordão – Percussão
Babi Bergamini – Bateria
Jorge Varrecoso – Violino
Sofia Vitória, Cristina Loureiro e Marisa Fortes – Coros

METAFONIA, foi gravado nos estúdios Música Nómada em Pavia, no Alentejo, entre 4 e 29 de Agosto de 2008.

Misturado nos Garate Studios, em Andoain, País Basco (Espanha), entre 1 e 14 de Setembro de 2008.

Engenheiros de som - Jorge Barata e Jonathan Miller

Masterizado por Andrew Jackson,Tube Audio,Ltd,Londres

Direcção Musical e Produção de Pedro Ayres Magalhães»

Alinhamento:

CD1 - Inéditos

01. Vou (larga o navio)
02. O Eclipse (Habitas no meu pensamento)
03. A profecia atlântica
04. Uma caipirinha
05. Um amor assim, o que será
06. Inventar (meditar no contratempo)
07. Voava na noite
08. A comunhão das vozes
09. Dança de Outono
10. Lisboa do mar
11. A estrada da montanha
12. Uma pausa

CD2 - Clássicos

01. O mar
02. Ao crepúsculo
03. O navio
04. O paraíso
05. Coisas pequenas
06. Agora - Canção aos Novos
07. Anseio (Fuga apressada)

10 outubro, 2008

Festival de Expressões Ibéricas - Do Fado à(s) Folk(s)


Começa hoje, dia 10, em Alcochete, mais uma edição do Festival de Expressões Ibéricas, que não se limita a apresentar concertos com artistas e bandas da Península mas, desta vez, vai também à folk britânica - com um espectáculo de Phamie Gow (na foto). A notícia completa, sacada das Crónicas da Terra:

«À primeira vista, há uma vontade expressa de fazer este festival crescer para vários espaços (Freeport, café da vila), outras áreas musicais (de sessões de fado vadio à música medieval) para além da pura e dura folk. Camané (que encerra esta edição a 1 de Novembro), Phamie Gow, Hexacorde y Vanesa Muela, Tradere e a quase-estreia dos Atlântida (novo projecto de José Flávio Martins que já actuou neste festival com Lumen e Frei Fado d’el Rei), constituem alguns dos pontos mais altos daquela que é, sem dúvida, a edição mais ambiciosa deste festival.

Eis o programa completo:

Fórum Cultural de Alcochete
EXPOSIÇÃO: “Aleluias. Jogos. Trajes”
No âmbito do 6.º Festival de Expressões Ibéricas de Alcochete, a decorrer de 10 de Outubro a 1 de Novembro, apresentamos uma recolha da Fundação Joaquín Diaz (Urueña – Valladolid | Espanha) que nos mostra algumas temáticas da cultura tradicional da Península Ibérica.
Horário: 2.ª a 6.ª feira, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00. Sábado e Domingos, das 14h00 às 18h00. Patente ao público até 2 de Novembro.

Sexta-feira, 10 de Outubro

18h00 | Biblioteca de Alcochete
Feira do Livro Ibérico
Horário: Terça-feira, das 17h00 às 21h00 | Quarta a Sexta-feira, das 17h00 às 19h00 | Sábados, das 10h30 às 19h00 | Feriados, das 14h30 às 18h30 | Encerra dos Domingos. Até 1 de Novembro.

22h00 | Igreja da Misericórdia/MMA
MÚSICA: Alexandre Gabriel & Gonçalo do Carmo (celta/medieval)
Público: todo.
Duração: 60 minutos.
Bilheteira: € 5,00 | € 3,00 (<> 65 anos) | Passe Festival: €27,00 | Passe Festival Júnior e Sénior (<> 65 anos): € 17,00.
Informações e reservas: 21 234 96 40 | forum.cultural@cm-alcochete.pt

Sábado, 11 de Outubro

19h30 | Freeport
MÚSICA: Jose Antonio Alonso (folk/canção de autor)
Entrada livre.

22h00 | Fórum Cultural de Alcochete
MÚSICA: Phamie Gow (celta/tradicional)
Público: todo. Bilheteira: € 7,50 | € 5,00 (<> 65 anos) | Passe Festival: € 27,00 | Passe Festival Júnior e Sénior (<> 65 anos): € 17,00.
Informações e reservas: 21 234 96 40 | forum.cultural@cm-alcochete.pt
Concerto com os apoios: Rádio Clube Português e Portal Cotonete.

Sexta-feira, 17 de Outubro

10h00 e 15h00 | Fórum Cultural de Alcochete
ATELIÊ: Oficina de Instrumentos Tradicionais para Crianças
Actividade destinada aos alunos dos Jardins-de-Infância e Escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
Informações e inscrições (até 14 de Outubro): 21 234 96 40 | forum.cultural@cm-alcochete.pt.

Sábado, 18 de Outubro

15h00 às 18h00 | Biblioteca de Alcochete
ATELIÊ: Oficina de Instrumentos Tradicionais para Crianças
Informações: 21 234 96 40 | forum.cultural@cm-alcochete.pt | 21 234 97 20 |
biblioteca.alcochete@netvisao.pt

19h30 | Freeport
MÚSICA: Tradere (folk/tradicional)
Entrada livre.

22h30 | Largo de São João
MÚSICA: La Zarabandina (animação de rua/folk)


Domingo, 19 de Outubro

10h30 | Largo de São João
MÚSICA: La Zarabandina (animação de rua/folk)


Sexta-feira, 24 de Outubro

21h00 | Largo de São João
MÚSICA: Pauliteiros de Miranda (animação de rua/tradicional)
Trás-os-Montes | Portugal
www.bragancanet.pt/pauliteiros

22h30 | Igreja da Misericórdia/MMA
MÚSICA: Strella do Dia (medieval/árabe)
Público: todo. Duração: 60 minutos. Bilheteira: € 5,00 | € 3,00 (<> 65 anos) | Passe Festival: €27,00 | Passe Festival Júnior e Sénior (<> 65 anos): € 17,00. Informações e reservas: 21 234 96 40 | forum.cultural@cm-alcochete.pt


Sábado, 25 de Outubro

14h30 e 20h00 | Largo de São João
MÚSICA: Arruada com Gaiteiros e Pauliteiros de Miranda (animação de rua/tradicional)
Trás-os-Montes | Portugal

19h30 | Freeport
MÚSICA: Atlântida (folk/fusão)
Entrada livre.

Sexta-feira, 31 de Outubro

22h00 | Fórum Cultural de Alcochete
MÚSICA: Hexacorde y Vanesa Muela (folk/tradicional)
Bilheteira: € 7,50 | € 5,00 (<> 65 anos) | Passe Festival: € 27,00 | Passe Festival Júnior e Sénior (<> 65 anos): € 17,00. Informações e reservas: 21 234 96 40 | forum.cultural@cm-alcochete.pt
www.hexacorde.com | www.vanesamuela.com

24h00 | Café da Vila (Largo de São João)
MÚSICA: Noite Alcochetana de Fado Vadio

Sábado, 1 de Novembro

15h00 | Biblioteca de Alcochete
CONCERTO DIDÁCTICO: Vanesa Muela
Informações: 21 234 96 40 | forum.cultural@cm-alcochete.pt | 21 234 97 20 |
biblioteca.alcochete@netvisao.pt

22h00 | Fórum Cultural de Alcochete
MÚSICA: Camané (fado)
Bilheteira: € 10,00 | Passe Festival: € 27,00 | Passe Festival Júnior e Sénior (<> 65 anos):
€17,00. Informações e reservas: 21 234 96 40 | forum.cultural@cm-alcochete.pt

Alexandre Gabriel & Gonçalo do Carmo (Portugal) | www.aggc.no.sapo.pt
O projecto de Alexandre Gabriel & Gonçalo do Carmo nasceu em 2003 na sequência do gosto pelo repertório tradicional europeu. Como ponto de partida a procura e redescoberta das sonoridades antigas – desde os temas de inspiração celta ao imaginário medieval, passando pela música tradicional dos vários países da Europa. O Antigo e o Novo encontram-se num espaço intemporal, nascendo desta união o fruto da harmonia. A música ganha, assim, forma e expressão. Num repertório com base em composições originais, temas tradicionais europeus e obras medievais e renascentistas, a magia dos sons redimensiona as pessoas para outro Mundo – o mundo das Cores e dos Sentidos.

Interpretação: Alexandre Gabriel (harpa céltica e guitarra folk) | Gonçalo do Carmo (flautas, low whistle, gaita-de-foles galega e baglama).

Jose Antonio Alonso (Guadalajara – Castela La Mancha | Espanha) | www.joseantonioalonso.com
Com um contacto muito directo e desde muito cedo com a música tradicional castelhana, Jose António Alonso (Guadalajara – Castela La Mancha) fez parte, em jovem, de grupos musicais como “Pan de Centeno” e “Alquería”, onde realizou um vasto trabalho de intérprete e de recolha da música folk de Guadalajara. Com actuações um pouco por toda a Espanha, Jose António Alonso interpreta, nos seus concertos, músicas tradicionais castelhanas e composições próprias, tendo já recebido vários e prestigiados prémios musicais.

Interpretação: José Antonio Alonso (voz, guitarra e guitarrilho) | Ivan Martín (piano e percussão) | Sergio Maseda (vionlino e voz) | José Ignacio Deán (percussão, flauta e guitarra).
Entrada livre.

Phamie Gow (Escócia) | www.phamiegow.com | www.myspace.com/phamiegow
Conhecida deste muito nova como “a jovem prodígio”, a escocesa Phamie Gow (cantora, pianista, acordeonista, compositora, produtora e harpista) conta com quatro discos editados (“Winged Spirit”, “Lammermuir”, “Dancing Hands” e “Moments of Time”) e com um vasto reconhecimento internacional. O canto da harpa, vivo, assombroso e potente, são adjectivos da imagem de marca que marcam as suas actuações, valendo constantemente os mais rasgados elogios. Esquecendo a harpa como instrumento de música de fadas, Phamie Gow leva a sua sonoridade para lá do limite do imaginável. Phamie Gow apresenta-se em Alcochete para uma muito curta digressão e traz consigo uma harpa eléctrica colorida, única no mundo, a que dá carinhosamente o nome de Madame Papillon. Assistir a um concerto de Phamie Gow é entrar num mundo contemporâneo de virtuosismo.

Interpretação: Phamie Gow (voz, piano, harpa e acordeão).
Concerto com os apoios: Rádio Clube Português e Portal Cotonete.

Oficina de Instrumentos Tradicionais para Crianças (Castela e Leão |
Espanha)
Júlio Arribas vem da província espanhola de Castela e Leão para apresentar um conjunto de instrumentos tradicionais ibéricos e de novas formas de os perpetuar. Construir instrumentos tradicionais a partir de nozes ou de latas de conserva é o desafio que Júlio Arribas propõe às crianças para, por um lado, criarem os seus próprios instrumentos e, por outro, criarem a sua própria música.

Tradere (Castela e Leão | Espanha) | www.folkesi.com/tradere | www.myspace.com/tradere
Fundados nos finais de 1994, o grupo da província espanhola de Castela e Leão formou-se com os objectivos de divulgar e entender a música tradicional espanhola. Sempre presentes nos mais prestigiados festivais de música folk de Espanha, para além de outros locais em países como a Hungria, Itália e Portugal, o sexteto Tradere apresenta, em concerto, temas que conjugam a música tradicional e a renovação da música folk.

Interpretação: Eugenio Rodríguez (oboé, dulzaina e voz) | Jesus Ronda (guitarras e coros) | Jaime Lafuente (voz e percussão) | Chuchi Marcos (baixo) | Javier Polo (saxofone, flautas e coros) | Pedro Pérez (percussões).

La Zarabandina (Castela e Leão | Espanha) | www.myspace.com/lazarabandina
As actuação de La Zarabandina (Castela e Leão | Espanha) reflectem perfeitamente as várias manifestações da música tradicional de raiz folk. A quantidade de instrumentos tradicionais tocados pelo grupo identifica a sua intemporal riqueza musical, aliados a uma conotação sempre actual. Com a interpretação de temas de várias regiões de Espanha, as presenças de La Zarabandina em vários festivais internacionais de música folk e de rua traduzem-se em momentos de verdadeira festa e diversão.

Interpertação: Rafael Cubillo (dulzaina) | Alberto Requejo (saxofone tenor) | Victor Nieto (bombo) | Eugénio Rodríguez (dulzaina) | Javier Polo (saxofone soprano) | Pedro Pérez (caja) | Paco Villalba (bombardino).

Pauliteiros de Miranda (Trás-os-Montes | Portugal) | www.bragancanet.pt/pauliteiros
Se a origem da dança dos Pauliteiros não recebe unanimidade dos estudiosos, havendo atribuições da sua origem a danças gregas, a danças populares do sul de França e a danças dos Suíços na idade Média, uma coisa é certa: as actuações dos Pauliteiros de Miranda não deixam ninguém indiferente: do trajes, à danças, dos utensílios às músicas, cada apresentação é um regalo para os olhos!

Strella do Dia (Portugal) | www.strelladodia.com | www.myspace.com/strelladodia
Os Strella do Dia têm desenvolvido um trabalho pioneiro no nosso país devido à singularidade da sua génese, passando a sua formação principalmente pela música medieval. O grupo caracteriza-se, em termos de actuações, pela música “alta”, na qual a força telúrica das gaitas-de-foles e da percussão lusitana, bem como de outros instrumentos, adquire o seu máximo protagonismo, e pela música “baixa”, onde o som aquático da harpa céltica, a doçura etérea das flautas e o som cristalino das saltérios transportam, quem escuta, para outros tempos. Actualmente os Strella do Dia apresentam outras faces da música medieval, assim como incursões pontuais a outros domínios musicais, como são os casos da música árabe e da música tradicional.

Interpretação: Alexandre Gabriel (tarota, gralla, percussões, harpa céltica e crótalos) | Daniel Morgado (timbalão, darabuka, bendir e crótalos) | João Neve (djembe, timbalão, surdo, darabuka, tbal, cowbell e crótalos) | Gonçalo do Carmo (gaita-de-foles, flautas, gralla, chalumeau, alaúde árabe, baglama e crótalos) | Ricardo Vieira (gaita-de-foles, flautas, crótalos, bendir e chirimita).

Atlântida (Portugal) | www.bartilotti.com/musica_atlantida | www.myspace.com/aatlantida
Os portugueses Atlântida nascem como um processo natural de aproximação de músicos influenciados por vários estilos musicais e pelas suas diferentes personalidades. Do encontro, resulta uma original fusão de géneros com variações a nível do tempo, do estilo e do ritmo com uma dinâmica muito própria. Através da voz, das percussões, das duas guitarras, do baixo acústico, do violoncelo e do acordeão, viajamos ao mundo do Fado na companhia dos acordes do flamenco e dos ritmos do tango.

Interpretação: Alexandra Guimarães (voz principal) | Cristina Bacela (guitarra e voz) | José Flávio Martins (baixo acústico e percussões) | Fátima Santos (acordeão) | Miguel Antas Teixeira (guitarra e percussões) | João Paulo (violoncelo e percussões).

Hexacorde y Vanesa Muela (Madrid | Espanha) | www.hexacorde.com | www.vanesamuela.com
Mais do que a soma de dois projectos distintos, Vanesa Muela e Hexacorde (Madrid | Espanha) complementam-se. O longo trabalho de investigação de Vanesa Muela na música de raiz folk constitui-se como um excelente tónico para o engrandecimento do estilo dos Hexacorde.

Interpretação: Rafael Alonso (flautas, dulzaina e gaita) | Álvaro Aguilar (dulzaina, cajón e percussões) | Fernando Llorente (clarinete, gaita charra e dulzaina) | Héctor López (bateria, percussões e clarinete) | Ángel Goyanes (cistro e guitarra) | Victor Ríonegro (baixo eléctrico) | Vanesa Muela (voz e percussões).

Vanesa Muela (Castela e Leão | Espanha) | www.vanesamuela.com
Desde muito cedo ligada ao universo musical, Vanesa Muela (Castela e Leão | Espanha) tem-se dedicado ao conhecimento e investigação da cultura musical tradicional espanhola e também de instrumentos musicais tradicionais. Este aspecto, que se reflecte claramente nas suas actuações, torna cada concerto único e inesquecível. Com um conjunto de três discos gravados e muitos prémios conquistados, Vanesa Muela apresenta-se a solo em Alcochete para um concerto que mais do que musical é uma partilha de conhecimentos e experiências.

Camané (Portugal) | www.camane.com | www.myspace.com/camane
Desde o início do seu percurso artístico, Camané teve sempre uma postura de sobriedade, respeito e rigor perante o Fado, insistido na divulgação de um repertório centrado no seu lado Tradicional, sem deixar de arriscar ao utilizar novas linguagens musicais, mantendo o enfoque na Palavra, na forma como transmite o legado cedido pelos autores e poetas do nosso e de outros tempos. Camané regressa ao Fórum Cultural de Alcochete para a apresentação do seu último trabalho discográfico “Sempre de Mim”.»

09 outubro, 2008

Fest-i-Ball - E Siga a Dança!!!


Let s dance from Tiago Pereira on Vimeo.

O Teatro da Luz, em Lisboa, recebe nos dias 24, 25 e 26 de Outubro mais uma edição do Fest-i-Ball, festival dedicado às danças tradicionais europeias organizado pela Tradballs, que inclui workshops de vários géneros e concertos pelos grupos portugueses Cornes, Uma Coisa em Forma de Assim e Cobblestones e pelos franceses Parasol. O programa oficial segue já a seguir e, para quem ainda não sabe do que falamos - o que, em relação aos leitores deste blog, eu duvido muito :) - aqui fica um delicioso vídeo de Tiago Pereira, com Mercedes Prieto a explicar as bases de algumas danças tradicionais.



«FEST-i-BALL (6ª edição)

24, 25, 26 Outubro '08


Teatro da Luz - Largo da Luz, Carnide – Lisboa

PROGRAMA

sexta, 24 Outubro

22H00: CORNES
24H00: UMA COISA EM FORMA DE ASSIM

sábado, 25 Outubro

15H00: Workshop de Búlgaras - por Maryana Ilieva
16H00: Workshop de Chamarritas dos Açores - por Carla Gomes
17H00: Workshop de Valsas Irregulares - por Eva Parmenter
18H00: Workshop de Irlandesas - por Patricia Vieira

16H00: Workshop de Musica Ensemble - a divulgar

21H30: a divulgar
22H00: COBBLESTONES
24H00: PARASOL (França)

domingo, 26 Outubro

15H00: Workshop a divulgar -
16H00: Workshop de Mazurka (avançados) - por Gerard Godon
17H00: Workshop de Finlandesas - por Marina Vasques

16H00: Workshop de Música Ensemble - Éric Thézé (parasol)

19H00: PARASOL (França)

Nota: workshops para todos os níveis

Bilheteira FEST-i-BALL :
Sexta 24 - 13 balls
Sábado 25 (dia+noite) - 20 balls
Sábado 25 (noite) - 15 balls
Domingo 26 - 13 balls
Geral (3 dias) - 30 balls»


Apoios:


Associação Pédexumbo - Circulo de Dança de Lisboa».

Mais informações, aqui.

08 outubro, 2008

Michael Franti & Spearhead - Um Admirável Mergulho nos Mares da Jamaica


Michael Franti - ele que foi o cérebro dos seminais Disposable Heroes of Hiphoprisy - e os seus Spearhead estão de volta com um fabuloso álbum em que o reggae e outras linguagens musicais nascidas na Jamaica têm a parte de leão. É ouvir, as palavras e a música!


Michael Franti & Spearhead
«All Rebel Rockers»
Anti-/Edel

É impossível falar de Michael Franti, o cantor/declamador/músico/compositor, sem falar do homem/poeta/cidadão Michael Franti: um homem que desde os longínquos tempos dos Beatnigs e dos Disposable Heroes of Hiphoprisy - um dos mais influentes, desviantes e originais grupos de hip-hop alguma vez nascidos nos Estados Unidos - faz das suas palavras uma arma ao serviço de causas como a paz no Médio Oriente, a harmonia universal, o anti-capitalismo e o anti-imperialismo norte-americanos, embrulhando tudo, sempre, em poesia de altíssima qualidade (muitas vezes directa, bruta, violenta; de outras sarcástica ou terna ou falsamente ingénua). Mas, agora, ao sexto álbum de Michael Franti com os seus Spearhead também é impossível falar de Michael Franti sem falar da evolução que a sua música sofreu ao longo de pouco mais de duas décadas de carreira: do punk, do industrial e do hip-hop experimental dos primeiros projectos a - já com os Spearhead - à soul, ao funk, à world music, ao reggae... E é ao reggae e a outras formas de música jamaicana (o dub, o dancehall, o ska...) que Michael Franti & Spearhead se atiram de cabeça neste novo álbum, «All Rebel Rockers». A mensagem política continua lá, viva e actual, ainda há lá rock e hip-hop... mas neste álbum também há lugar para umas raras e bem conseguidas canções de amor («All I Want Is You», «I Got Love For You»...) e, acima de tudo!, há lá um sentido dançável, lúdico e quente que é raro na obra de Franti e da sua banda. Gravado em Kingston, na Jamaica, com o apoio da fabulosa dupla de produtores formada pelo baterista Sly Dunbar e o baixista Robbie Shakespeare - só estes nomes chegam para se perceber por onde o álbum anda - e com colaborações de Marie Daulne e também das suas Zap Mama, e da jamaicana Cherine Anderson, «All Rebel Rockers» é ao mesmo tempo uma grande festa e (mais) uma grande manifestação. E com alguns deliciosos "wallies" musicais chamados OutKast e Ben Harper (descubra-os!). (*****)

(Texto originalmente publicado na «Time Out Lisboa» há algumas semanas)

07 outubro, 2008

Deolinda, Kimmo Pohjonen, Varttina e Cristóbal Repetto em Concertos Próximos


Os portugueses Deolinda, as finlandesas Varttina (na foto), o igualmente finlandês Kimmo Pohjonen - com o seu projecto Kluster - e um dos nomes mais importantes do novo tango, Cristóbal Repetto, têm todos concertos e digressões marcados para Portugal nas próximas semanas, com organização da Sons em Trânsito. É (para) ver:

Deolinda

17 Outubro - Teatro Aveirense, Aveiro
18 Outubro - Aula Magna, Lisboa
23 Outubro - Teatro José Lúcio da Silva, Leiria
05 Novembro - CAEP, Portalegre
13 Dezembro - Casa das Artes, Famalicão


Kimmo Pohjonen "Kluster"

30 Outubro - Teatro Aveirense, Aveiro
01 Novembro - Fundação Oriente, Lisboa
02 Novembro - Casa da Música, Porto


Varttina

02 Novembro - Casa da Música, Porto


Cristóbal Repetto

03 Novembro - Culturgest, Lisboa

06 outubro, 2008

Cromos Raízes e Antenas XLV


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XLV.1 - Sun Ra


Um dos mais importantes, originais e desviantes nomes do jazz, Sun Ra (nascido a 22 de Maio de 1914 no Alabama, Estados Unidos, como Herman Poole Blount mas adoptando depois como nome oficial Le Sony'r Sun Ra; falecido a 30 de Maio de 1993) foi compositor, teclista e líder de grandes e pequenas orquestras de jazz, nomeadamente da sua pessoalíssima Sun Ra Arkestra. Auto-baptizando-se com o nome de um deus egípcio, com uma filosofia de vida muito própria - teve sempre uma visão afro-centrista das questões sociais e políticas e dizia que tinha nascido no... planeta Saturno -, pioneiro no uso de sintetizadores no jazz, Sun Ra passeou a sua arte livremente pelo be-bop, pelo free jazz, pelo experimentalismo, passando muitas vezes por diversificadas alusões às músicas do mundo, nomeadamente à música africana, asiática e latino-americana, principalmente nos últimos anos da década de 50 e os primeiros da década de 60.


Cromo XLV.2 - Dissidenten


Na vanguarda da fusão do rock e das electrónicas com músicas de variadíssimas paragens do planeta Terra, os alemães Dissidenten iniciaram a sua carreira em 1981, em Berlim, com uma formação que incluía Friedo Josch (teclas, instrumentos de sopro), Uve Müllrich (voz, guitarra, baixo e oud) e Marlon Klein (voz, bateria, percussões, teclas). E, ao longo da sua carreira de quase trinta anos, este trio - que continua ainda agora a conduzir os destinos do grupo - cruzou a sua música com inúmeras outras músicas e inúmeros outros músicos, passando pela Índia, por Marrocos, por Espanha, pelo Havai, pela música dos índios norte-americanos... e por grupos e artistas como o Karnataka College Of Percussion, Jil Jilala, Nass El Ghiwane, Royal Orchestra of Rabat, Trilok Gurtu, Manu Gallo, Tomás San Miguel e por DJs como Shantel ou Badmarsh. Uma celebração global!


Cromo XLV.3 - Sheng


Conta a lenda que o sheng - também conhecido como «órgão de boca chinês» - serviu de inspiração para a harmónica, o acordeão e o harmonium. Uma lenda que tem tudo para ser verdadeira se atendermos à complexidade deste instrumento, inventado na China há cerca de cinco mil anos. O sheng tradicional consiste numa câmara - feita de madeira ou marfim - onde o tocador sopra, ligada a vários tubos feitos de bambu. Cada tubo tem um orifício e, no seu interior, uma palheta livre, proporcionando o conjunto dos tubos uma variedade de timbres notável. Usado em grandes orquestras - nomeadamente nas que acompanham a Ópera chinesa -, em pequenas formações ou por intérpretes a solo, o sheng - que, em tempos mais recentes evoluiu dos seus 17 tubos originais para variações com 21, 24 ou 36 tubos - continua a ter um lugar ímpar na música chinesa e de outros países do Extremo Oriente, havendo actualmente inúmeras escolas que ensinam a sua arte.


Cromo XLV.4 - Tito Puente


Nome maior da música latino-americana do séc. XX, Tito Puente (nascido Ernesto Antonio Puente Jr, a 20 de Abril de 1923; falecido a 31 de Maio de 2000) foi um dos músicos e compositores a dar maior visibilidade mundial a géneros como o mambo, a salsa ou o jazz latino e, também, aos tímbales - seu instrumento de eleição, embora tenha usado também o vibrafone, congas, piano, saxofone e clarinete. Nascido e criado em Nova Iorque, Estados Unidos, filho de pais porto-riquenhos, ao longo da sua extensa carreira - composta por mais de cem álbuns gravados e inúmeras actuações em todo o mundo - foi muitas vezes considerado como «o rei da música latino-americana», arrecadou variadíssimos prémios (incluindo cinco Grammys) e a sua música integrou vários filmes e séries televisivas, nomeadamente «Os Reis do Mambo», «Os Simpsons» e «Calle 54». «Dance Mania», o seu álbum de 1958, é absolutamente imprescindível.

03 outubro, 2008

«Música nas Cidades» - É Obrigatório Lê-lo!


Porque é que o fado nasce em Lisboa, o tango em Buenos Aires, o gnawa no sul de Marrocos ou o krautrock em Berlim (e em outras cidades da Alemanha)?... As respostas a estas - e a muitas outras questões paralelas e/ou semelhantes - estão no magnífico livro «Música nas Cidades», de Manuel Fernandes Vicente, agora editado pela FormalPress, na colecção RésXXI. E, como tive a honra e o prazer de escrever o pequeno texto do prefácio deste livro, aqui o deixo (ao prefácio, claro) para um melhor esclarecimento. «Música nas Cidades» já está disponível numa livraria virtual ou real perto de si... e é absolutamente imperdível!

«Os géneros musicais, é sabido, não nascem de geração espontânea. São fruto de um tempo e de um lugar, filhos de outras músicas que, por uma razão ou outra, se juntaram num determinado sítio para dar origem a um som novo, a um género diferente, a um movimento ou revolução musical. E, não por acaso, as maternidades de muitas músicas, de muitas novas músicas, são cidades - a urbe como ponto de convergência de povos e de culturas, cadinho de dinâmicas sociais e de evoluções históricas, lugar de convulsões políticas ou da fixação de religiões. Neste livro, Manuel Fernandes Vicente demonstra (e desmonta) de forma brilhante a ligação umbilical, de raiz, de muitos géneros musicais com as cidades que lhes deram origem, num trabalho de pesquisa e análise valiosíssimo, sociológica e musicologicamente sério e profundo, não se confinando a prateleiras pré-definidas ou seguindo caminhos fáceis. Aqui podemos encontrar as razões por que o jazz só poderia ter nascido em Nova Orleães ou o tango em Buenos Aires, mas também avança resolutamente para o fado de Lisboa e a música «urbano-depressiva» do eixo Manchester-Liverpool, para o afro-beat de Lagos e para a música romântica de Viena, para o krautrock de Berlim e Munique e para o hip-hop de Nova Iorque, para o gnawa de Marraquexe ou a música electrónica de Tóquio, desenhando um atlas abrangente, vivo e alargado de muitas músicas novas ou antigas.

Diga-se, paralelamente, que tive o prazer de ler muitos destes textos quase em primeira mão, quando há alguns anos era chefe-de-redacção do BLITZ e tinha como função editá-los. Foi um prazer, na altura, lê-los. Como foi um prazer, agora, voltar a lê-los e saber que, mais que merecidamente, estes textos estão finalmente compilados em livro, muitos deles com significativos e preciosos acrescentos de actualidade. E muitos deles, ainda, absolutamente inéditos - como aquele que é dedicado ao FMM de Sines, como "cidade imaginária" de confluência de muitas músicas de muitos lugares -, entre alguns outros. Este livro que aqui começa e que, tenho a certeza, será lido por muita gente com o mesmo prazer que eu senti. Um grande abraço, Manuel».

02 outubro, 2008

Rodrigo Leão, Cristina Branco e Hélder Moutinho na Coreia do Sul


A cidade de Ulsan, no sudeste da Coreia do Sul, é a partir de hoje palco de um dos maiores festivais de world music do Extremo Oriente: o Ulsan World Music Festival. Um evento que tem este ano Portugal como convidado de honra e três nomes da nossa música em destaque: Rodrigo Leão - que pré-inaugurou o festival ontem e ainda actuará amanhã -, Cristina Branco (na foto) e Hélder Moutinho. Uma notícia da Lusa explica tudo:

«Portugal é o convidado de honra do Ulsan World Music Festival, na Coreia do Sul, que começa quinta-feira, sendo a representação nacional assegurada por Cristina Branco, Rodrigo Leão e Hélder Moutinho.

Rodrigo Leão foi o artista escolhido para actuar na cerimónia inaugural no Grand Hall do Ulsan Culture & Arts Center, quarta-feira, acompanhado pelo Cinema Ensemble.

O álbum "Alma Mater" de Leão, editado em 2000, foi lançado este ano na Coreia do Sul, tendo estado a vender a um ritmo de três mil exemplares por semana, segundo informação da sua promotora.

O álbum "Cinema" está também já distribuído naquele país asiático, prevendo-se «para breve» a colocação à venda da compilação "O Mundo".

A cantora Ângela Silva acompanha o músico, já que os concertos incluem algumas canções em latim, entre elas, "O Imortal" a pedido da organização, segundo a mesma fonte.

Depois da actuação quarta-feira, Rodrigo Leão e os seus músicos voltam ao palco sexta-feira, o mesmo dia em que actuará, duas horas antes, a cantora Cristina Branco.

Cristina Branco irá apresentar fados de Amália Rodrigues, acompanhada à guitarra portuguesa por Bernardo Couto, à viola por Fernando Maia, no baixo por Alexandre Silva e ao piano por Ricardo Dias.

A criadora de "Há palavras que nos beijam" (Alexandre O'Neil/Alain Oulman) volta ao palco do King Theatre, sábado, sendo antecedida por Helder Moutinho.

O fadista Hélder Moutinho, acompanhado por Daniel Pinto (baixo), Ricardo Parreira (guitarra portuguesa) e Marco Oliveira (viola de fado), actuará sábado e domingo.

Autor e intérprete, Hélder Moutinho apresentará em Ulsan temas do seu novo álbum, "Que fado é este que trago", que editará em Novembro.

Cristina Branco foi distinguida o ano passado com o Prémio Amália Rodrigues Internacional e, há três anos, Hélder Moutinho recebeu o Prémio Amália para o Melhor Álbum de Fado».

01 outubro, 2008

Cacharolete de Discos - Tango, Hip-Hop Latino e... Bongós!


A música latino-americana - e entenda-se aqui a música latino-americana como um mundo inteiro de músicas, da Argentina a Cuba, passando pelas comunidades imigrantes nos Estados Unidos - já fez muitas viagens. Em críticas a álbuns recentemente publicadas na «Time Out Lisboa» falei dos novos caminhos do tango trilhados pelos argentinos La Camorra Tango, pelo hip-hop de raiz cubana dos Orishas (na foto) e por uma lenda chamada Incredible Bongo Band. Aqui ficam os textos, recuperados da edição em papel.


LA CAMORRA TANGO
«12 POSTALES»
(Galileo/Megamúsica)

Nos últimos anos, o tango - género maior da música argentina e uruguaia - tem ficado mais mais conhecido pelos projectos em que, ao tango, se juntam electrónicas em maior ou menor grau: o Gotan Project, os Bajofondo Tango Club, os Tango Crash, Tanghetto... Mas a verdade é que o tango feito à base de vozes e/ou instrumentos acústicos continua de belíssima saúde, como se pode verificar em nomes como La Chicana, Escalandrum, 34 Puñaladas, Cristobal Repetto ou Adriana Varela. Ou na música deste grupo, La Camorra Tango, em que se reúnem cinco músicos - quase todos eles também compositores dos temas do grupo - de elevadíssima qualidade técnica, mas sem que isso obscureça a emoção avassaladora de que é feita a sua música. E com uma formação «clássica» do tango - guitarra, contrabaixo, violino, piano e bandoneón -, sem recursos a voz nem a electrónicas nem a outros instrumentos, os argentinos La Camorra Tango tocam tango e milongas, sim!, mas aliando-as a muitas outras músicas - o apelo improvisador do jazz, o rock em distorção (mesmo que a distorção seja sempre feita por instrumentos acústicos), um lirismo lindíssimo e por vezes exacerbado, o experimentalismo, a música erudita tratada à maneira do Kronos Quartet -, de um modo orgânico, apaixonado, arrebatador. A influência de Astor Piazzolla na sua música é uma evidência, mas é-o ainda mais porque lhes permite - à semelhança do que acontecia com Piazzolla - levar o tango para paragens distantes sem que deixe de ser tango. (*****)


ORISHAS
«COSITA BUENA»
(Capitol/EMI)

Desde os seus tempos como Amenaza - quando em Havana se atreveram a juntar percussões afro-cubanas ao seu hip-hop -, que os Orishas estabeleceram uma sonoridade originalíssima e muito própria, depois seguida por inúmeros outros grupos, tanto em Cuba como nas comunidades imigrantes cubanas nos Estados Unidos ou noutros países, como a Alemanha (de onde são os Culcha Candela, uma excelente alternativa para quem acha os Orishas demasiado «moles» ou «pop»). E «moles» e «pop» são epítetos que, de vez em quando, até se podem aplicar aos Orishas... Mas faça-se-lhes justiça: eles estiveram sempre na linha da frente da fusão de um género norte-americano - o hip-hop - com músicas locais, de raiz, influenciando decisivamente outros projectos um pouco por todo o lado (e não só os que misturam hip-hop com música latino-americana). No seu novo álbum, «Cosita Buena», o seu quarto de originais, os Orishas não se afastam dessa «missão», continuando a usar as características do hip-hop - o «flow», os beats, o scratch... e até as letras, muitas vezes intervenientes (como em «Maní» e «Que Quede Claro», entre outras) - como desculpa, uma excelente desculpa, para nelas injectarem ritmos como a salsa, o mambo, a rumba, o cha-cha-cha, a guajira ou, no tema «Machete», o reggaeton (género maior que vai ao hip-hop mais duro para o misturar com ritmos locais, à semelhança do dancehall jamaicano, do kwaito sul-africano, do kuduro angolano ou do baile funk brasileiro). Produzido por Tim Latham e masterizado por Tom Coyne, «Cosita Buena» é mais um passo seguro no caminho dos Orishas, que vai agradar novamente aos seus fãs e, eventualmente, desgostar mais uma vez os fãs... dos Culcha Candela. (****)


INCREDIBLE BONGO BAND
«BONGO ROCK»
Mr. Bongo Records/Multidisc

O tema "Apache", na versão da Incredible Bongo Band - e não na original, a dos Shadows - encontra-se na pré-história e na história do hip-hop como um dos temas mais samplados pelos maiores nomes do género (e aparentados) desde a sua pré-história: de Kool Herc, Grandmaster Flash e os Sugarhill Gang a Missy Elliot, Coldcut, Will Smith, Jurassic 5, Run DMC, Beastie Boys, Massive Attack, Moby... O mais engraçado disto tudo é que, durante décadas, pouco se soube sobre a lendária Incredible Bongo Band. Até que a Mr.Bongo Records - editora que deve o nome, em tributo, à banda - veio repor a História no seu lugar e reeditar agora os dois álbuns que fizeram o culto, subterrâneo, da Incredible Bongo Band: «Bongo Rock» e «The Return of The Incredible Bongo Band», ambos editados na primeira metade dos anos 70 e agora reunidos no CD «Bongo Rock». E o que era a Incredible Bongo Band?... Uma ideia, uma ideia de génio, de Michael Viner (na altura A&R da editora MGM), que reuniu uma banda formada por King Herrison (percussionista de mérito - e o tocador dos bongós que dão nome à banda - que tocava com Barbara Streisand e os Jackson 5), Hal Blaine (baterista de sessão com Phil Spector e os Beach Boys, entre muitos outros) e, conta a lenda, Ringo Starr, John Lennon e Harry Nilsson também participaram nas sessões de gravação dos álbuns da Incredible Bongo Band. Álbuns em que o funk, o jazz, a soul, guitarras em distorção, longos duelos de bateria e percussões, especiarias afro e latinas são uma constante quer nas versões de temas de outros - «Apache» (Shadows), «(I Can't Get No) Satisfaction» (Rolling Stones), «Sing Sing Sing» (Louis Prima), «In-A-Gadda-da-Vida» (Iron Butterfly), «Wipe Out» (Surfaris) quer nos originais que se encontram lá pelo meio. Esta reedição também inclui, como bónus bem-vindo, a versão de Grandmaster Flash para «Apache». (*****)