08 fevereiro, 2008

Cromos Raízes e Antenas XXXVIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXXVIII.1 - Trilok Gurtu


Trilok Gurtu (nascido em Bombaim, Índia, a 30 de Outubro de 1951) é baterista, percussionista e, acima de tudo, um mestre incontestado da arte de bem tocar tablas, o instrumento de percussão mais emblemático do seu país. Músico, compositor, homem de olhos abertos para o mundo - e com os olhos do mundo sempre atentos ao que ele faz - Trilok sente-se tão à vontade a reinventar as músicas tradicionais indianas como em palcos e estúdios que partilha com músicos e cantores do jazz, do rock, da fusão, da world music. Já tocou com gente tão diferente como Terje Rypdal e Dulce Pontes, John McLaughlin e Don Cherry, Joe Zawinul e Robert Miles... ou no histórico colectivo Tabla Beat Science (com outras luminárias como Bill Laswell, Karsh Kale e Talvin Singh) e em parceria com o grupo italiano Arkè String Quartet. Um génio.


Cromo XXXVIII.2 - Led Zeppelin


Inventores absolutos da corrente hard-rock/heavy-metal - juntamente com os Deep Purple e os Black Sabbath -, os Led Zeppelin nasceram em Setembro de 1968, em Londres, Inglaterra, integrados na enorme fornada de músicos brancos, ingleses, que iam aos Estados Unidos e aos blues negros buscar a sua inspiração maior. Copiando (muitas vezes pilhando descaradamente) e reinventando essa música de origem ancestral africana, os Led Zeppelin - Robert Plant (voz), Jimmy Page (guitarras), John Paul Jones (baixo) e John Bonham (bateria) - criaram, até 1980 (ano do seu desaparecimento como banda), um «corpus» musical onde, aos blues e ao rock, muitas outras músicas se juntaram: reggae, a música folk britânica (inesquecível o tema com Sandy Denny, «The Battle of Evermore», no quarto álbum da banda) e as músicas do mundo, desde a indiana à música árabe («Kashmir», do álbum «Physical Graffiti», é um belíssimo exemplo).


Cromo XXXVIII.3 - Mory Kanté


E, de repente, as pistas das discotecas - nessa segunda metade da década de 80 -, mais habituadas ao electro, ao euro-disco ou à nascente house music, abriam-se a uma música africana, «Yéké Yéké», que entrava ali como faca em manteiga, mesmo que a faca estivesse revestida de alguns símbolos incompreensíveis. O tema era assinado por Mory Kanté e escondia uma grande história: a de um músico nascido numa das melhores famílias de griots da Guiné-Conacri, Mory Kanté, cantor, especialista na antiga arte de tocar kora mas fascinado pelos ritmos ocidentais. Mory nasceu em Kissidougou, na Guiné-Conacri, a 29 de Março de 1950, mas foi no Mali que aprendeu a tocar kora ainda durante a infância. E foi no Mali que, ao lado de Salif Keita, fez parte da lendária Super Rail Band, em Bamako. Uma lenda que continuou, anos depois, quando editou álbuns em nome próprio e se tornou um dos mais respeitados artistas africanos na Europa e nos Estados Unidos.


Cromo XXXVIII.4 - Sevara Nazarkhan


Diva maior da música do Uzbequistão, Sevara Nazarkhan é uma cantora, instrumentista e compositora que transporta consigo a música da «rota da seda» - e quantos trocadilhos se poderiam fazer, a partir do nome deste tecido, com a sua própria voz! -, abrindo-a, com subtileza e elegância, a outras músicas. Nascida em Andijan, no vale de Fergana, Sevara começou por cantar num quarteto de vozes femininas antes de se lançar numa frutuosa carreira a solo em que canta, compõe e toca doutar (o alaúde, com apenas duas cordas, da Ásia Central). Acolhida no seio da Real World, a editora fundada por Peter Gabriel, editou em 2003 o aclamadíssimo álbum «Yo'l Bo'lsin», produzido por Hector Zazou - ao qual se seguiram «Bu Sevgi» (2006) e «Sen» (2007) -, e colaborou, entre outros nomes, com os Afro Celt Sound System. Ela e a sua música têm uma beleza rara.

6 comentários:

MuseArt disse...

Thank You for one Year with us.
Strange the last music on MuseArt was Led Zeppelins "Thank You"

:-D

António Pires disse...

Dear Anna-Lys:

It was a pleasure to be part of the MuseArt team :))) Good luck for your new net-adventures!

((kram))

laura disse...

Sempre que me quero sentir um bocadinho ignorante - sim, que as pessoas geniais, como eu, de vez em quando precisam de fazer uma pausa na sua genialidade - venho ver os Cromos da tua caderneta, pois é raro reconhecer algum. O que acaba por ser muito bom, pois apesar de toda a minha inteligência, há sempre espaço para mais um ou outro conhecimento... ;)) Mas hoje reconheci pelo menos um cromo. Acho que nem preciso de dizer qual é, lol...

Abraço!

António Pires disse...

Laura-Génio:

LOL!! O bom destas e de muitas outras músicas - quer dizer, da música TODA - é que nunca conhecemos tudo, bem longe disso, felizmente!! A mim sabe-me muito bem ver uma referência desconhecida numa revista ou na net que me deixa curioso e ir logo «cuscar» o que é. Depois, a Amazon agradece ;)

Abraço!

RD disse...

"Yéké Yéké", há quanto tempo não lembrava dele :D

António Pires disse...

Rui:

Mas olha que é sempre bom de lembrar (e dançar!).

Grande abraço...