12 janeiro, 2007

Frei Fado d'El Rei - A Vez de José Afonso


Os Frei Fado d'El Rei são um dos melhores exemplos de perseverança e coragem nestes caminhos da folk - chamemos-lhe folk por facilidade de designação - feita em Portugal. Tendo como base uma originalíssima mistura de música tradicional portuguesa, fado, flamenco, música medieval e moderna, os Frei Fado d'El Rei sempre estiveram na vanguarda da renovação da nossa música. E apesar de muitos dos seus membrs se terem dispersado nos últimos anos por projectos como os Roldana Folk, Lúmen ou Goliardos d'El Rey, os Frei Fado d'El Rei continuam vivíssimos (deram em Dezembro vários concertos na Bélgica e Holanda) - e editam em breve o álbum «Senhor Poeta», de homenagem a José Afonso, no ano em que passam vinte anos sobre a morte deste cantor e compositor que revolucionou a música portuguesa. Festejando o regresso do grupo às lides discográficas, aqui deixo uma pequena entrevista publicada originalmente no BLITZ em Julho de 2004, a propósito do álbum «Em Concerto».


FREI FADO D'EL REI

Ao fim de 14 anos de carreira, os Frei Fado d'El Rei editam o seu terceiro álbum, «Em Concerto», gravado ao vivo no Mosteiro de Leça do Balio. Conversa com José Flávio Martins.

«Em Concerto» foi editado há poucos meses e, por estes dias, estão também a ser reeditado os dois álbuns de estúdio dos Frei Fado d'El Rei, «Danças no Tempo» e «Encanto da Lua», agrupados pela Sony Music numa caixa conjunta. E a primeira pergunta, inevitável, prende-se com o facto de o novo disco ser um álbum ao vivo, e não de estúdio, mas com bastantes inéditos. José Flávio justifica a escolha com «a magia do "ao vivo". Em concerto há uma recptividade e cumplicidade que nunca conseguimos em estúdio. Gostamos dos álbuns de estúdio, têm a sua razão de existir... mas nunca conseguimos transpor essa energia do palco para o estúdio». Paralelamente, «o espaço onde gravámos o álbum foi muito importante. Aquele Mosteiro tem uma acústica fantástica e a pedra do Mosteiro soa no disco: a reverberação, o encantamento da pedra».

No álbum ao vivo - que será complementado, em Outubro, por um DVD do mesmo espectáculo -, os Frei Fado d'El Rei contaram com a participação de alguns músicos convidados. Uma secção de metais, um coro masculino, um harpista, uma acordeonista, percussionistas e o teclista Quico Serrano (agora ligado aos Plaza mas membro dos Frei Fado durante alguns anos). Para além do álbum ao vivo, os Frei Fado d'El Rei voltaram a ter disponíveis nas lojas os seus dois álbuns de estúdio, numa edição especial que reúne os dois discos. Isto para a banda é especialmente importante porque «há bastante tempo que esses dois álbuns não estavam disponíveis no mercado».

Os músicos dos Frei Fado d'El Rei repartem-se também por outros projectos, sendo um deles quase um alter-ego absoluto, os Roldana Folk. Mas, explica José Flávio, os dois grupos complementam-se e não se anulam: os Roldana Folk são mais «festivos e alegres, estão mais próximos da chamada música celta», enquanto os Frei Fado d'El Rei são mais «contidos e intimistas, embora também haja um lado festivo e dançável, nomeadamente quando usamos o flamenco... E os Frei Fado d'El Rei vão a mais estilos». Vão ao fado, ao flamenco, à música de raiz tradicional, à música antiga e medieval... Vão onde querem, mas «sempre com um padrão que unifica os temas e faz deles temas dos Frei Fado d'El Rei».

Outra actividade paralela de alguns músicos dos Frei Fado é a construção de instrumentos de percussão feitos de barro. «Sempre procurámos novos sons e instrumentos. Usamos, por exemplo, um bandolocelo [um bandolim de som mais grave e com o formato do alaúde], que conheci através do construtor, o Domingos Machado. Começámos a usar as bilhas de barro percutidas... e as pessoas que nos viam vinham perguntar-nos muitas vezes o que era aquilo. E eu e o Zagalo [percussionista] começámos a projectar estes instrumentos que agora vendemos. Até temos workshops dedicados às bilhas em vários sítios...».

2 comentários:

Alessandra da disse...

Estou desesperada atrás de cds deles, estou no Brasil.

António Pires disse...

Olá Alessandra!

Tente contactá-los através da Bartilotti Produções: http://www.bartilotti.com/

(tentei enviar-lhe a informação directamente para o seu blog mas o link «alessandra da» dá erro...

Volte sempre...